Hemograma: Google e IA atrapalham a interpretação

Exame comum é complexo e só médicos podem correlacionar o resultado do hemograma ao quadro clínico.

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O hemograma completo é, talvez, o exame mais solicitado em rotinas médicas e laboratoriais. Contudo, sua aparente simplicidade esconde uma enorme complexidade. Segundo o hematologista Felipe Magalhães Furtado, do Sabin Diagnóstico e Saúde, este é um dos testes mais complexos da análise clínica.

Tentar interpretar um hemograma sem supervisão médica, usando apenas sites de busca ou Inteligência Artificial (IA), é um risco que pode levar a conclusões perigosamente equivocadas, seja indicando uma doença grave inexistente ou, pior, ocultando um problema real.

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O que um hemograma pode revelar?

A complexidade reside nos detalhes. “Cada linhazinha do laudo corresponde a uma variante, a um tipo de célula ou a uma avaliação diferente para cada tipo de célula”, explica o hematologista. Um hemograma bem analisado é uma janela para a saúde geral do paciente.

Praticamente todas as doenças podem aparecer de alguma forma no hemograma. Se o paciente tem doença crônica como as renais, por exemplo, pode aparecer algum tipo de anemia; se tem algum sangramento, pode indicar alterações tanto na hemoglobina quanto nas plaquetas. É uma gama muito grande de doenças, de alterações simples a doenças graves, como leucemia aguda, cujo primeiro sinal costuma ser no hemograma”, detalha Furtado.

Por que o “Dr. Google” é um risco na análise?

Hemograma: Google e IA atrapalham a interpretação
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Por exigir conhecimento técnico tão aprofundado, a interpretação do hemograma não pode ser isolada. O resultado deve ser obrigatoriamente correlacionado com a clínica médica.

“Primeiramente, é necessário saber porque o exame foi solicitado, e essa informação ocorre na anamnese, na análise do paciente em consulta que suscita a investigação”, pontua o médico.

Furtado destaca que alterações nos resultados são comuns e podem estar ligadas a algo simples, como uma infecção passageira. No entanto, o oposto também ocorre: pequenas alterações, insignificantes para um leigo, podem indicar doenças graves quando analisadas pelo especialista. É aqui que mora o perigo da autodiagnose digital.

Não é raro que pacientes consultem o chamado dr. Google ou a Inteligência Artificial e serem levados a conclusões equivocadas”, adverte Furtado. Ele aconselha que qualquer resultado de hemograma que pareça alterado seja avaliado por um especialista, que pode entender melhor a complexidade do exame.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 27/10/2025
  • Fonte: Fever