Haddad vê maior abertura dos EUA para negociar tarifas com o Brasil

Haddad fala em sensibilidade de autoridades dos EUA e reforça postura firme do Brasil em negociação sobre tarifas

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na terça-feira, 29, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou a expectativa de que nesta semana os Estados Unidos demonstrem uma disposição renovada para dialogar com o Brasil sobre as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. Recentemente, Trump anunciou uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, com previsão de início na próxima sexta-feira, dia 1º.

Haddad revelou que informações recebidas indicam que as autoridades americanas estariam mais abertas a negociações. Empresários brasileiros têm reportado uma maior receptividade por parte dos EUA em relação a conversas comerciais.

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“O Brasil nunca abandonou a mesa de negociação. Acredito que esta semana possamos observar um sinal de interesse por parte deles para dialogar. Algumas autoridades nos EUA podem ter percebido a necessidade de retomar as conversações. Empresários têm nos informado que estão encontrando mais abertura lá”, declarou o ministro.

Entretanto, Haddad admitiu incertezas sobre a possibilidade de que as negociações sejam concluídas antes da implementação da nova tarifa. Apesar disso, ele enfatizou que o prazo não deve ser encarado como um ponto crítico e definitivo. “Não é uma data fatídica. Eles podem alterar essa situação, e mesmo após a entrada em vigor da tarifa, podemos sentar e chegar rapidamente a um acordo”, explicou.

O foco do governo brasileiro permanece em obter uma resposta às cartas enviadas à administração americana desde maio, que visavam estabelecer um diálogo comercial mais produtivo. O ministro destacou os esforços do vice-presidente Geraldo Alckmin em se comunicar com sua contraparte americana. “Recentemente, eles tiveram uma conversa longa, a terceira e mais extensa até agora”, ressaltou Haddad.

Alckmin /Marcelo Camargo/Agência Brasil

O titular da Fazenda acrescentou que existem canais de comunicação ativos para facilitar possíveis negociações, reiterando que o Brasil não pretende adotar uma postura subserviente diante das circunstâncias atuais. Ele ainda pontuou que não há espaço para um endurecimento nas relações bilaterais: “É necessário seguir certos protocolos para que as discussões ocorram adequadamente. O estilo anterior do Bolsonaro era muito subserviente e isso não condiz com a dignidade do Brasil”.

Em relação ao plano de contingência elaborado pela equipe econômica para mitigar os efeitos das tarifas, Haddad informou que já foi apresentado ao presidente Lula e abrange diversos cenários, incluindo estratégias para preservar empregos, semelhante às adotadas durante a pandemia. “A decisão sobre a escala e a conveniência das medidas cabe ao presidente”, afirmou.

Presidente Lula/ Ricardo Stuckert / PR

A Folha de S.Paulo reportou que Alckmin tem mantido diálogos com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, buscando evitar que alimentos sejam incluídos na lista de produtos sob taxa adicional do governo Trump. Além disso, há um pedido para a exclusão das aeronaves fabricadas pela Embraer da lista tarifária, argumentando-se que a fabricante brasileira depende da importação de peças dos Estados Unidos para sua produção.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 29/07/2025
  • Fonte: Sorria!,