Greve estudantil avança em universidades estaduais paulistas
Greve cresce na USP, Unicamp e Unesp com reivindicações por mais verba, permanência estudantil e contratação de servidores
- Publicado: 14/05/2026 20:39
- Alterado: 14/05/2026 20:39
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: FolhaPress
A greve dos estudantes das universidades estaduais paulistas ganhou força e já atinge cursos da Universidade de São Paulo, da Universidade Estadual Paulista e da Universidade Estadual de Campinas. O movimento, iniciado em abril na USP, se espalhou para diferentes campi e passou a mobilizar milhares de estudantes em todo o estado.
Os universitários reivindicam aumento do orçamento destinado à educação pública, ampliação das políticas de permanência estudantil, contratação de professores e servidores técnicos, além de melhorias em moradias e restaurantes universitários.
Na Unesp, seis campi estão em greve, somando 42 cursos paralisados. A universidade possui 136 graduações, o que significa que cerca de 30% das carreiras estão sem aulas. O Instituto de Artes, localizado na capital paulista, também segue ocupado por estudantes.
Assembleia reúne mais de mil estudantes em Araraquara
O campus da Unesp em Araraquara registrou uma das maiores mobilizações recentes do movimento estudantil. Em assembleia realizada nesta semana, mais de mil alunos participaram da votação sobre a adesão à greve.
Segundo os estudantes, 833 votaram a favor da paralisação, enquanto 72 foram contrários e 50 se abstiveram. O campus abriga cursos de administração pública, ciências econômicas, ciências sociais, pedagogia, letras e engenharias.
Novas assembleias devem ocorrer nos próximos dias em outras unidades da universidade.
Unicamp tem campus totalmente paralisado
Na Universidade Estadual de Campinas, o campus de Limeira está completamente sem aulas presenciais. A unidade reúne as faculdades de Ciências Aplicadas e de Tecnologia, com cursos voltados para saúde, gestão, engenharia e tecnologia.
Além de Limeira, cursos em Campinas também aderiram à paralisação. Entre eles estão os institutos de Economia e Artes, além das graduações de arquitetura e urbanismo, engenharia mecânica e fonoaudiologia.
A Unicamp possui 65 cursos de graduação entre seus campi, dos quais 21 estão em greve, representando cerca de 32% do total.
Reitorias defendem investimentos e diálogo
Em nota, a reitoria da Universidade Estadual Paulista afirmou que mais de 7,7 mil estudantes receberam algum tipo de auxílio de permanência em 2025, o equivalente a mais de 20% dos matriculados. A universidade informou ainda que o orçamento destinado à assistência estudantil em 2026 será de R$ 110,7 milhões.
A gestão também destacou a ampliação da infraestrutura de alimentação estudantil, com restaurantes universitários em 17 unidades e previsão de inauguração de outro restaurante ainda neste ano.
Já a reitoria da Universidade Estadual de Campinas declarou que respeita o direito à manifestação e afirmou que seguirá empenhada em negociações com os estudantes.
Movimento começou na USP
A mobilização teve início em abril na Universidade de São Paulo e ganhou força após a greve dos servidores técnico-administrativos. Inicialmente, os trabalhadores protestavam contra uma gratificação concedida exclusivamente a docentes.
Mesmo após o fim da paralisação dos servidores, os estudantes mantiveram o movimento ativo e ampliaram as reivindicações relacionadas à permanência estudantil.
Entre os principais pedidos está o reajuste das bolsas integrais do Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (Papfe). Atualmente, o valor pago é de R$ 885 mensais, enquanto os alunos defendem a equiparação ao salário mínimo paulista, de aproximadamente R$ 1.804.
A reitoria propôs reajuste com base no IPC-Fipe, elevando o auxílio integral para R$ 912. A proposta, porém, foi considerada insuficiente pelos estudantes.
Ação policial aumentou tensão na USP
A greve se intensificou após estudantes ocuparem o prédio da administração da universidade em protesto contra a suspensão das negociações. A ocupação terminou após ação da Polícia Militar na madrugada do último domingo.
Cerca de 50 policiais participaram da operação para retirar aproximadamente 150 estudantes do local. Segundo relatos do movimento estudantil, cinco alunos precisaram de atendimento hospitalar e quatro foram detidos.
Após a repercussão da operação, a reitoria da Universidade de São Paulo anunciou a criação de uma comissão para retomar o diálogo com os estudantes.
Estudantes planejam marcha ao Palácio dos Bandeirantes
Representantes das três universidades estaduais organizaram uma greve conjunta para a próxima semana. A marcha deve seguir em direção ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.
Os estudantes afirmam que pretendem pressionar o governo estadual por mais investimentos nas universidades públicas e por ampliação das políticas de assistência estudantil.