Guarda Municipal do Rio reforça segurança durante o Carnaval com foco em mulheres

Com o apoio da Ronda Maria da Penha e do GOE, a Guarda Municipal atua para garantir a segurança no Carnaval do Rio.

Crédito: Fernando Maia - Riotur

Durante o período festivo do Carnaval, as ruas do Rio de Janeiro são invadidas por foliões que celebram a folia em megablocos e pequenas bandas. Contudo, por trás da alegria dos festejos, um contingente de homens e mulheres da Guarda Municipal desempenha funções essenciais para garantir a segurança dos participantes.

As missões vão desde a contenção de tumultos até o apoio a crianças que se perdem, enfrentando situações como assédio e comportamentos inadequados.

A Guarda Municipal mobiliza aproximadamente 1.700 agentes para apoiar os desfiles e cerca de 923 servidores diariamente no Sambódromo entre os dias 28 de fevereiro e 4 de março. Durante o pré-Carnaval, foram registrados 1.994 guardas em operação, acompanhados por 310 viaturas da polícia.

Um destaque nas ações de segurança é a Ronda Maria da Penha, criada com o intuito de proteger as mulheres durante as festividades. Esta iniciativa, que está presente no Carnaval desde o ano anterior, é liderada por Glória Maria Bastos, uma experiente servidora com quase três décadas de atuação na Guarda Municipal. “Estamos focados em prevenir situações de assédio sexual e agressões físicas, além de intervir em casos de violência doméstica que podem surgir nos blocos”, explica Glória.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva no ano passado revelou que metade das mulheres já enfrentou situações de assédio durante o Carnaval, com 73% delas relatando receio quanto a essa possibilidade. Para combater essas estatísticas alarmantes, a atuação da Guarda Municipal é intensa, com os agentes atentos a discussões que possam evoluir para conflitos físicos.

Quando há relatos de importunação ou abuso, os guardas orientam as vítimas e as encaminham para a delegacia local, assim como os agressores quando identificados. A equipe da Ronda Maria da Penha conta com cerca de cem agentes, todos treinados em técnicas operacionais e legislação específica sobre proteção à mulher.

No pré-Carnaval, o grupo realizou mil abordagens preventivas em megablocos, distribuindo material informativo sobre a Lei Maria da Penha e os serviços disponíveis para apoio às vítimas.

Além dessa ronda especializada, a Guarda Municipal também conta com o Grupamento de Operações Especiais (GOE), sob a liderança do subinspetor Alex Abrantes. Ele destaca que um dos maiores desafios durante o Carnaval é gerenciar grandes multidões. “Com 100 mil pessoas e apenas 200 guardas, precisamos encontrar maneiras eficazes para manter a ordem sem permitir que a situação saia do controle”, ressalta.

No período pré-carnavalesco, as ações resultaram na detenção de 19 suspeitos de roubo e na lavratura de 768 infrações de trânsito, principalmente relacionadas ao estacionamento irregular. Os guardas também se mobilizaram para conter tumultos e auxiliaram 135 pessoas que sofreram mal súbito. Além disso, a fiscalização inclui coibir atos indevidos como urinar em locais públicos.

Cada ocorrência traz suas particularidades. A assistência a foliões com problemas de saúde pode ser especialmente desafiadora em blocos menores que não contam com ambulâncias ou postos médicos adequados. No caso das crianças perdidas, os agentes comunicam pelo sistema sonoro dos eventos menores ou levam as crianças aos postos médicos nos blocos maiores.

No pré-Carnaval, foram registradas três ocorrências de crianças separadas dos pais, todas com sucesso na devolução às famílias. Para aumentar a segurança infantil durante os festejos, foram distribuídas 1.239 pulseiras de identificação que permitem que familiares inscrevam seus dados de contato.

Os tumultos também requerem atenção especial; muitas vezes associados a brigas ou tentativas de linchamento. O uso de drones pela Guarda Municipal tem auxiliado na identificação dessas situações à distância. “É comum que pessoas tentem fazer justiça com as próprias mãos quando alguém comete um crime. Nossa função é intervir nessas situações”, explica Abrantes.

O subinspetor ressalta que ainda é necessário educar a população sobre os riscos dessa abordagem vigilante. Mesmo enfrentando resistência ocasional por parte do público que acredita estar agindo corretamente, ele acredita que a experiência acumulada ao longo dos anos permitiu uma melhoria significativa nas operações durante o Carnaval. Apesar do ritmo exaustivo da jornada – que se estende até 10 de marçoAbrantes valoriza as boas memórias geradas no trabalho: “Quando termina um bloco e conversamos com os foliões que se aproximam sem medo é um dos aspectos mais gratificantes do nosso trabalho”, conclui.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 02/03/2025
  • Fonte: Teatro Liberdade