Greta Thunberg é deportada de Israel após missão humanitária à Gaza

Ativista sueca participava de ação com alimentos e suprimentos para palestinos quando foi interceptada pela marinha israelense

Crédito: Reprodução/Via Fotos Públicas

A ativista climática sueca Greta Thunberg foi deportada de Israel, um dia após a marinha israelense ter interceptado um barco que a transportava, junto a outros ativistas pró-Palestina, em direção à Faixa de Gaza.

Thunberg, de 22 anos, embarcou em um voo para a França na terça-feira e deverá retornar à Suécia a partir desse destino, conforme informado pelo ministério israelense.

“Greta Thunberg acaba de deixar Israel em um voo para a Suécia”, publicou o Ministério das Relações Exteriores de Israel em sua conta oficial na plataforma X.

Missão humanitária e bloqueio naval

A embarcação humanitária fazia parte de uma iniciativa da sociedade civil destinada a contestar o bloqueio imposto por Israel à Gaza. O barco foi parado ao largo da costa antes que pudesse chegar às águas palestinas.

Três outros passageiros concordaram com a deportação imediata junto a Greta Thunberg, enquanto oito membros da tripulação estão contestando a ordem de deportação.

Esses ativistas estão sendo representados pela organização de direitos humanos israelense Adalah, que confirmou que os detidos permanecerão em um centro de detenção até uma audiência judicial.

A situação representa um revés para Thunberg, que é conhecida por sua aversão a viagens aéreas e fez uma travessia marítima para um evento climático em Nova Iorque em 2019.

No dia anterior, um vídeo pré-gravado foi divulgado com Greta Thunberg solicitando ajuda após ser “interceptada e sequestrada” pelas forças israelenses.

A ativista e outros manifestantes estavam a bordo do barco Madleen, operado pelo grupo Freedom Flotilla Coalition, que levava alimentos e suprimentos para os palestinos na devastada Faixa de Gaza. As Forças Armadas israelenses abordaram o navio após advertir Thunberg no domingo sobre a necessidade de voltar e afirmando que tomariam “todas as medidas necessárias” para impedir que o barco alcançasse as costas de Gaza.

Críticas de Israel e repercussão internacional

O ministro da Defesa de Israel afirmou que Greta Thunberg e seus colegas ativistas se negaram a assistir a um vídeo que mostrava os horrores cometidos pelo Hamas durante os ataques de 7 de outubro de 2023. Israel Katz relatou que ao serem informados sobre o conteúdo do filme, os ativistas se recusaram a continuar assistindo.

“Os membros da flotilha antissemitas preferem ignorar a verdade e provaram mais uma vez que preferem os assassinos aos assassinados”, acrescentou Katz em sua declaração.

Greta Thunberg
Reprodução/Via Fotos Públicas

Thunberg foi inicialmente mantida em uma prisão israelense para imigrantes aguardando uma audiência judicial que poderia resultar em sua deportação do país. O ministério divulgou uma foto da ativista após as forças israelenses terem abordado o barco Madleen na segunda-feira.

Na terça-feira, o ministério disse que o barco, considerado por eles como “iate selfie”, havia atracado em Ashdod, no sul do país. “Os passageiros estão passando por exames médicos para garantir sua boa saúde”, informou o ministério em sua conta no X.

Greta Thunberg estava entre doze pessoas a bordo do navio que partiu da Itália em 1º de junho com destino à Gaza como parte de uma tentativa de entrega humanitária. A advogada da ativista, Nariman Shehade Zoabi, afirmou à imprensa sueca Expressen que estava exigindo encontrar-se com sua cliente.

O ministro sueco das Relações Exteriores comentou sobre o pedido de ajuda da ativista, dizendo que aqueles que viajam contra as orientações têm grande responsabilidade. “É perigoso realizar uma campanha que faz com que as linhas diretas do Ministério das Relações Exteriores sejam sobrecarregadas”, declarou Maria Malmer Stenergard fora do parlamento sueco.

A detenção de Thunberg provocou protestos na Suécia e por toda a Europa. O ministro da Defesa israelense também determinou que fosse exibido um vídeo gráfico dos ataques do Hamas para os ativistas que tentaram quebrar o bloqueio à Gaza nesta semana.

Em resposta ao conteúdo do vídeo chamado “Bearing Witness”, Katz afirmou: “É apropriado que Greta Thunberg e seus amigos apoiadores do Hamas vejam exatamente quem são os terroristas que apoiam e quais atos atrozes cometeram contra mulheres, idosos e crianças”.

No entanto, após ser informada sobre o conteúdo gráfico do material, Thunberg e seus colegas se recusaram a assisti-lo. O ministro também alegou que esse grupo era composto por “porta-vozes da propaganda do Hamas” e enfatizou as ações israelenses contra qualquer tentativa de romper o bloqueio à Gaza.

Os eventos resultantes da detenção de Greta Thunberg continuam gerando repercussões significativas nas redes sociais e nas esferas diplomáticas internacionais.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 10/06/2025
  • Fonte: Sorria!,