Grande ABC registra 141 prisões por pedofilia em 2026

Ações policiais no primeiro quadrimestre de 2026 superam o total do ano passado. A internet lidera como principal meio de aliciamento.

Crédito: Governo de São Paulo/Divulgação

A polícia cumpriu 141 mandados de prisão por pedofilia e abuso sexual infantojuvenil no Grande ABC entre janeiro e abril de 2026. As operações ocorreram nas cidades de Santo André, São Bernardo e Diadema, refletindo uma escalada nas intervenções contra crimes digitais. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) registrou um aumento expressivo das capturas na região.

O total deste primeiro quadrimestre já ultrapassa a soma de todo o ano de 2025, quando as delegacias efetuaram 67 detenções. O Disque 100, plataforma de notificações do Governo Federal, contabilizou 444 queixas no ano passado contra 370 em 2024. O crescimento denota tanto o avanço das infrações quanto o fortalecimento das investigações.

Rastreamento digital embasa prisão por pedofilia

A Polícia Civil do Estado de São Paulo mobiliza equipes de inteligência para coletar provas digitais e identificar suspeitos em ambientes virtuais. A identificação dos criminosos precede a representação judicial para o cumprimento de buscas, apreensões e encarceramentos. Todo rastro digital deixado em aplicativos e redes sociais serve como prova material para embasar a prisão por pedofilia.

A 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia, unidade do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), concentra os esforços mais complexos. Os agentes mapeiam o compartilhamento de imagens ilícitas e desarticulam grupos secretos de mensagens onde ocorre a exploração comercial dos arquivos.

“Muitos casos começam a partir de denúncias sobre compartilhamento de imagens, armazenamento de material ilícito ou situações de aliciamento virtual”, explicou a delegada Raquel Gallinati.

Os agressores frequentemente acreditam na impunidade proporcionada pelas telas. “A atividade digital deixa rastros que podem ser analisados durante a investigação”, salientou a delegada, desmistificando a ideia de anonimato absoluto na internet.

Perfis falsos e a importância da denúncia ativa

Uma operação do Grupo de Operações Especiais (GOE) e da Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu um suspeito em Santo André nos últimos dias. O agressor usava perfis falsos, assumindo a identidade de uma adolescente chamada Melissa, para cometer estupro de vulnerável e disseminar pornografia infantil. Essa tática de engenharia social exige atenção redobrada das famílias.

Em Diadema, uma mãe evitou o abuso de seu filho de 12 anos ao monitorar o celular do garoto ativamente. Ela assumiu a conversa com o aliciador de 23 anos, marcou um encontro presencial falso e acionou imediatamente a polícia. A emboscada tática terminou com o flagrante do agressor.

As autoridades recomendam monitoramento constante dos dispositivos usados por crianças. Os pais devem conhecer as interações virtuais dos filhos com a mesma seriedade que tratam as amizades no mundo físico. Somente o diálogo aberto e a denúncia rápida garantem que os criminosos enfrentem a Justiça e cada nova prisão por pedofilia seja efetivada.

  • Publicado: 08/06/2026 07:50
  • Alterado: 08/06/2026 07:50
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: SSP