Governo Argentino anuncia liberação de documentos militares da ditadura

Governo Milei libera documentos da ditadura argentina, mas gera polêmica ao contestar cifras de mortos e desafiar narrativa de direitos humanos.

Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

No dia 24 de março, uma data emblemática que marca o Dia Nacional da Memória pela Verdade e a Justiça, o governo argentino, liderado por Javier Milei, fez um anúncio significativo. A administração revelou que irá retirar o sigilo de documentos militares relacionados ao período da ditadura (1976-1983) e torná-los acessíveis ao público. A comunicação oficial foi feita por Manuel Adorni, porta-voz da presidência.

Os documentos, que estavam sob a proteção da Agência Federal de Inteligência, serão transferidos para o Arquivo Nacional. De acordo com Adorni, essa ação visa pôr fim à “opacidade que cercou esses registros por décadas” e promover uma maior transparência acerca dos acontecimentos desse período sombrio da história argentina.

O porta-voz enfatizou: “Essa administração acredita que os eventos do passado devem estar disponíveis nos arquivos da história. Com isso, encerramos a falta de clareza que perdurou durante anos e disponibilizamos essas informações à sociedade.”

No entanto, a decisão do governo não se limita apenas à liberação dos arquivos. A gestão de Milei tem adotado uma postura controversa em relação à narrativa histórica das organizações de direitos humanos no país, especialmente no que diz respeito ao número de mortos e desaparecidos durante a ditadura militar. O governo afirma que a cifra oficial de aproximadamente 8.600 vítimas não reflete a realidade, desafiando as estimativas de grupos como as Mães e Avós da Praça de Maio, que desde os anos 90 sustentam que esse número pode chegar a 30 mil.

Essa posição evidencia a tentativa do governo Milei de reavaliar a memória coletiva sobre a ditadura, ao mesmo tempo em que já implementou cortes significativos no financiamento de órgãos dedicados aos direitos humanos. Críticos dessa abordagem argumentam que ela promove um revisionismo histórico e busca equiparar a repressão estatal às ações de grupos armados, defendendo a chamada “teoria dos dois demônios”.

A Casa Rosada defende sua posição afirmando que o objetivo é aumentar a transparência e garantir uma “memória completa” sobre os eventos ocorridos durante o regime militar. As repercussões dessa decisão continuam a ser objeto de debate entre diferentes setores da sociedade civil e especialistas em direitos humanos.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 24/03/2025
  • Fonte: Sorria!,