Greve de fome: Glauber Braga não é o primeiro a utilizar; veja casos ao longo da história

Método de resistência usado há séculos, a greve de fome já foi adotada por líderes como Gandhi, prisioneiros políticos e ativistas no Brasil e no mundo.

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A greve de fome é uma forma de protesto silenciosa, mas de grande impacto político e social. Ao longo da história, essa estratégia tem sido usada por diferentes grupos e indivíduos como método de resistência pacífica.

Recentemente, o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) ficou oito dias sem se alimentar em protesto contra os retrocessos ambientais promovidos pelo governo, reacendendo o debate sobre o uso da prática no Brasil e no mundo.

Greve de fome mais longa

A greve de fome mais longa já registrada foi realizada pelo prisioneiro palestino Samer al-Issawi, que permaneceu em jejum por 266 dias, de agosto de 2012 a abril de 2013. Durante esse período, ele consumiu apenas água e suplementos intravenosos, protestando contra seu reencarceramento após ter sido libertado em uma troca de prisioneiros.

Sua saúde deteriorou-se significativamente, gerando preocupações internacionais e manifestações de apoio. Em abril de 2013, um acordo foi alcançado para sua libertação após o cumprimento de uma pena reduzida de oito meses.

Greves de fome coletivas

As greves de fome coletivas também marcaram a história. Um exemplo marcante foi o dos presos políticos do IRA (Exército Republicano Irlandês) em 1981. Dez morreram após longos jejuns em protesto contra o tratamento recebido nas prisões britânicas.

Em junho de 2024, ativistas climáticos alemães encerraram uma longa greve de fome após chamarem atenção da imprensa e da política para a urgência das mudanças climáticas. O grupo exigia ações concretas do governo alemão frente à crise ambiental.

Greve de fome no Brasil

No Brasil, a greve de fome tem sido usada em momentos estratégicos de luta política e social. Em 2018, sete ativistas iniciaram um jejum voluntário em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), exigindo justiça para o ex-presidente Lula, preso na época. O protesto durou mais de 20 dias.

Outro caso relevante foi o do frei Betto durante a ditadura militar, que, em solidariedade aos presos políticos, adotou o jejum como forma de denúncia. Mais recentemente, Glauber Braga atraiu atenção ao ficar oito dias sem comer.

Greve de fome tem respaldo jurídico?

Embora a greve de fome não esteja expressamente prevista na Constituição Federal, ela é considerada uma forma legítima de manifestação. O direito à livre expressão é garantido no artigo 5º da Constituição, e, nesse contexto, o jejum voluntário pode ser interpretado como uma manifestação pacífica.

No entanto, quando praticada por detentos, a greve de fome pode entrar em conflito com normas de segurança ou com a preservação da saúde do preso. Nesses casos, autoridades podem intervir com alimentação forçada, o que já gerou controvérsias éticas e jurídicas em diversas partes do mundo.

Quais os efeitos da greve de fome para o corpo

A greve de fome provoca uma série de impactos fisiológicos. De acordo com especialistas, após o terceiro dia de jejum, o corpo entra em cetose, começando a queimar reservas de gordura para produzir energia. Os primeiros sintomas incluem tontura, fraqueza, dor de cabeça e irritabilidade.

Com o passar dos dias, há perda de massa muscular, desidratação e riscos graves como arritmia cardíaca, falência de órgãos e até morte. O jejum prolongado requer acompanhamento médico, sendo uma situação crítica para o organismo humano.

As greves de fome mais famosas da história

1. Mahatma Gandhi (Índia)

Ano: Diversas entre 1920 e 1948
Duração: Até 21 dias
Motivo: Resistência pacífica contra a dominação britânica na Índia
Impacto: Gandhi utilizou a greve de fome como forma de pressão moral e política. Seus jejuns mobilizaram a opinião pública internacional e ajudaram a consolidar o movimento de independência da Índia.

2. Bobby Sands e o IRA (Irlanda do Norte)

Ano: 1981
Duração: 66 dias
Motivo: Protesto contra a retirada do status de prisioneiros políticos dos membros do IRA
Impacto: Bobby Sands morreu após 66 dias de greve de fome. Outros nove presos também morreram. O caso ganhou repercussão mundial e aumentou a tensão entre Irlanda e Reino Unido.

3. Samer al-Issawi (Palestina)

Ano: 2012–2013
Duração: 266 dias
Motivo: Protesto contra a sua reencarceramento por Israel após uma troca de prisioneiros
Impacto: Considerada a greve de fome mais longa da história. Al-Issawi sobreviveu consumindo apenas líquidos e suplementos. O caso gerou forte pressão internacional e levou a um acordo para sua libertação.

4. Khader Adnan (Palestina)

Ano: Várias entre 2012 e 2023
Duração: Até 87 dias
Motivo: Protesto contra prisões administrativas sem acusação formal por Israel
Impacto: Tornou-se símbolo da resistência palestina. Morreu em 2023 após sua última greve de fome, o que reacendeu críticas internacionais às práticas carcerárias de Israel.

5. Suffragettes britânicas (Reino Unido)

Ano: Início do século XX
Duração: Variável
Motivo: Luta pelo direito ao voto feminino
Impacto: As militantes feministas presas usaram a greve de fome como protesto. Em resposta, o governo implementou a alimentação forçada — prática duramente criticada que acabou reforçando o movimento sufragista.

6. Ativistas climáticos alemães (Alemanha)

Ano: 2024
Duração: Várias semanas
Motivo: Exigiam ações concretas do governo frente à emergência climática
Impacto: A greve chamou atenção da mídia e da política alemã, gerando debates no parlamento sobre transição energética e preservação ambiental.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 19/04/2025
  • Fonte: FERVER