Greve de entregadores de aplicativos ganha força em todo o Brasil

Trabalhadores exigem taxa mínima de R$ 10 por entrega, aumento do valor por quilômetro rodado e pagamento integral por pedidos agrupados.

Crédito: Marcello Casal Jr - Agência Brasil

A paralisação nacional dos entregadores de aplicativos, iniciada nesta segunda-feira (31), mobilizou profissionais de mais de 70 cidades, incluindo todas as capitais do país. A categoria reivindica melhores condições de trabalho e reajustes salariais, com previsão de novos protestos nesta terça-feira (1º).

Impactos da greve e apoio do Setor

A paralisação causou atrasos e cancelamentos de pedidos, além do fechamento de alguns restaurantes solidários à causa. Em São Paulo, o restaurante Pratada suspendeu o atendimento, repetindo a ação da greve de 2024.

O iFood, principal empresa do setor, afirmou monitorar a situação e destacou que 60% dos pedidos são entregues diretamente pelos restaurantes.

O Movimento Inovação Digital (MID), que representa mais de 180 empresas, incluindo o Rappi, declarou respeitar o direito de manifestação pacífica e reafirmou sua participação nas discussões sobre as condições de trabalho da categoria.

Reivindicações e resistência das empresas

Os entregadores demandam uma taxa mínima de R$ 10 por entrega, aumento do valor pago por quilômetro rodado de R$ 1,50 para R$ 2,50, limite de raio de atuação de bicicletas a três quilômetros e pagamento integral por pedidos agrupados.

Denúncias de práticas antissindicais também foram registradas, como incentivos financeiros para desmotivar a adesão à greve.A direção do iFood recebeu lideranças do movimento, mas, segundo os manifestantes, não ofereceu uma resposta concreta. A empresa confirmou a reunião e afirmou que continuará dialogando sobre as demandas.

Reação do setor e perspectivas

O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, minimizou o impacto da greve, afirmando que os transtornos foram localizados em algumas cidades. Entretanto, também lamentou episódios de coerção contra entregadores que não aderiram ao movimento.

O iFood, em nota enviada aos trabalhadores, mencionou que está avaliando um reajuste para 2025, ressaltando que o valor mínimo por rota subiu de R$ 5,31 para R$ 6,50 nos últimos três anos. A Amobitec, entidade que representa plataformas como Uber e 99, afirmou apoiar a regulação do setor para garantir proteção social aos trabalhadores.Enquanto isso, o projeto de lei complementar 12, que trata da regulamentação dos motoristas de aplicativo, segue em debate no Ministério do Trabalho e Emprego e no Congresso Nacional, podendo influenciar diretamente as condições dos entregadores no futuro.

  • Publicado: 01/01/2026
  • Alterado: 01/01/2026
  • Autor: 31/03/2025
  • Fonte: Motisuki PR