Google reduz em 97% gasto energético de pergunta para IA, enquanto demanda explode

Google revela redução de 97% no consumo de energia da IA Gemini, impulsionando a eficiência e sustentabilidade no setor tecnológico.

Crédito: Divulgação

Na última quinta-feira (21), o Google divulgou um relatório inovador que revela uma diminuição impressionante de 97% no consumo de eletricidade do seu modelo de inteligência artificial, Gemini, durante o processamento de pedidos. Essa conquista é resultado de significativos avanços nas áreas de eficiência de software e hardware.

O estudo realizado analisou os gastos energéticos entre maio de 2024 e o mesmo mês do ano anterior, revelando que, nesse intervalo, o volume de dados processados aumentou em 49 vezes. Conforme apresentado por Sundar Pichai em um evento para programadores, o número de tokens — fragmentos de texto processados pela IA — subiu de 9,7 trilhões para 480 trilhões mensais. Em uma apresentação posterior a investidores em julho, Pichai afirmou que esse número já havia alcançado a marca de 980 trilhões.

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Anderson Gomes, diretor do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia) da Universidade Federal de Goiás (UFG), destaca que a atual prioridade na ciência da computação reside na redução dos custos associados à inferência, processo que permite à IA gerar respostas a comandos dos usuários. A energia elétrica representa uma parte significativa desses custos.

A redução nos gastos energéticos é considerada fundamental para viabilizar a adoção em larga escala da inteligência artificial, segundo Gomes.

O relatório do Google indica que, até julho deste ano, mais de 85 mil empresas estavam utilizando o Gemini, com um aumento no uso corporativo de 35 vezes em apenas um ano. Entre os clientes estão grandes nomes como LVMH e Salesforce.

Google reduz em 97% gasto energético de pergunta para IA, enquanto demanda explode
Foto: Divulgação/Google

No que diz respeito ao consumo energético por pedido processado pelo Gemini, o Google informou que este valor é de 0,24 Wh, equivalente ao tempo necessário para assistir televisão por aproximadamente nove segundos. A empresa optou por utilizar a mediana como referência para evitar distorções causadas por prompts que consomem excessiva energia.

Entretanto, especialistas consultados alertam que essa escolha pode apresentar limitações. O professor Anderson Rocha Tavares, da UFRGS, argumenta que a mediana é mais apropriada quando os dados estão concentrados em uma área específica; caso contrário, o uso da média poderia fornecer insights sobre os prompts mais custosos em termos energéticos.

Além disso, essa metodologia impede comparações diretas com estimativas anteriores feitas por outros pesquisadores e empresas. O Google implementou um sistema que calcula os gastos energéticos especificamente para seu modelo fechado, dificultando a verificação independente dos dados apresentados.

A publicação do relatório ocorre em um contexto onde a regulação europeia está prestes a impor requisitos rigorosos relacionados à transparência ambiental, incluindo a divulgação dos consumos energéticos. A Comissão Europeia ainda está definindo as metodologias que deverão ser utilizadas para tal medição.

Apesar das limitações mencionadas, o Google apresentou uma comparação confiável mostrando que o Gemini supera em eficiência o modelo Llama 3.1 70b da Meta, sendo este último um modelo aberto cujos testes foram reproduzidos pela gigante da tecnologia.

Savannah Goodman, responsável pelos laboratórios de energia avançada do Google, enfatiza que os números apresentados refletem uma realidade operacional precisa e são significativamente inferiores às estimativas anteriores encontradas na literatura acadêmica. Ela atribui essa diferença aos avanços em data centers e no desenvolvimento de chips mais eficientes.

A empresa também se propôs a calcular a pegada hídrica associada a um pedido médio ao Gemini, estimando-a em 0,26 ml — equivalente a cinco gotas d’água. Apesar do aumento total do consumo energético nos data centers do Google — 27% superior em 2024 em comparação ao ano anterior — as emissões de carbono vinculadas à eletricidade diminuíram em 12%, graças ao investimento em fontes limpas de energia.

De acordo com Partha Ranganathan, vice-presidente da equipe de engenharia do Google, a eficiência nos data centers foi impulsionada pelo uso de sistemas avançados de refrigeração líquida. No total, a empresa consumiu cerca de 306,6 bilhões de litros d’água neste ano nos seus centros operacionais — um incremento considerável frente aos dados anteriores. Importante ressaltar que cerca de 28% das fontes hídricas utilizadas pela companhia encontram-se em áreas vulneráveis à escassez.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 21/08/2025
  • Fonte: FERVER