Governo de Barack Obama que mais deportou dos EUA no século 21

Mandatos do ex-presidente foram recordistas em remoção forçada de imigrantes sem autorização para permanecer nos EUA.

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Dados do Departamento de Segurança Interna (DHS) revelam que os mandatos de Barack Obama, que se estenderam de 2009 a 2017, foram os mais rigorosos em termos de deportação de imigrantes indocumentados nos Estados Unidos no século XXI. Durante suas duas administrações, mais de 3 milhões de indivíduos foram deportados, refletindo uma média de aproximadamente 1,56 milhão por mandato.

Para contextualizar, durante a presidência de George W. Bush, que durou de 2001 a 2009, a média anual de deportações foi cerca de 1 milhão. Já no primeiro governo de Donald Trump, entre 2016 e 2021, esse número alcançou aproximadamente 1,19 milhão.

Em um discurso em 2014, Obama anunciou uma proposta para regularizar a situação de alguns migrantes que residiam nos EUA há mais de cinco anos. Ele enfatizou que o sistema imigratório americano estava “quebrado” e deixou claro que sua proposta não era um passaporte para todos os imigrantes indocumentados. Segundo ele, a medida não beneficiaria aqueles que haviam chegado recentemente ou que planejavam entrar ilegalmente no país.

“Se você se enquadra nos critérios estabelecidos, poderá sair das sombras e regularizar sua situação legalmente. Contudo, se você for um criminoso, será deportado,” declarou Obama na ocasião. Após essa nova abordagem, as deportações diminuíram em comparação com os anos anteriores de sua gestão; no entanto, o número permaneceu similar aos períodos mais intensos da primeira administração Trump e também sob o governo Biden.

É importante ressaltar que a deportação é definida como a remoção forçada de imigrantes sem autorização para permanecer nos EUA por ordem judicial. Este total não inclui os chamados retornos voluntários, onde os migrantes se entregam às autoridades americanas e são retirados do país. Além disso, as expulsões realizadas sob a autoridade do Título 42 — uma medida implementada durante o governo Trump e continuada até a gestão Biden — também não estão contabilizadas nesses números. Essa política permitiu a remoção acelerada de imigrantes irregulares sob justificativas sanitárias durante a pandemia da Covid-19 e resultou na expulsão de aproximadamente 2,96 milhões de pessoas entre março de 2020 e maio de 2023.

No início do seu novo mandato, Donald Trump declarou emergência nacional na fronteira sul dos Estados Unidos e intensificou as operações contra imigrantes indocumentados. Sua administração fez uso das Forças Armadas para apoiar as atividades na fronteira e ordenar a construção de barreiras físicas adicionais entre os postos oficiais.

Durante seu discurso inaugural, Trump reiterou sua intenção de deportar o maior número possível de migrantes indocumentados como resposta ao aumento significativo nas travessias ilegais observadas durante o governo Biden. “Eliminarei a prática do ‘pegar e soltar’ [dos migrantes]. Enviarei tropas à fronteira sul para repelir o desastre da invasão ao nosso país,” afirmou o presidente republicano.

No dia 26 deste mês, uma operação realizada pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA (ICE) em Chicago resultou em pelo menos 956 prisões relacionadas à imigração irregular. Alguns indivíduos foram detidos em suas residências como parte dessa ação intensificada.

Além disso, logo após assumir o cargo, Trump anunciou outras medidas restritivas sobre migração, incluindo tentativas de limitar o direito à cidadania americana para filhos nascidos no país cujos pais estivessem indocumentados no momento do nascimento — uma ordem que foi posteriormente suspensa por um juiz federal em resposta a um pedido feito por estados governados por democratas.

Logo após sua posse, imagens publicadas no perfil oficial da Casa Branca no Instagram mostraram migrantes sendo transportados em cargueiros militares para deportação com a frase “promessa feita, promessa cumprida”. Embora os voos para deportação já fossem uma prática anterior aos governos republicanos, o uso específico de aeronaves militares foi uma novidade autorizada pela declaração de emergência nacional assinada por Trump.

Esses eventos destacam as complexidades e tensões que permeiam as políticas migratórias dos Estados Unidos ao longo das últimas décadas, refletindo tanto as mudanças nas abordagens administrativas quanto os desafios contínuos enfrentados na gestão da imigração indocumentada.

  • Publicado: 02/02/2026
  • Alterado: 02/02/2026
  • Autor: 29/01/2025
  • Fonte: PMSCS