Governo investe R$ 390 mi em IA para serviços públicos
O governo brasileiro investirá R$ 390 milhões em IA para serviços públicos, facilitando soluções com pouco ou nenhuma programação. Programa 'Inspire' busca eficiência e segurança.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 30/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O governo brasileiro está se preparando para um investimento significativo de R$ 390 milhões ao longo de quatro anos, com o objetivo de desenvolver plataformas de inteligência artificial (IA) que aprimorarão a prestação de serviços públicos. O convênio entre o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD) será assinado nesta terça-feira, dia 30.
Batizado de Inspire, o programa tem como principal meta permitir que diferentes órgãos governamentais possam criar soluções utilizando abordagens “low code” ou “no code”, ou seja, sistemas que exigem pouca ou nenhuma programação. Rogério Mascarenhas, secretário de governo digital do MGI, destacou que essa iniciativa visa tornar as ações governamentais mais proativas.
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Um exemplo prático mencionado por Mascarenhas é a possibilidade de os serviços de saúde desenvolverem um programa capaz de enviar alertas aos agentes sobre vacinas atrasadas em crianças na sua área de atuação. Essa abordagem é parte de uma estratégia mais ampla para atender às necessidades identificadas em colaboração com outros órgãos.
Para facilitar a identificação e aplicação das tecnologias, o ministério criou o Núcleo de Inteligência Artificial (NIA), que também se encarregará de estabelecer diretrizes éticas para o uso dessa tecnologia emergente. Além disso, estão previstos projetos voltados para a melhoria das bases de dados governamentais e para a intensificação da cibersegurança.
Embora o combate a fraudes não seja o foco principal do projeto em parceria com o CPQD, ele será uma consequência natural das inovações propostas. Mascarenhas enfatizou que a IA permitirá uma melhor integração das bases de dados dos diversos órgãos do governo, promovendo um cruzamento eficaz das informações que potencializam a precisão na concessão de benefícios.
Paulo Curado, diretor do CPQD responsável pelo projeto, exemplificou como a inteligência artificial poderá identificar discrepâncias nas bases de dados, como em casos onde uma mesma cidade apresenta 10% da população com nomes idênticos residindo no mesmo endereço. O objetivo é garantir que os dados governamentais sejam utilizados de maneira interoperável e segura.
Mascarenhas ainda alertou que o Brasil ocupa uma “posição incômoda” no cenário global em termos de iniciativas relacionadas à IA, lideradas por países como Estados Unidos e China. Ele citou uma pesquisa da Oxford Insights que posiciona o Brasil na 36ª colocação no uso da IA em serviços públicos.
A ampliação do uso da inteligência artificial é vista como uma estratégia essencial para melhorar a eficiência do serviço público e otimizar a comunicação com os cidadãos.