Hackers do Bem lança 25 mil vagas para formação gratuita
Iniciativa da RNP combate déficit de profissionais em cibersegurança e oferece qualificação técnica sem custo para iniciantes.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 13/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O programa Hackers do Bem acaba de anunciar a abertura de 25 mil novas vagas para seus cursos de formação em cibersegurança. Executada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a iniciativa visa democratizar o acesso ao conhecimento técnico e suprir a carência urgente de especialistas no mercado brasileiro.
A decisão de ampliar a oferta ocorre após o preenchimento total das turmas na primeira onda de inscrições. Agora, o Hackers do Bem disponibiliza novas oportunidades nos módulos de Nivelamento e Básico, permitindo que interessados de todo o país iniciem sua jornada profissional gratuitamente. As inscrições devem ser realizadas exclusivamente pelo site oficial do projeto.
O impacto do Hackers do Bem no mercado de trabalho
A expansão do programa responde diretamente a um cenário crítico. Segundo o Cybersecurity Workforce Study da ISC², o déficit global de profissionais na área já ultrapassa 4,8 milhões de pessoas. No Brasil, dados da Fortinet revelam que o mercado necessita de aproximadamente 750 mil especialistas para proteger infraestruturas digitais e combater ameaças crescentes.
Leandro Guimarães, diretor-adjunto da Escola Superior de Redes (ESR), destaca a relevância estratégica da ação. “O Hackers do Bem já se consolidou como uma das maiores iniciativas nacionais e internacionais de formação. Os resultados demonstram o impacto positivo para o fortalecimento das competências digitais no Brasil”, afirma o executivo.
Desde o lançamento em janeiro de 2024, o projeto já certificou mais de 38 mil alunos. A proposta é qualificar a força de trabalho para lidar com a segurança de aplicações (AppSec) e outras áreas críticas apontadas por relatórios globais de segurança.
Estrutura curricular e metodologia
O itinerário formativo do Hackers do Bem foi desenhado para acolher desde iniciantes absolutos até quem busca transição de carreira. Não há exigência de conhecimento prévio, bastando que o candidato esteja cursando ou tenha concluído o Ensino Médio.
Os cursos estão divididos em dois módulos principais:
- Nivelamento (80 horas): Introdução ao universo da segurança digital, abrangendo hardware, redes, sistemas operacionais (Windows e Linux) e lógica de programação.
- Básico (64 horas): Aprofundamento em computação em nuvem, criptografia, identificação de vulnerabilidades e fundamentos de Governança, Risco e Compliance (GRC).
Ao avançar nas etapas, os participantes podem conquistar uma vaga na Residência Tecnológica. Esta fase prática permite a vivência real da profissão nos escritórios regionais da RNP, com duração de seis meses e uma bolsa mensal de R$ 3 mil.
Diversidade e inclusão na tecnologia
Além da excelência técnica, o Hackers do Bem atua como um catalisador de inclusão em um setor onde apenas 22% da força de trabalho é feminina. Durante o Fórum RNP 2025, cinco mulheres foram premiadas por excelência técnica na Residência Tecnológica, provando que a diversidade fortalece a segurança cibernética.
O programa também se tornou um refúgio para profissionais seniores em transição. Patrícia Monfardini, de 52 anos, servidora pública sem experiência prévia em TI, completou a especialização em Red Team (segurança ofensiva). “Chorei, estudei e, no final, venci”, relata Patrícia, que agora cursa Engenharia de Software.
Ao finalizar os cursos, os estudantes passam a integrar o Hub Hackers do Bem. Este ambiente virtual conecta alunos a empresas e órgãos governamentais, facilitando o networking e a empregabilidade. Essa conexão direta com o mercado reafirma o Hackers do Bem como a principal porta de entrada para uma carreira segura e promissora.