Golpe do precatório se populariza e atinge 100 mil em SP
Escritório aponta alta de 35% nas fraudes e orienta credores a evitar prejuízos financeiros.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 18/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Quem possui valores judiciais a receber precisa redobrar a vigilância. Criminosos estão explorando a expectativa pelo pagamento de créditos e a divulgação de acordos estatais para aplicar o golpe do precatório. As fraudes, cada vez mais sofisticadas, miram quantias elevadas e buscam enganar cidadãos que aguardam a liberação de recursos.
O alerta parte do escritório Scolari Neto, especializado no setor, que detectou um crescimento expressivo na incidência desse crime. A situação preocupa advogados, credores e o próprio Judiciário. As abordagens ilegais ocorrem via telefone, WhatsApp, SMS ou e-mail, canais que não são utilizados oficialmente pelos tribunais para tratar de liberações financeiras.
Sofisticação das fraudes e uso de documentos falsos
Os estelionatários costumam se passar por advogados, servidores públicos ou representantes do governo, oferecendo uma suposta antecipação dos valores. Para dar credibilidade ao golpe do precatório, eles utilizam artifícios visuais que imitam a burocracia estatal.
“Para se tornarem mais convincentes, os golpistas estão utilizando documentos falsos que simulam comunicações oficiais dos Tribunais de Justiça, com aparência de extratos processuais ou despachos judiciais”, alerta o advogado Fábio Scolari.
Esses materiais chegam às vítimas com linguagem técnica e logotipos institucionais. O especialista destaca a dimensão do problema na região: “Só no estado de São Paulo, estimamos que são cerca de 100 mil credores envolvidos nesta situação. São alvos de bandidos que se aperfeiçoaram neste tipo de crime, que não é novo, mas continua a ser praticado”.
A mecânica da extorsão
A estratégia central do golpe do precatório consiste em condicionar a liberação do dinheiro a um pagamento prévio. Os criminosos alegam a necessidade de quitar custas processuais, taxas administrativas ou Imposto de Renda para que o montante principal seja desbloqueado.
Segundo Scolari, a riqueza de detalhes apresentada pelos fraudadores aumenta o risco. “Eles utilizam termos jurídicos, mencionam número do processo, nome do advogado responsável e dados pessoais do credor, o que torna o golpe altamente persuasivo”, explica.
É fundamental ressaltar que os Tribunais de Justiça jamais cobram taxas antecipadas para o pagamento de precatórios, nem realizam contatos diretos por aplicativos de mensagens. Toda a comunicação oficial tramita dentro do processo judicial e o depósito é feito na conta indicada nos autos. Descontos legais, quando existem, ocorrem automaticamente no ato do pagamento, nunca via transferência avulsa.
Perfil das vítimas e aumento de casos
O escritório Scolari Neto & Oliveira Filho Advogados registrou um aumento de 35% no número de clientes abordados por tentativas de golpe do precatório nos últimos meses. O público-alvo preferencial dos criminosos inclui servidores públicos, pensionistas e herdeiros, muitas vezes idosos ou em situação de vulnerabilidade.
“Só no estado de São Paulo, estimamos que existam cerca de 100 mil credores nessa condição, o que torna esse público alvo recorrente de criminosos especializados nesse tipo de fraude”, reforça o advogado.
Outro sinal claro de fraude é a solicitação de transferências via PIX ou depósitos em contas de pessoas físicas. O especialista é categórico: “Qualquer exigência de depósito, transferência ou pagamento imediato deve ser encarada como fraude”.
Como se proteger do golpe do precatório
Para evitar cair no golpe do precatório, a orientação é jamais realizar pagamentos antecipados e interromper o contato imediatamente. É essencial guardar provas como mensagens e e-mails.
A recomendação final é buscar sempre os canais oficiais. “É fundamental confirmar as informações pelos canais oficiais do tribunal, consultar um advogado de confiança, verificar se o profissional citado realmente existe e se está regularmente inscrito na OAB. Em situações mais graves, também é recomendável registrar ocorrência”, conclui Scolari.