Governo de SP amplia medidas para preservar níveis dos reservatórios

Seguindo recomendação da SP Águas, Arsesp estabelece regime de prevenção para controlar a retirada de água dos reservatórios. Medida é resultado do trabalho contínuo de monitoramento conduzido no âmbito do São Paulo Sempre Alerta

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Dando sequência ao trabalho integrado de monitoramento e prevenção contra a escassez hídrica, o Governo de São Paulo anunciou, nesta segunda-feira (25), medidas adicionais de garantia da segurança hídrica no estado. Por deliberação da Arsesp, Agência Reguladora de Serviços Públicos de São Paulo, um regime de prevenção e contingência será iniciado, com ações para preservar os níveis dos reservatórios. A evolução destas ações será acompanhada pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e pela Defesa Civil no âmbito do Comitê Gestor da Política Estadual de Mudanças Climáticas.

Temos o Plano de Adaptação e Resiliência Climática e o Programa São Paulo Sempre Alerta, por meio dos quais acompanhamos de perto a questão da disponibilidade hídrica no contexto das mudanças climáticas, com várias medidas e obras em andamento para garantir resiliência no território estadual. Essas medidas adicionais que estamos anunciando hoje fazem parte desse planejamento, para que não tenhamos situações graves de escassez no presente e no futuro”, afirmou a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.

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O regime de prevenção e contingência deliberado pela Arsesp prevê que a Sabesp promova, na região metropolitana coberta pelo Sistema Integrado Metropolitano (SIM), a prática de gestão de demanda noturna, pelo prazo de oito horas. Isso significa que, pelo período de oito horas durante a madrugada, com horário de início e fim a ser definido pela operadora, fica autorizada excepcionalmente a promover redução de pressão, o que, pela previsão da Sabesp, garantiria uma economia de 4m3 por segundo.

A medida é válida até que sejam recuperados os níveis dos reservatórios que abastecem a região metropolitana. A agência também solicita à concessionária que apresente um Plano de Contingência específico para a RMSP, a ser elaborado sob coordenação da Arsesp e em cooperação técnica com a SP Águas.

A gestão da demanda noturna é uma medida eficiente porque ajuda a economizar água, reduz perdas e causa menos impacto para a população, por ser executada no período de menor demanda”, explicou o diretor presidente da Arsesp, Thiago Mesquita Nunes.

O andamento do regime de prevenção e contingência será monitorado no âmbito do Comitê Gestor da Política Estadual de Mudanças Climáticas, que é responsável pelo acompanhamento das ações do São Paulo Sempre Alerta. Esse trabalho será feito pela Semil e Defesa Civil e terá participação da SP Águas, da Secretaria-Executiva da URAE-1 Sudeste, da Arsesp e da Sabesp. Outras pastas do Governo poderão ser convidadas a se integrar em momentos específicos, caso necessário.

Recomendação

A SP Águas, em comunicação à Arsesp, recomendou a adoção de medidas visando à redução da retirada de água dos reservatórios. De acordo com a agência, a região do Sistema Integrado Metropolitano vem enfrentando uma sequência de anos com chuvas abaixo da média e a atual condição dos reservatórios no que diz respeito ao percentual de volume útil demanda atenção. A situação é semelhante à observada em 2021, mas melhor do que a do ano 2014, quando ocorreu a crise hídrica. Mais informações sobre os sistemas neste link.

Volume no Sistema Integrado Metropolitano:

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Está em fase final de aprovação o Protocolo de Escassez Hídrica de São Paulo, importante ferramenta que orienta a atuação do Governo no que tange às medidas preventivas e de contingência a serem adotadas para cada faixa de disponibilidade hídrica. De acordo com o Protocolo, a região metropolitana se encontra hoje em estado de atenção (reservatórios com volume útil de 39,2%). Caso esse percentual caia para valores entre 30% e 20%, é acionado o estágio crítico.

Já o último estado, de emergência, é acionado quando os valores atingem percentuais inferiores a 20%. O Protocolo prevê medidas a serem adotadas em cada um desses estágios, como suspensão de outorgas, diminuição de vazões outorgadas, intensificação da fiscalização em localidades críticas, entre outras.

É muito importante que consigamos estabilizar os reservatórios até que tenhamos novas chuvas, e para isso a adoção de medidas de contingência é importante, assim como é fundamental a cooperação da população na redução do consumo”, enfatiza a presidente da SP Águas, Camila Viana.

O Governo de São Paulo iniciará esta semana uma campanha de conscientização da população para a redução do consumo por meio de medidas simples, como a contenção de vazamentos, o uso de chuveiros eficientes, o uso de máquinas de lavar com carga completa, entre outras.

Resiliência

O Sistema Integrado Metropolitano interliga grandes e pequenos mananciais, adutoras e estações de tratamento, permitindo transferências de água entre sistemas produtores. Essa operação integrada reduz riscos de desabastecimento e aumenta a resiliência em cenários de seca ou demanda elevada. A transposição Jaguari-Atibainha, que aporta água proveniente da Bacia do Paraíba do Sul, e a conclusão do Sistema São Lourenço são exemplos de obras realizadas pela Sabesp que contribuíram para o aumento da resiliência.

Outras obras estão previstas, como a captação de água do Rio Itapanhaú e Ribeirão Sertãozinho, um investimento de R$ 200 milhões que vai permitir captação de 2 mil litros/segundo. De acordo com a Sabesp, mais de R$ 1,2 bilhão estão previstos para novas obras de resiliência hídrica até 2027.

Obras realizadas de reforço após a crise hídrica de 2014/2015:

  • Sistema São Lourenço – Inaugurado em abril de 2018, pega água da represa da Cachoeira do França, a 70 quilômetros de São Paulo. Foram investidos R$ 3,5 bilhões na obra, que permite abastecer cerca de 2 milhões de usuários de oito cidades.
  • Transferência Jaguari – Atibainha – Inaugurada em março de 2018, a interligação entre as represas Jaguari (bacia do Paraíba do Sul) e Atibainha (Sistema Cantareira) garantiu transferência de 7,5 m3/2, beneficiando cerca de 10 milhões de pessoas. O investimento foi de R$ 1 bilhão.
  • Ampliação da Estação Tratamento Água – Rio Grande – Inaugurada em junho de 2025, a obra ampliou a capacidade da ATA em 500l/seg, beneficiando mais de 120 mil pessoas de São Bernardo, Diadema e Santo André. O investimento foi de R$ 120 milhões.
  • Modernização da Estação de Tratamento de Água do Alto da Boa Vista, realizada em 2025 com investimento de R$ 25 milhões.
  • Em pré-operação:
    Captação de água do Rio Itapanhaú e Ribeirão Sertãozinho, um investimento de R$ 200 milhões que vai permitir captação de 2 mil litros/segundo.
  • Publicado: 11/02/2026
  • Alterado: 11/02/2026
  • Autor: 26/08/2025
  • Fonte: Itaú Cultural