UE avalia tarifas de € 93 bi contra EUA por Groenlândia
Bruxelas avalia retaliação histórica contra os EUA após intenção de Trump de anexar a ilha ártica, elevando a tensão militar na Otan.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 18/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A disputa geopolítica pela Groenlândia escalou para um nível crítico nas relações transatlânticas, forçando a Europa a desenhar uma resposta econômica sem precedentes. Documentos obtidos pelo Financial Times revelam que a União Europeia considera impor tarifas de € 93 bilhões (cerca de R$ 580 bilhões) aos Estados Unidos. A medida surge como uma contraofensiva direta às ameaças do presidente Donald Trump de anexar o território sob soberania dinamarquesa.
Líderes do bloco convocaram uma reunião de emergência em Bruxelas para o próximo domingo (18). O encontro, que reúne representantes dos 27 países-membros, tem como objetivo traçar uma estratégia unificada. Governos europeus buscam evitar uma ruptura diplomática total, mas reconhecem a necessidade de firmeza diante da instabilidade gerada na aliança militar ocidental.
Impacto econômico e a defesa da Groenlândia
A estratégia de Bruxelas envolve mecanismos agressivos de defesa comercial. As propostas em discussão incluem a aplicação imediata de tarifas adicionais de 10%, com previsão de aumento para 25% em junho. O objetivo é fortalecer a posição do bloco antes do Fórum Econômico Mundial em Davos.
Esta manobra visa proteger as economias mais expostas à crise diplomática envolvendo a Groenlândia, incluindo:
- Dinamarca e Suécia;
- Noruega e Finlândia;
- Alemanha e França;
- Reino Unido e Países Baixos.
Autoridades também analisam o uso do novo instrumento anti-coerção da UE. A ferramenta permitiria restringir o acesso de empresas americanas ao mercado único europeu, funcionando como um escudo contra pressões econômicas vindas de Washington.
Tensão militar e recursos no Ártico
Donald Trump não esconde o interesse estratégico na região. O presidente americano enfatiza a localização geográfica privilegiada e os vastos recursos minerais da Groenlândia como vitais para os interesses dos EUA. Essa postura provocou reações imediatas no velho continente.
Uma declaração conjunta de potências europeias — liderada por Alemanha, França e Reino Unido — reiterou o compromisso inegociável com a soberania dinamarquesa sobre a ilha. A segurança na Groenlândia será reforçada dentro do escopo da Otan, sinalizando que a disputa ultrapassou a esfera retórica.
A população local também reagiu. Milhares de manifestantes tomaram as ruas da Groenlândia e de Copenhague em protesto contra as intenções anexionistas. O governo da Dinamarca agradeceu publicamente a solidariedade dos parceiros europeus na defesa de seu território.
Líderes rejeitam chantagem diplomática
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assegurou que a união do bloco permanecerá inabalável na proteção de sua integridade territorial. Há um consenso de que divisões internas neste momento beneficiariam apenas adversários estratégicos, como China e Rússia.
O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, adotou um tom duro ao afirmar que a Europa não cederá a chantagens. Na mesma linha, o presidente finlandês Alexander Stubb alertou que a imposição de tarifas, embora necessária, coloca em risco a estabilidade das relações transatlânticas.
No cenário militar, a Otan já confirmou dois grandes exercícios no Ártico para 2026. A movimentação demonstra que a aliança prioriza a manutenção da ordem na região. O desfecho desta crise dependerá de como Washington reagirá à blindagem europeia sobre a Groenlândia nas próximas semanas.