Hemorrede de São Paulo recebe R$ 24 milhões em aporte federal
Novos equipamentos de ponta ampliam produção de plasma e garantem soberania medicamentosa no SUS.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 01/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
O Governo Federal consolidou um passo decisivo para a autonomia farmacêutica do país ao anunciar um investimento robusto na Hemorrede pública. A iniciativa visa modernizar o parque tecnológico e assegurar a soberania nacional na produção de hemoderivados. Nesta sexta-feira (28), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, confirmou a entrega de 604 equipamentos de alta complexidade em âmbito nacional. Essa estratégia projeta um aumento imediato de 30% no aproveitamento do plasma, o que resultará em uma economia anual estimada em R$ 260 milhões aos cofres públicos, reduzindo drasticamente a necessidade de importações.
Impacto direto no estado de São Paulo
Dentro deste pacote de modernização, a Hemorrede paulista será beneficiada com 88 novos equipamentos, totalizando um repasse de R$ 24,3 milhões. A verba contempla 20 municípios estratégicos, fortalecendo a capilaridade do atendimento no estado: Assis, Adamantina, Araçatuba, Bauru, Botucatu, Campinas, Dracena, Fernandópolis, Franca, Jaú, Jundiaí, Marília, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São Bernardo do Campo, São José do Rio Preto, São Paulo, Sorocaba, Taubaté e Tupã.
O plasma, parte líquida do sangue, é a matéria-prima vital para medicamentos voltados a hemofílicos, pacientes com doenças imunológicas e grandes cirurgias. Sobre a importância de reverter o cenário de dependência externa, o ministro Alexandre Padilha declarou:
“Durante muito tempo, o Brasil não produzia os fatores que derivam do plasma e tínhamos que importar o tempo todo, gerando insegurança para quem tem doenças que dependem dos hemoderivados. Cada vez mais, as imunoglobulinas são utilizadas não só para doenças infecciosas, mas para outros tipos de doenças também — as imunoglobulinas hiperimunes. É um passo muito importante no cuidado à saúde para salvar a vida de tantas pessoas”
Tecnologia industrial e expansão nacional
A iniciativa integra o programa Agora Tem Especialistas e utiliza recursos do Novo PAC Saúde, somando um investimento total de R$ 116 milhões para beneficiar 125 serviços de hemoterapia em 22 estados brasileiros. A previsão é que a totalidade dos itens seja entregue até o primeiro trimestre de 2026.
A modernização da Hemorrede inclui a aquisição de tecnologias inéditas no sistema público, como blast-freezers (congelamento ultrarrápido) e ultrafreezers. Esses dispositivos garantem o armazenamento do plasma a temperaturas de -30°C, condição obrigatória para manter a integridade das proteínas. Com essa infraestrutura, a nova fábrica da Hemobrás poderá atingir sua capacidade máxima, processando até 500 mil litros de plasma por ano.
Entre 2022 e 2025, o envio de plasma das unidades da Hemorrede para a indústria saltou de 62,4 mil para 242,1 mil litros, registrando um crescimento expressivo de 288%.
Segurança do doador e referência internacional
O anúncio ocorre durante a semana nacional do doador de sangue, reforçando a necessidade da doação voluntária para manter os estoques. O Brasil, que coletou mais de 3,3 milhões de bolsas em 2024, destaca-se globalmente pela segurança transfusional. A Hemorrede brasileira é a única no mundo a aplicar 100% do exame NAT (Teste de Ácido Nucleico), capaz de reduzir a janela imunológica e detectar vírus como HIV e hepatites antes da formação de anticorpos.
Padilha também ressaltou a inovação tecnológica nacional, citando o kit NAT Plus, desenvolvido pela Bio-Manguinhos/Fiocruz. Essa tecnologia 100% brasileira é a primeira registrada internacionalmente capaz de detectar malária em triagens moleculares, elevando o padrão de segurança da Hemorrede e salvando vidas diariamente.