Grupo Polar no ABC Cast Conexões: a revolução fria que aquece o ABC

A diretora técnica do Grupo Polar revela os bastidores da tecnologia que move o setor da saúde no ABC e projeta o futuro da cadeia do frio no país

Crédito: (Edvaldo Barone/ABCdoABC)

O 20º episódio do ABC Cast Conexões trouxe à mesa um tema que combina ciência, inovação e responsabilidade, a cadeia do frio e sua importância para o setor da saúde. A convidada foi Liana Montemor, farmacêutica e diretora técnica e estratégica do Grupo Polar, uma das maiores especialistas do país em controle térmico e logística farmacêutica. Em uma conversa envolvente e repleta de informações, Liana revelou como tecnologia e consciência ambiental se unem para garantir segurança e qualidade em medicamentos, vacinas e produtos sensíveis à temperatura.

Durante a entrevista, Liana relembrou o início de sua trajetória e como, quase por acaso, encontrou na cadeia do frio o propósito de sua vida profissional. “Caí nessa fria há quase 20 anos”, brincou. “Sou farmacêutica, fiz pós-graduação em cosmetologia, então eu só sei comprar um bom shampoo, mas nunca atuei efetivamente nessa área. Acabei indo para o Grupo Polar e fiquei todo esse tempo lá pela quantidade de oportunidades e desafios. Me apaixonei pelo tema, percebi a grande dificuldade que a gente tinha no setor e pensei: isso precisa melhorar, porque a gente precisa melhorar a vida das pessoas.” A lembrança resume o espírito de quem transformou uma oportunidade em missão, reflete Liana.

A trajetória do Grupo Polar reflete o movimento que se preocupa em transformar processos complexos em soluções sustentáveis, a empresa se tornou referência nacional na logística de produtos termossensíveis. Em cada embalagem, há ciência; em cada transporte, há vidas sendo protegidas e, é essa consciência que mantém o ABC na vanguarda da tecnologia e da sustentabilidade.

Grupo Polar, Cadeia do Frio e a segurança da saúde

Em um país de dimensões continentais, onde medicamentos percorrem milhares de quilômetros até chegarem a quem precisa, a chamada cadeia do frio vai muito além de uma exigência técnica, trata-se de uma questão de segurança pública.

Liana explicou de forma clara o papel do Grupo Polar, sediado em São Bernardo do Campo, que se consolidou como referência nacional em soluções térmicas. “O Grupo Polar está localizado aqui em São Bernardo e é uma empresa com foco em soluções para transporte de medicamentos com temperatura controlada. O nosso business realmente é as ciências da vida, medicamentos, produtos veterinários, diagnósticos, tudo que precisa de temperatura controlada. Nós fazemos as embalagens térmicas, os sistemas de gelo e o modo como isso é transportado. Todo medicamento tem uma faixa de temperatura que precisa ser mantida, e nosso papel é garantir isso com qualidade e segurança”, afirma Liana.

Liana Liana Montemor do Grupo Polar - ABC Cast Conexões
(Edvaldo Barone/ABCdoABC)

Essas soluções envolvem uma cadeia complexa e rigorosa. “Nós simulamos as condições que uma carga enfrenta, como se ela viajasse daqui até o Nordeste. Entendemos se a embalagem suporta as variações de temperatura e só então ela é aprovada para uso”, explica. O processo é técnico e minucioso, resultado de pesquisas contínuas conduzidas pela equipe do Grupo Polar.

Para Liana, o compromisso da empresa vai além da tecnologia. “Quando um medicamento é transportado de forma incorreta, ele pode perder a eficácia. Uma vacina mal conservada pode não imunizar, e isso é muito sério. Por trás de cada caixa há uma vida, é isso que nos move a melhorar continuamente”, ressalta a farmacêutica.

Desafios regulatórios e a maturidade da Cadeia Farmacêutica

O avanço da cadeia do frio no Brasil também depende da maturidade regulatória e da capacidade de adaptação das empresas diante de normas cada vez mais exigentes. Liana destacou que o setor farmacêutico evoluiu significativamente nos últimos anos, com uma visão mais técnica e integrada. “Antigamente, o transporte era visto apenas como logística. Hoje, o olhar é técnico. É um processo regulado, com exigência de controle, rastreabilidade e validação. Isso é importante, porque o medicamento é um produto de saúde, ele precisa ser preservado em cada etapa”, pontua.

A executiva do Grupo Polar ressaltou ainda o amadurecimento do diálogo com as autoridades sanitárias. “A regulamentação vem se ajustando à realidade. Antes, tínhamos regras que não dialogavam com a prática, o que dificultava a execução. Hoje, há uma troca muito mais madura, um entendimento de que todos estamos do mesmo lado: proteger o paciente.” Essa evolução, segundo ela, tornou o país mais competitivo no cenário internacional. “O mundo está de olho no que o Brasil tem feito. Temos clima, território e desafios únicos e, mesmo assim conseguimos avançar. A cadeia do frio brasileira é um exemplo de resiliência e inovação”, afirma.

O Grupo Polar é símbolo dessa maturidade técnica e regulatória. Sua atuação no ABC Paulista traduz o espírito de um território que alia rigor científico e consciência social, mostrando que a eficiência e a ética industrial caminham juntas na construção de um sistema de saúde mais seguro, reforça a diretora.

Inovação, pesquisa e tecnologia a serviço da vida

A força da cadeia do frio não está apenas no controle de temperatura, mas na capacidade de inovar constantemente. No ABC Cast Conexões, Liana Montemor explicou que o Grupo Polar investe há anos em pesquisa e desenvolvimento de soluções térmicas que combinam alta performance, sustentabilidade e acessibilidade.

A empresa mantém em São Bernardo do Campo, o Valida Lab, um dos laboratórios mais completos da América Latina voltado para estudos de qualificação e validação térmica, onde ciência e engenharia se encontram para garantir a integridade de medicamentos e vacinas. “Nós temos um laboratório de ensaios térmicos que é o primeiro acreditado pela Cgcre/Inmetro no Brasil, o Valida. Ele nasceu de uma necessidade real do mercado. As empresas precisavam entender o desempenho das embalagens, e nós criamos um espaço para isso. Tudo é testado, simulado e validado dentro de padrões internacionais. Isso garante que a nossa entrega seja segura, mas também sustentável,” explica a diretora técnica.

Para Liana, inovação só tem valor quando está a serviço das pessoas. “A gente não acredita em inovação sem propósito. Tudo o que desenvolvemos precisa ter uma razão maior, reduzir desperdício, economizar energia, aumentar a eficiência. A inovação só faz sentido se melhorar a vida das pessoas e o meio ambiente”, destaca.

O laboratório e as parcerias com universidades e startups formam um ecossistema de conhecimento que impulsiona o desenvolvimento regional. “O Grupo Polar é uma empresa do ABC, e o ABC sempre foi símbolo de indústria, de trabalho e de transformação. Ver essa região se reinventando pela inovação é motivo de orgulho para nós. É aqui que a ciência encontra propósito”, reforça Liana.

Sustentabilidade e responsabilidade ambiental

Entre os valores que norteiam a atuação do Grupo Polar, a sustentabilidade ocupa um lugar central. “Sustentabilidade não é um tema de marketing pra gente, é cultura. Está em tudo o que fazemos, desde a escolha dos materiais até o fim do ciclo de vida do produto”, ressalta Liana.

A empresa adota um modelo de economia circular, no qual embalagens e insumos térmicos são reaproveitados e reintroduzidos no processo produtivo. “O Grupo Polar trabalha com reuso, reciclagem e logística reversa. Nossos clientes devolvem parte das embalagens, que são higienizadas e reinseridas na cadeia. Isso reduz custos, impacto ambiental e reforça a nossa coerência com o propósito de cuidar da vida”, explica a executiva.

Liana Liana Montemor do Grupo Polar - ABC Cast Conexões
(Edvaldo Barone/ABCdoABC)

O Grupo Polar também investe em materiais de alta performance com menor impacto ambiental, resultado de pesquisas internas e parcerias com centros tecnológicos. “Nós estamos sempre estudando novas matérias-primas, novos polímeros, novas tecnologias que mantenham a eficiência térmica e ao mesmo tempo causem menos danos ao meio ambiente. Essa é uma busca constante, que envolve ciência, engenharia e responsabilidade”, aponta Liana.

A filosofia ambiental do Grupo Polar transforma a região do Grande ABC em um exemplo de como a indústria pode se reinventar. Ao unir inovação tecnológica, compromisso ambiental e propósito humano, a empresa mostra que o futuro sustentável da saúde começa dentro das fábricas, laboratórios e mentes que acreditam no poder da ciência responsável.

O futuro da Cadeia do Frio e o papel do ABC Paulista

Liana Montemor projetou um olhar para o futuro, um que passa pela integração entre tecnologia, sustentabilidade e qualificação humana. Segundo ela, o próximo grande salto da cadeia do frio será impulsionado pela digitalização e pelo uso de dados inteligentes. “Estamos caminhando para uma cadeia do frio 4.0. Isso significa conectar sensores, sistemas e pessoas em tempo real. A rastreabilidade deixa de ser apenas um requisito e passa a ser um diferencial competitivo”, explica.

Ela acredita que o ABC Paulista reúne todos os ingredientes para liderar essa transformação: indústria consolidada, capital humano qualificado e um ambiente fértil para inovação. “O ABC é o coração da indústria nacional, mas também é o cérebro. Aqui estão os profissionais, as universidades e os centros de pesquisa que podem desenvolver soluções para todo o país. A Polar nasceu nesse ambiente e é nele que continuamos crescendo”, afirma Liana.

Com a transição digital em curso, Liana ressaltou que a cadeia do frio precisa se manter fiel ao seu propósito: garantir que cada produto chegue ao paciente com segurança e qualidade. “Por trás de cada caixa que a gente embala existe uma vida. É isso que nos move. Quando a gente entende isso, qualquer desafio técnico passa a ter sentido”, diz.

Para ela, o futuro será colaborativo. Empresas, universidades, governo e sociedade terão de caminhar juntos para que a inovação avance sem abrir mão da ética e da sustentabilidade. “A cadeia do frio não é um segmento isolado, é um ecossistema. E quando a gente entende o poder desse ecossistema, o impacto se torna muito maior. O que fazemos aqui no ABC reverbera no Brasil inteiro”, conclui.

Equipe e convidados: quem faz o ABC Cast Conexões

Thiago Quirino, Liana Liana Montemor do Grupo Polar e Juliano Alvarenga (Bora Comer & Beber ABC).
Thiago Quirino, Liana Liana Montemor e Juliano Alvarenga (Edvaldo Barone/ABCdoABC)

A entrevista com Liana Montemordo Grupo Polar, foi conduzida por Thiago Quirino e contou com a participação de Juliano Alvarenga do Bora Comer & Beber ABC. A produção e a checagem de dados ficaram sob responsabilidade de Edvaldo Barone, editor-chefe do portal ABCdoABC. A direção geral é de Alex Faria, fundador do veículo, e a edição do episódio teve a assinatura de Rodrigo Rodrigues.

Assista ao episódio completo:

Além do canal no YouTube, a entrevista com Liana Montemordo Grupo Polar, pode ser acessada pelo SpotifyDeezerAmazon Music e também no Apple Podcasts.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 01/11/2025
  • Fonte: FERVER