Guerra tarifária de Trump eleva incertezas no setor financeiro dos EUA
Líderes de grandes bancos alertam para riscos econômicos e geopolíticos provocados pelas tarifas comerciais adotadas pelo governo norte-americano
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 15/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Em Nova York, líderes do setor financeiro expressaram preocupações crescentes sobre os riscos associados à guerra tarifária iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A dinâmica do mercado apresenta um cenário desafiador que levou muitas empresas a suspenderem projetos e a reavaliar suas estratégias em face da incerteza econômica.
A expectativa de uma recuperação robusta, que havia permeado o início do ano, deu lugar a um sentimento de cautela entre os executivos. Larry Fink, CEO da BlackRock, a maior gestora de ativos global, enfatizou durante uma recente conferência que a atual crise não afeta apenas as instituições financeiras, mas tem repercussões diretas na vida cotidiana de milhões de americanos, impactando suas economias destinadas à aposentadoria e à educação.
Políticas tarifárias ampliam volatilidade e afetam decisões empresariais
Fink reiterou que as políticas de Trump, que se supõem beneficiar a chamada “Main Street” – representação da economia real –, estão se mostrando complexas e com resultados incertos. Ted Pick, diretor executivo do Morgan Stanley, corroborou essa visão ao apontar que muitas empresas estão optando por adiar investimentos até que um cenário mais claro se estabeleça. O CFO do Wells Fargo, Michael Santomassimo, também destacou a necessidade de mais previsibilidade nas diretrizes econômicas.
O aumento das tarifas comerciais traz consigo um potencial significativo para a volatilidade nos mercados. Pick alertou que a incerteza gerada por essas políticas pode resultar em flutuações consideráveis no futuro próximo. Ele ainda questionou a previsibilidade dos efeitos das tarifas sobre a inflação e a cadeia de suprimentos, sugerindo que o impacto na economia real é ainda incerto.
Embora indicadores recentes tenham mostrado sinais positivos em relação à inflação ao consumidor e ao produtor nos Estados Unidos, uma pesquisa da Universidade de Michigan revelou um aumento nas expectativas de preços nos próximos 12 meses, alcançando 6,7% em abril – o nível mais alto desde 1981. Esse aumento contínuo é um sinal preocupante sobre possíveis danos duradouros à economia americana, segundo análises da Capital Economics.
Riscos geopolíticos também preocupam setor financeiro
Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, elevou o tom da discussão ao afirmar que as tarifas impostas têm implicações que vão além das fronteiras econômicas dos EUA. Para ele, é vital que o ocidente permaneça unido em termos econômicos e democráticos, ressaltando que as consequências geopolíticas são igualmente importantes.
Os líderes do setor financeiro concordam que os desafios atuais são únicos e diferentes das crises anteriores. Fink observou que os recentes anúncios de tarifas superaram suas expectativas ao longo de quase cinco décadas no setor financeiro. Apesar das preocupações levantadas, ele não vê riscos sistêmicos iminentes.
Dimon, reconhecido por suas previsões pessimistas no passado, expressou otimismo cauteloso sobre a capacidade dos Estados Unidos em superar os desafios econômicos futuros. Ele sublinhou a importância da questão comercial com a China e o impacto dessa relação nas políticas econômicas globais.
Após uma pausa de 90 dias anunciada nas tarifas por Trump, alguns banqueiros começaram a vislumbrar uma diminuição no risco de recessão nos Estados Unidos. Embora o consenso entre economistas sugira um aumento significativo nas chances de recessão, há uma percepção crescente de que o crescimento negativo pode ser evitado no futuro próximo.
Dimon comentou que as chances atuais de uma recessão são estimadas em 50%, citando previsões internas do JPMorgan que recentemente ajustaram as perspectivas globais e norte-americanas para 60% devido às novas diretrizes tarifárias.