Governador Tarcísio de Freitas critica modelo econômico do Governo Lula e elogia reformas na Argentina
Tarcísio de Freitas, governador de SP, elogia política fiscal da Argentina e critica modelo do governo Lula, defendendo reformas orçamentárias e privatizações.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 28/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Na última segunda-feira (28), durante um seminário voltado para agentes do mercado financeiro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, filiado ao Republicanos, expressou sua apreciação pela política fiscal implementada pelo presidente argentino Javier Milei, enquanto teceu críticas ao que chamou de “modelo mental” do governo Lula, do Partido dos Trabalhadores.
Defendendo a necessidade de uma drástica redução dos gastos estaduais e promovendo parcerias com a iniciativa privada, Tarcísio enfatizou que essas medidas são essenciais para assegurar a capacidade de investimento no estado. Além disso, o governador pleiteou modificações na política que vincula reajustes reais do salário mínimo ao crescimento econômico, uma proposta que tem sido um dos pilares da administração petista e que, segundo ele, tem contribuído para a expansão das despesas públicas.
“A receita para o crescimento do Brasil está clara. Devemos considerar a desindexação do salário mínimo, desvincular receitas, realizar reformas orçamentárias e administrativas que cortem custos e retomar um programa de privatizações e concessões”, afirmou Tarcísio.
Apesar de ter liberado R$ 837 milhões em emendas voluntárias a deputados de sua base no ano anterior, o governador manifestou sua visão sobre a necessidade de eliminar a disputa por emendas parlamentares na esfera federal. Ele argumentou que uma reforma orçamentária é crucial para reduzir essa competição e maximizar a capacidade de investimento do país. “Uma reforma orçamentária importante poderia amenizar essa discussão sobre emendas e evitar que essa luta por uma fatia reduzida do orçamento prejudique nosso potencial de investimento”, acrescentou.
Ao abordar a questão fiscal brasileira, Tarcísio considerou que reverter a crescente dívida pública não é uma tarefa tão complexa quanto pode parecer. “Se há um problema fiscal, e realmente há, não é impossível resolver isso com algumas intervenções estratégicas”, disse ele.
Uma das críticas mais contundentes ao governo federal veio quando Tarcísio foi questionado sobre como manter o crescimento econômico com responsabilidade fiscal. Ele indicou que existe um entrave no “modelo mental” adotado atualmente. “Estão tentando operar com um modelo que já não se aplica às circunstâncias atuais”, declarou, evitando citar diretamente Lula ou membros da atual administração.
A Argentina foi citada pelo governador como exemplo positivo de corte de despesas públicas que possibilitaram a recuperação econômica. “Se alguém me perguntasse se Milei conseguiria cortar 5% do PIB em um ano, eu diria que seria impossível. No entanto, ele conseguiu. E quais foram os resultados? A inflação diminuiu e o fluxo de capital aumentou”, destacou Tarcísio.
Milei enfrenta greves gerais e críticas em relação aos impactos sociais de suas políticas econômicas. No entanto, Tarcísio se mostrou focado em seus objetivos políticos e foi questionado sobre as eleições presidenciais. Embora seja considerado um possível candidato à presidência nas próximas eleições, ele não confirmou sua intenção e enfatizou: “O que digo à minha equipe todos os dias é para esquecerem as eleições. O foco deve estar nos resultados; o resto será consequência disso”.
Finalizando seu discurso, o governador ressaltou: “A melhor forma de São Paulo influenciar o Brasil é através da prática correta. Se conseguirmos demonstrar que estamos obtendo resultados positivos aqui, isso poderá servir como modelo para outros estados e para o país como um todo”.