Governo adota postura cautelosa após prisão de Bolsonaro
Planalto orienta ministros a evitarem declarações que reforcem discurso de perseguição política por parte de aliados do ex-presidente.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 05/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O Palácio do Planalto orientou os membros da administração Lula (PT) a manter uma resposta contida em relação à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O objetivo é evitar a promoção de um discurso que possa reforçar a vitimização de Bolsonaro ou fortalecer as alegações de perseguição política por parte de seus apoiadores.
Na última segunda-feira (5), o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, reuniu-se com colegas para sugerir uma postura de prudência. Essa orientação se estendeu a outros integrantes do governo que buscavam diretrizes sobre como lidar com a situação.
Além das considerações sobre a imagem política, há uma preocupação em reduzir as tensões no cenário político atual, especialmente diante da iminente aplicação de tarifas elevadas sobre produtos brasileiros, conforme anunciado por Donald Trump. Assessores de Lula destacam a importância de evitar qualquer desavença com o governo dos Estados Unidos neste momento delicado.
Conforme relatado anteriormente pela Folha, membros da equipe governamental já reconhecem que a decisão judicial que resultou na prisão domiciliar de Bolsonaro pode ser utilizada por Trump como justificativa para dificultar negociações e até implementar novas sanções contra o Brasil.
Os assessores enfatizam que é crucial minimizar os problemas com o presidente americano e evitar fornecer novos motivos que possam ser utilizados como base para ações adversas contra o Brasil.
Na segunda-feira, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão domiciliar de Bolsonaro. O magistrado alegou que o ex-presidente violou uma ordem anterior ao aparecer em vídeos promovidos por seus apoiadores durante protestos realizados no domingo (3). Bolsonaro estava proibido de utilizar redes sociais, mesmo indiretamente.
A postura adotada pelo governo é semelhante àquela observada após a decisão do STF que impôs uma tornozeleira eletrônica ao ex-presidente. Dois ministros consultados sob condição de anonimato afirmam que Bolsonaro pode ter provocado sua própria prisão ao desobedecer deliberadamente as restrições impostas por Moraes, buscando intensificar a polarização política.
A análise entre os integrantes do governo Lula sugere que essa estratégia visa mobilizar sua base e reforçar a narrativa de perseguição política diante da possibilidade de condenação no caso relacionado à tentativa de golpe.
Neste contexto, membros do governo acreditam ser prudente não se envolver nas questões referentes à prisão e permitir que essa discussão fique restrita aos partidários de Bolsonaro, sem intervenções diretas por parte dos ministérios. A prioridade deve ser manter um ambiente político menos tenso e não interferir em assuntos que são da competência da Justiça brasileira e do próprio ex-presidente.
Os esforços devem estar voltados para as negociações com os EUA sobre as tarifas que serão implementadas nesta semana. Os dois ministros acreditam que Trump pode usar a prisão de Bolsonaro como pretexto para ações adicionais contra o Brasil.
Um aliado próximo ao governo declarou que é fundamental evitar qualquer movimento que possa gerar mais atritos com Trump, considerando o cenário polarizado tanto entre os bolsonaristas quanto no STF. Ele ressalta que a melhor abordagem para o governo é permanecer à margem dessa disputa.
Outro membro governista observou que havia sinais de melhora nas relações comerciais com os EUA, especialmente após Trump recuar em relação à lista de produtos isentos das novas tarifas. Segundo ele, é crucial garantir que essa melhora não seja prejudicada pela prisão do ex-presidente.