Glenn Greenwald fala amanhã ao Senado sobre Edward Snowden

Reação a espionagem pode gerar mais proteção; Patriota reitera que esclarecimentos sobre espionagem são insuficientes

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Audiência pública com o colunista do jornal britânico The Guardian Glenn Greenwald, amanhã, será um dos passos mais importantes da investigação da Comissão de Relações Exteriores (CRE) sobre as denúncias de que o governo dos Estados Unidos teria uma rede de espionagem no Brasil até 2002. A avaliação é do presidente da comissão, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que espera ouvir de Greenwald mais detalhes sobre o envolvimento de empresas com esquemas de interceptação. – Queremos apurar o nível de fragilidade do nosso país para discutirmos como oferecer maior proteção a nossas redes de informação – disse.

A CRE ouviu na semana passada os ministros da Defesa, Celso Amorim; das Relações Exteriores, Antonio Patriota; e das Comunicações, Paulo Bernardo; além do chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, general José Elito Siqueira. Os ministros reconheceram a falta de investimentos em segurança cibernética e vulnerabilidade.

Antonio Patriota, reiterou nesta segunda-feira (15) que aguarda as informações oficiais do governo dos Estados Unidos sobre as denúncias de espionagem de cidadãos brasileiros, por agências norte-americanas. O chanceler disse ainda que considera “insuficientes” os esclarecimentos fornecidos até o momento.

De acordo com Ferraço, o relatório a ser elaborado pela CRE servirá como contribuição para a atuação da CPI aprovada pelo Senado para investigar as denúncias de espionagem. Como a CPI só deve começar em agosto, a CRE já estará com boa parte do trabalho adiantado. Dessa forma, poderá repassar as conclusões para que se aprofundem ainda mais as investigações.

Ferraço pretende ir com senadores até a Venezuela para ouvir Edward Snowden, ex-técnico da agência de ­segurança nacional americana que revelou a Greenwald os programas secretos de interceptação de dados, caso receba asilo naquele país. Ele explicou que a intenção é elaborar um relatório apontando as falhas do sistema de defesa cibernética brasileiro e as melhorias que devem ser feitas. Defendeu que, caso se confirme a espionagem dos Estados Unidos, o Brasil denuncie os americanos a organismos internacionais, como o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

Outra ação defendida pelo senador é a discussão do caso na Assembleia-Geral da ONU, em setembro, em Nova York. Como o Brasil é quem, tradicionalmente, faz a abertura do evento, o senador quer que a presidente Dilma Rousseff trate do assunto no discurso.

— Queremos que ela carregue na tinta neste tema.

O senador propõe a criação de um marco regulatório civil global para tratar de tecnologia. A sugestão é de que, a exemplo da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), seja criada uma organização para regular o ambiente cibernético.

  • Publicado: 15/07/2013 17:33
  • Alterado: 15/07/2013 17:33
  • Autor: Redação
  • Fonte: Agência Senado