Histórias que sustentam os 28 anos da Emae

Por trás da geração de energia e do controle de cheias, trajetórias humanas constroem o legado da companhia

Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil

Quando se fala em geração de energia, controle de cheias e segurança hídrica, os números costumam ocupar o centro da narrativa. Mas, ao completar 28 anos, a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE) mostra que sua história não se explica apenas por usinas, barragens ou sistemas complexos. Ela é escrita diariamente por pessoas que transformam conhecimento técnico em decisões que impactam milhões de vidas.

Ao longo de quase três décadas, a companhia consolidou um modelo de atuação que combina experiência acumulada, renovação técnica e compromisso público. Esse percurso institucional se confunde com trajetórias individuais que atravessaram diferentes fases do setor elétrico paulista, desde a antiga Eletropaulo até a estrutura atual da empresa. Histórias que ajudam a compreender como a Emae se tornou referência não apenas operacional, mas também humana.

Crescer junto com empresa

Colaboradores EMAE
(Divulgação/EMAE)

A trajetória de Ivanete Pereira revela como o desenvolvimento profissional pode caminhar lado a lado com a evolução institucional. Coordenadora da área de Relações com Investidores, ela iniciou sua vida profissional ainda adolescente, como menor aprendiz, quando a empresa integrava a Eletropaulo. O trabalho, naquele momento, significava sustento, independência e a possibilidade concreta de construir um futuro diferente.

Ao longo dos anos, Ivanete avançou entre funções administrativas, conciliando estudo, maternidade e rotina profissional intensa. A decisão de cursar Administração de Empresas já adulta marcou um ponto de virada. Com apoio da empresa e incentivo da liderança, passou a enxergar novas possibilidades de atuação e assumiu o desafio de integrar uma área estratégica em processo de estruturação.

Desde 2018 na área de Relações com Investidores e à frente da coordenação desde 2022, Ivanete representa uma geração de profissionais que cresceram internamente e hoje ocupam posições decisivas. A formação continuada, que incluiu uma pós-graduação em Sustentabilidade, ESG e Governança Corporativa, ampliou sua atuação para além do campo financeiro, aproximando-a de projetos com impacto social e ambiental.

Sua trajetória reflete um modelo de desenvolvimento que aposta na permanência, na capacitação e na mobilidade interna como vetores de fortalecimento institucional.

Experiência técnica como patrimônio coletivo

Se Ivanete simboliza a ascensão construída ao longo do tempo, a carreira de Edson Macuco representa a memória técnica da companhia. Com mais de quatro décadas dedicadas ao setor de energia, Edson ingressou ainda nos anos 1980, nas oficinas do Cambuci, em um ambiente que funcionava como verdadeira escola profissional.

Formado como técnico em metalurgia, percorreu áreas de mecânica, elétrica, caldeiraria e manutenção pesada, acumulando uma visão multidisciplinar rara. Assumiu funções de coordenação ainda nos anos 1980 e cargos de gerência na década seguinte, acompanhando de perto a cisão da Eletropaulo e a criação da Emae, em 1998.

Desde então, esteve à frente de projetos de alta complexidade técnica, como reformas estruturais de turbinas e sistemas críticos. Atualmente, como superintendente da Diretoria de Operações, lidera mais de 200 colaboradores nas áreas de operação, manutenção, planejamento e engenharia.

Seu estilo de liderança é marcado pela presença cotidiana e pela valorização das equipes. Para Edson, decisões seguras nascem da escuta técnica e da responsabilidade compartilhada. A relação com a empresa, aliás, ultrapassa o campo profissional: ele representa a terceira geração de sua família na companhia, somando quase um século de história ligada ao setor elétrico paulista.

O futuro operado em tempo real

A história mais recente dessa trajetória coletiva passa pelo Centro de Operação do Sistema, onde decisões são tomadas em tempo real e qualquer erro pode ter consequências amplas. É nesse ambiente que atua Larissa Queiroz Teixeira, engenheira eletricista e uma das primeiras mulheres a ocupar o cargo de Despachante do COS da Emae.

Responsável pelo controle de cheias e pela operação integrada de usinas, barragens, subestações e sistemas elevatórios, Larissa coordena manobras críticas, participa de simulados com o Operador Nacional do Sistema e mantém diálogo constante com agentes do Sistema Interligado Nacional. Cada comando exige precisão técnica e compreensão profunda da operação em campo.

A carreira na Emae começou em 2019, como operadora de usina, função em que também foi pioneira ao se tornar a primeira mulher a atuar na unidade de Pedreira. A vivência prática consolidou uma base técnica que hoje sustenta decisões estratégicas à distância, mas com total domínio do funcionamento real do sistema.

Com formação sólida em Engenharia Elétrica, pós-graduação em Sistemas Elétricos de Potência e experiência internacional em Portugal, Larissa simboliza uma mudança estrutural no setor. Sua presença em uma área historicamente masculina não é exceção pontual, mas sinal de transformação gradual e consistente.

EMAE: uma empresa feita de pessoas

As histórias de Ivanete, Edson e Larissa não são exceções dentro da Emae. Elas ajudam a revelar uma característica central da companhia ao longo de seus 28 anos: a capacidade de combinar memória técnica, formação contínua e renovação de perfis em áreas estratégicas.

Em um setor onde falhas não são toleráveis e decisões afetam diretamente a vida urbana, a Emae construiu sua trajetória apoiada na confiança em pessoas, no investimento em conhecimento e na responsabilidade pública. Mais do que celebrar uma data, a empresa reafirma que sua maior infraestrutura sempre foi humana.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 02/02/2026
  • Fonte: FERVER