Grande ABC registra mais de 66 mil novas empresas em 2025
Crescimento de MEIs e força do setor de serviços mostram maturidade do mercado e refletem tendência nacional apontada pelo GEM
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 16/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O cenário econômico do Grande ABC segue em ritmo acelerado e consolidado. Dados recentes mostram que, em 2025, a região registrou 66.353 novas empresas, um salto que confirma a força do empreendedorismo local e reflete o movimento nacional de expansão dos pequenos negócios. Impulsionado pelos microempreendedores individuais (MEIs) e pelo setor de serviços, o território que reúne Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires vive um novo ciclo de geração de renda, inovação e formalização econômica.
O retrato regional se alinha ao relatório do Global Entrepreneurship Monitor (GEM Brasil 2024/2025), conduzido pelo Sebrae e pela Anegepe, que apontou o Brasil entre os dez países com as maiores taxas de empreendedorismo do mundo. O estudo revela que 33,4% da população adulta está envolvida em algum tipo de negócio, formal ou informal, o maior índice dos últimos quatro anos. Em 2023, o número era de 31,6%.
De acordo com o levantamento, também houve crescimento expressivo na taxa de empreendedores estabelecidos, que passou de 8,7% em 2020 para 13,2% em 2024. O dado reforça a maturidade de um ambiente de negócios cada vez mais diversificado, digital e atento às pautas socioambientais.
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Microempreendedores puxam o ritmo do crescimento
O protagonismo dos MEIs é um dos pontos mais marcantes da expansão econômica do ABC. Em praticamente todos os municípios, eles representam a maioria esmagadora das novas empresas formalizadas.
Em Mauá, 87,41% das aberturas em 2025 foram de microempreendedores. Em Diadema, o índice chegou a 86,81%, e em Ribeirão Pires, 82,64%. Esses números traduzem não apenas o desejo por autonomia e estabilidade financeira, mas também a formalização de atividades antes informais, com acesso a crédito e benefícios previdenciários.
Segundo Jhonny Martins, contador, advogado e vice-presidente do SERAC, hub de soluções corporativas nas áreas contábil, jurídica e tecnológica, o fenômeno reflete a transformação de perfil do empreendedor brasileiro.
“Os dados do GEM mostram que o brasileiro já não abre empresas apenas por necessidade, mas por oportunidade. Há uma mudança clara de perfil: o empresário de 2025 está mais preparado, usa tecnologia para ganhar escala e busca modelos financeiramente sustentáveis”, afirma.
Martins acrescenta que setores ligados à tecnologia, educação corporativa, finanças e serviços especializados lideram as novas aberturas. “Empreender nunca foi tão possível e tão competitivo ao mesmo tempo. Quem combina gestão eficiente, inovação e propósito sai na frente”, completa.
Serviços dominam e reconfiguram a vocação da região
A tradicional vocação industrial do ABC vem, ano a ano, dividindo espaço com a expansão do setor de serviços, que hoje é responsável pela maioria dos novos empreendimentos.
Os números são claros: em São Bernardo do Campo, 14.583 das novas empresas abertas em 2025 pertencem a esse segmento. Em Santo André, o número é praticamente o mesmo, 14.074. Proporcionalmente, São Caetano do Sul tem 72% das novas empresas na área de serviços, seguida por Diadema, com 68%.
Esse predomínio mostra a reconfiguração da economia regional, agora mais baseada em conhecimento, tecnologia e prestação de serviços especializados, uma tendência que se reflete também no cenário nacional apontado pelo GEM.

Cidades consolidam perfis distintos e complementares
Em termos de volume total, São Bernardo do Campo e Santo André seguem como os principais motores do empreendedorismo no Grande ABC, com 20.334 e 19.857 novas empresas, respectivamente. Ambas apresentam forte presença de MEIs (cerca de 75%) e alta concentração de atividades no setor de serviços.
Já São Caetano do Sul exibe um perfil diferenciado: das 5.083 novas empresas, apenas 59% são MEIs, enquanto 29,02% correspondem a microempresas (ME) e 7,38% a empresas de pequeno porte (EPP). O dado sugere uma maior maturidade e complexidade empresarial, com empreendimentos que já nascem estruturados e prontos para escalar.
Diadema (9.669) e Mauá (9.020) seguem em ritmo acelerado, destacando-se pela adesão ao modelo MEI e pela diversidade de segmentos. Ambas as cidades consolidam-se como polos de empreendedorismo popular, essenciais para o dinamismo econômico da região.
Uma década de expansão sustentada
O atual desempenho é resultado de uma década de crescimento consistente. Desde 2011, o Grande ABC vem ampliando de forma constante o número de empreendedores formais.
Em São Bernardo, o total de novas empresas passou de 6.699 (2011) para 20.514 (2025). Santo André seguiu caminho semelhante: 5.785 (2011) para 19.827 (2025). Em Mauá, o salto foi ainda mais expressivo, de 2.406 para 8.120 no mesmo período.
Esse avanço reflete uma economia mais resiliente e diversificada, que tem nos pequenos negócios uma de suas principais forças de geração de emprego e renda. Para Jhonny Martins, essa transformação é um indício de que o empreendedorismo brasileiro entrou em uma nova fase.
“O futuro dos negócios será determinado pela capacidade de resolver problemas reais com consciência econômica e social. Essa é a nova fronteira do empreendedorismo brasileiro”, conclui.
Transformação que inspira o país
O movimento observado no Grande ABC ilustra, em escala local, o que o relatório GEM aponta em nível nacional: o amadurecimento do empreendedorismo brasileiro. A região mostra que é possível crescer com base em inovação, responsabilidade e inclusão.
A combinação entre formação empreendedora, acesso à tecnologia e formalização cria um ambiente fértil para o surgimento de novos negócios. E, com o protagonismo dos MEIs e a consolidação do setor de serviços, o Grande ABC se afirma como um dos principais laboratórios da nova economia brasileira, mais conectada, digital e sustentável.