Governo Lula vai levar tema de soberania ao 7 de Setembro

Momento é visto como oportunidade para reforçar patriotismo e proteção da nação

Crédito: Ricardo Stuckert/PR

O governo Lula (PT) planeja adotar o tema “Brasil soberano” nas celebrações do Dia da Independência, programadas para 7 de setembro. Essa escolha ocorre em um momento crítico, com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e diante das recentes sanções impostas pelos Estados Unidos, incluindo uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros.

De acordo com assessores próximos ao presidente, a defesa da soberania nacional, já presente nos discursos de Lula e mencionada na cerimônia do ano passado, adquire um significado ainda mais importante no atual cenário político. Eles argumentam que esta é uma oportunidade para reafirmar o patriotismo e a proteção da nação, temas que foram fortemente associados ao bolsonarismo nos últimos anos.

O desfile cívico-militar deste ano está sendo organizado pelo governo Lula em colaboração com o Comando Militar do Planalto, que é a principal unidade do Exército em Brasília. A Casa Civil está na fase final de seleção para a montagem da infraestrutura necessária para o evento.

A empresa Palestino Estrutura e Eventos Ltda foi escolhida para fornecer os serviços, apresentando uma proposta de R$ 4,3 milhões para a construção de tribunas e arquibancadas. O projeto inclui cinco tribunas para autoridades e familiares, além de 15 arquibancadas com capacidade total para cerca de 30 mil espectadores. O contrato também abrange tendas de apoio, áreas reservadas para a imprensa e medidas de segurança adequadas.

Cerca de 2.000 militares das Forças Armadas serão mobilizados para o evento, que contará com a presença de veículos blindados e aeronaves.

Este desfile ocorre logo após o início do julgamento de Jair Bolsonaro pela Primeira Turma do STF, relacionado à tentativa de golpe de Estado em 2022. O tribunal iniciará as deliberações em 2 de setembro, mas a decisão final deve ser anunciada na semana seguinte.

Oficiais-generais manifestaram preocupação com a coincidência das datas, lembrando que Bolsonaro frequentemente utilizou os desfiles militares como plataforma política e fez críticas ao STF durante as celebrações do Dia da Independência.

Embora haja receios entre os militares sobre possíveis atos bolsonaristas em oposição ao desfile oficial, não existem preocupações significativas sobre a segurança do evento institucional.

Um dos ministros envolvidos afirmou que o governo não se deixará intimidar pela proximidade do julgamento e vê a data como uma oportunidade para reforçar o patriotismo nacional. Além disso, ressaltou que as ações da família Bolsonaro nos Estados Unidos contra os interesses brasileiros evidenciam uma postura antipatriótica.

Ainda não há confirmação se o presidente Lula fará um pronunciamento em cadeia nacional durante as celebrações; no entanto, essa possibilidade permanece em aberto. Em 2024, Lula utilizou o discurso do Dia da Independência para criticar Elon Musk, proprietário da plataforma X (anteriormente Twitter), que naquele momento estava em conflito com o ministro Alexandre de Moraes do STF.

“Nenhum país é verdadeiramente independente quando aceita ameaças à sua soberania. Seremos sempre firmes contra qualquer indivíduo, independentemente de sua riqueza, que desafie as leis brasileiras. Nossa soberania não está à venda”, declarou Lula em seu pronunciamento anterior.

No mês passado, o presidente fez um discurso nacional criticando as tarifas anunciadas por Trump e enfatizou conceitos como “pátria soberana” e “defesa da soberania“, afirmando que “o Brasil tem um único dono: o povo brasileiro”.

Além das celebrações oficiais, movimentos sociais, centrais sindicais e partidos políticos como o PT planejam realizar manifestações por todo o país. Embora não esteja previsto que Lula participe desses atos populares, ele deverá estar presente apenas no desfile na Esplanada dos Ministérios.

As centrais sindicais e frentes organizadoras como Brasil Popular e Povo sem Medo anunciaram eventos para a data, caracterizando-a como um Dia Nacional de Mobilização. Até quinta-feira (21), manifestações estavam agendadas em pelo menos 18 capitais brasileiras, sendo São Paulo palco do maior ato na Praça da República.

Nas redes sociais, mensagens como “Brasil soberano” e “quem manda no Brasil é o povo brasileiro” estão sendo amplamente divulgadas junto às cores da bandeira nacional.

Raimundo Bonfim, coordenador-geral da Central de Movimentos Populares (CMP) e integrante da Frente Brasil Popular, afirmou que a data servirá para promover a defesa da soberania nacional e “denunciar os traidores da pátria”.

“Teremos dois polos políticos nas ruas: um defendendo as tarifas e a ingerência dos EUA no Brasil e outro lado composto por nós, progressistas e democratas que lutarão pela soberania e pelos direitos do povo”, concluiu Bonfim.

Os organizadores pretendem utilizar as manifestações não apenas para protestar contra as tarifas impostas por Trump mas também para defender o sistema judiciário brasileiro frente aos ataques externos. A expectativa é mobilizar atos em todas as capitais brasileiras e também promover manifestações em cidades menores.

Um dos organizadores revelou que os protestos também abordarão questões prioritárias como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, a taxação dos super-ricos e oposição à anistia dos condenados pelos ataques golpistas ocorridos em 8 de janeiro.

Com o lema “um povo independente é um povo soberano“, o PT busca garantir uma ampla participação nas manifestações em várias capitais. De acordo com fontes ligadas à organização, o partido intensificará sua presença nas redes sociais e nas ruas para convocar um grande número de participantes.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 22/08/2025
  • Fonte: Fever