Golpismo e consequências do pós-Fux no julgamento de Bolsonaro

O voto de Luiz Fux abriu brechas jurídicas e narrativas políticas que alimentam o bolsonarismo e reacendem o fantasma da anistia

Crédito: Imagem gerada por IA via ChatGPT (OpenAI)

No Brasil, o golpismo não morre — só troca de figurino. Cada julgamento histórico, como o de Bolsonaro, vem embalado como final de temporada, mas sempre acaba em intervalo para o próximo episódio. O voto de Fux não foi apenas divergência: foi combustível, roteiro e senha para os bastidores. Enquanto as togas tentam salvar a liturgia da democracia, as articulações correm por fora, costurando acordos que vestem velhos vícios com tecidos novos. No fim, tudo volta para o mesmo palco: um país que ensaia punições, mas aplaude “salvaguarda” para seu bandido favorito — e, nesta fase da história, esse nome é Jair Bolsonaro.

Especulações, anistia e o acordão do século

O julgamento do golpe não encerrou a franquia golpista brasileira, apenas mudou a cenografia. Sai o tapetão, entra o festival da anistia, com rearranjo político e as mesmas figurinhas carimbadas de sempre. O estádio da democracia parece uma sessão de reprises, torcida cansada, mas sempre com esperança de virar o placar — nem que seja puxando o tapete. Quando “saidinha” geral e irrestrita se transformou em VAR institucional: quando os craques são flagrados, aparece o replay salvador. Prometem “pouso suave” depois da turbulência de 2013 a 2026, mas pouso suave na política brasileira é mais lenda urbana que promessa (de moeda) real.

Bolsonaro: Elite política, clube dos impunes

Jair Bolsonaro - Julgamento do Bolsonaro no STF
(Jair Bolsonaro) Carolina Antunes/PR

As elites continuam invencíveis, jamais rebaixadas. Jogam com manual pronto: ora se abraçam a Bolsonaro e ao bolsonarismo, ora estendem pontes para o futuro — sempre de olho em mais vantagens e menos direitos. Se tudo der certo, lulistas, petistas e bolsonaristas vão nadar juntos no mar do esquecimento. Se não, o time do “se não tem reforma, vai golpe mesmo” já está no aquecimento.

Consequências institucionais, carnaval dos cínicos

O pós-jogo pode reservar mais emoção que o julgamento em si: quebra-quebra, troca de árbitro, democratização do caos. A democracia, sempre sozinha na arquibancada, torce para não ser depredada. O governo Trump aparece na transmissão avisando que não há mais sanções, mas pode lançar um reprise de medidas a qualquer momento. Eduardo Bolsonaro e companhia? Prontos para decorar a instabilidade institucional.

O que esperar do futuro, engenheiros do caos

Se o PRP vencer, o que será de Bolsonaro? O que será da tropa bolsonarista, organizada, pragmática, mas com métodos de reality show decadente? As lideranças aguardam o “Indultão 2027 Edition”, celebrando impunidade ou queimando pneu em frente ao STF. O centrão-direitão, bloco de carnaval fora de época, segue definindo enredos de prefeituras a Congresso. Aceitam até um parlamentarismo à la Brasil, onde quem perde ainda senta na janelinha.

Crise econômica, acordo nacional, paradoxo das regras

Julgamento de Bolsonaro no STF
STF (Antônio Cruz/Agência Senado)

Prepare-se: 2027 vem com brinde garantido de crise econômica. O grande acordo pode ser simplesmente acabar com as regras do jogo, porque aqui paradoxo é regra. Apostar que o projeto bolsonarista terá maioria no Senado para dar xeque-mate no STF é acreditar em democracia pacificada só no universo dos Teletubbies.

E, por fim (mas nem tanto)

Após tanto improviso e rearranjo, sobra o fôlego curto de uma democracia que vive se equilibrando entre a esperança e a ressaca. É como se o país corresse uma maratona com sapatos apertados: chega até a linha de chegada, mas sempre mancando. Cada julgamento parece promessa de catarse, mas termina em pausa para o próximo episódio. Os aplausos duram pouco, o cansaço é permanente. Entre discursos inflamados e plenários em silêncio, o que resta é a sensação de que se está sempre jogando na prorrogação, esperando que alguém mude o placar sem precisar tocar na bola. Esse respiro final abre espaço para a velha conhecida entrar em cena com toda pompa em tempos pós Golpe de 64. Ela se veste com alinhada, mas é quase sempre disfarçada de solução e atuando como vício histórico — o único tapete vermelho que nunca sai de moda no Brasil.

A cada articulação, a anistia a Bolsonaro e seus alidos, surge como senha secreta do clube dos intocáveis. Nos bastidores, ela circula em sussurros de gabinete, cafés frios e mensagens cifradas que prometem paz institucional — mas custam caro demais para a democracia. A narrativa bolsonarista encontrou no voto de Fux sua bússola simbólica: cada defesa agora repete de cor a liturgia da nulidade. Mais do que estratégia jurídica, é projeto de sobrevivência política. Enquanto o Congresso fareja vento e o STF tenta manter a toga limpa, o país assiste, de camarote, ao ensaio do próximo capítulo do julgamento de Bolsonaro e os sete réus.

Golpismo imortal brasileiro

O ciclo é eterno — julgamento histórico, indulto, rearranjo, festival. Golpismo não se destrói, apenas muda de temporada. O público segue assistindo, esperando que o apito final signifique fim — e não só intervalo para o próximo episódio. No fundo, o golpismo só será enterrado quando arrancarmos sua raiz mais venenosa: a anistia.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 11/09/2025
  • Fonte: Fever