Hipoglicemia: entenda condição ligada à morte de influencer fitness
Hipoclicemia é ausada pela queda brusca de glicose no sangue e pode levar a convulsões, coma e até parada cardíaca; especialistas alertam para riscos do uso irregular de insulina no fisiculturismo
- Publicado: 24/05/2026 19:07
- Alterado: 24/05/2026 19:07
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: FolhaPress
A morte do influenciador fitness Gabriel Ganley, aos 22 anos, reacendeu o alerta sobre os riscos da hipoglicemia grave, condição provocada pela queda acentuada dos níveis de glicose no sangue. O caso ganhou repercussão neste fim de semana no universo do fisiculturismo, onde o jovem acumulava mais de 1,6 milhão de seguidores nas redes sociais.
A causa da morte ainda não foi oficialmente confirmada. No entanto, veículos especializados e pessoas próximas ao atleta apontam a possibilidade de uma crise hipoglicêmica associada ao uso de hormônios e insulina para ganho de massa muscular.
O que é hipoglicemia e quando ela se torna perigosa
A glicose é a principal fonte de energia do organismo, especialmente para o funcionamento do cérebro. A hipoglicemia ocorre quando a taxa de açúcar no sangue fica abaixo de 70 mg/dL. Casos mais graves costumam ser registrados quando os níveis caem abaixo de 54 mg/dL.
Segundo especialistas, a falta de glicose compromete rapidamente as funções neurológicas. Em situações extremas, o quadro pode evoluir para confusão mental, perda de consciência, convulsões, coma e até morte.
O endocrinologista Bruno Geloneze, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas, explica que o cérebro depende quase exclusivamente da glicose para funcionar. Quando o organismo não consegue restabelecer os níveis adequados de açúcar no sangue, ocorre um colapso energético conhecido como neuroglicopenia.
Uso de insulina no fisiculturismo preocupa médicos
A suspeita envolvendo o caso de Gabriel Ganley levanta discussões sobre o uso irregular de insulina no meio do fisiculturismo. Embora o hormônio seja fundamental para pacientes diabéticos, alguns atletas utilizam a substância de forma estética para potencializar o crescimento muscular.
Especialistas afirmam que a insulina possui efeito anabólico e anticatabólico, ajudando na absorção de nutrientes pelas células musculares e reduzindo a degradação de proteínas. Em práticas ilegais, ela costuma ser combinada com esteroides anabolizantes e hormônio do crescimento.
O problema é que qualquer erro na dosagem ou na ingestão de carboidratos pode provocar uma queda brusca da glicose, aumentando o risco de uma hipoglicemia severa.
Sintomas variam de mal-estar a risco de morte
Os sintomas iniciais da hipoglicemia incluem tontura, suor excessivo, tremores, fraqueza e sensação intensa de fome. Em quadros leves, a própria alimentação costuma normalizar os níveis de glicose.
Já em crises agudas, o paciente pode apresentar desorientação, dificuldade motora, convulsões e perda de consciência. Sem atendimento rápido, a condição pode evoluir em poucos minutos para parada cardíaca.
Médicos ressaltam que episódios graves são raros em pessoas saudáveis que não utilizam insulina ou medicamentos para diabetes.
Especialistas alertam para “bro science” nas redes sociais
Profissionais da saúde também demonstram preocupação com a disseminação de informações sem respaldo científico no ambiente fitness. Protocolos informais sobre uso de insulina, dosagem hormonal e estratégias extremas de ganho muscular circulam amplamente em redes sociais e fóruns online.
Para endocrinologistas, a prática aumenta o risco de complicações graves e dificulta o controle seguro dessas substâncias, especialmente entre jovens atletas e influenciadores digitais.