Gravidez na adolescência cai na capital paulista
Prevenção e acolhimento derrubam índices de gravidez entre jovens de 10 a 19 anos em São Paulo
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 04/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
A cidade de São Paulo alcançou uma marca histórica na saúde pública ao registrar uma queda de 58,9% nagravidez entre adolescentes de 10 a 19 anos na última década. De acordo com dados da Secretaria Municipal da Saúde, o número de nascidos vivos nessa faixa etária recuou de mais de 20 mil registros em 2016 para pouco mais de 8 mil em 2025.
A redução foi ainda mais acentuada entre meninas de 10 a 14 anos, um grupo que exige atenção prioritária das políticas de proteção, apresentando um recuo de 60,4% no mesmo período. Esses resultados refletem um trabalho consolidado de conscientização sobre os impactos de uma gestação não planejada e o fortalecimento de uma rede de apoio que envolve saúde, educação e assistência social.
Para o secretário municipal da Saúde, Luiz Carlos Zamarco, esse recuo de gravidez está diretamente ligado a um conjunto de ações estratégicas que consideram a vulnerabilidade social como um fator determinante. Ele ressalta que a gravidez precoce interfere nos projetos de vida, no percurso profissional e na permanência escolar dessas jovens. Por isso, a rede municipal, composta por 481 Unidades Básicas de Saúde, atua como porta de entrada para um acolhimento multiprofissional. Além de consultas ginecológicas, as adolescentes recebem suporte de enfermeiras, psicólogos e assistentes sociais, garantindo que a orientação sobre saúde sexual e reprodutiva seja feita de forma ética e acolhedora, respeitando as diretrizes do SUS.
São Paulo reduz gravidez na adolescência com rede de proteção e novos métodos contraceptivos

Um dos pilares fundamentais dessa estratégia é a disseminação de informações e o acesso facilitado a métodos contraceptivos, especialmente os de longa duração. Em 2025, a rede municipal intensificou a oferta de implantes subdérmicos e dispositivos intrauterinos (DIU), que são métodos altamente eficazes por não dependerem do uso diário. Apenas nos primeiros onze meses daquele ano, foram inseridos mais de 38 mil implantes subdérmicos em diferentes faixas etárias. Um exemplo de sucesso local ocorre na UBS Parque Araribá, na Zona Sul, que passou a oferecer grupos de planejamento familiar em regime de livre demanda, ampliando significativamente a inserção de métodos preventivos em um território de alta vulnerabilidade.
Além das unidades de saúde, a prevenção chega diretamente às salas de aula por meio do Programa Saúde na Escola, onde equipes técnicas levam informações confiáveis para apoiar os jovens em suas decisões. Para os casos em que a gestação já ocorreu, a capital paulista oferece o programa Mãe Paulistana, que garante o acompanhamento integral desde o pré-natal até o puerpério. Nos últimos seis anos, quase 500 mil gestantes foram assistidas pelo programa, que inclui exames, transporte gratuito e estímulo ao aleitamento materno, assegurando que tanto a mãe quanto o bebê recebam o cuidado necessário para um desenvolvimento saudável e seguro.