Gleisi articula com ministros para frear proposta de anistia no Congresso

Reunião no Palácio do Planalto busca alinhar estratégias diante do avanço de negociações sobre perdão aos condenados do 8 de janeiro

Crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, convocou para esta segunda-feira (8) uma reunião com ministros indicados por partidos de centro-direita que compõem a base do governo Lula (PT). O encontro, no Palácio do Planalto, terá como foco traçar estratégias para conter a tramitação da proposta de anistia a condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro.

Segundo auxiliares do Planalto, a orientação do governo é clara: barrar qualquer avanço da matéria no Congresso. Gleisi deve reforçar a necessidade de que os ministros pressionem suas bancadas contra a medida, considerada uma ameaça à estabilidade democrática.

Pressão política e disputas internas

A movimentação ocorre em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal, acusado de participação em tentativa de golpe. Aliados do ex-presidente articulam a aprovação de uma anistia após eventual condenação, visando livrá-lo da prisão, mas mantendo sua inelegibilidade. Paralelamente, cresce a pressão para que Bolsonaro apoie Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, como seu sucessor político.

Partidos como União Brasil e PP, que recentemente deixaram a base governista, intensificaram a defesa de uma anistia ampla que abranja até Bolsonaro. Além disso, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), passou a avaliar publicamente a possibilidade de pautar o tema, sinalizando mudança em relação à sua posição anterior.

Divergências no Legislativo

Enquanto setores do centrão defendem uma anistia total, outras lideranças buscam versões mais moderadas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), por exemplo, defende apenas a redução de penas dos condenados, sem incluir lideranças políticas. Já o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), apresentou um texto que perdoa crimes desde 2019 e permitiria a volta de Bolsonaro às eleições em 2026.

Dentro do Planalto, a avaliação é que colocar o tema em votação significaria ceder a pressões externas, inclusive de Donald Trump, que impôs sanções econômicas ao Brasil após o início do julgamento no STF. Lula já afirmou a aliados que a aprovação da anistia representaria uma “rendição” ao ex-presidente americano.

Outras pautas em discussão

Além da anistia, a reunião convocada por Gleisi também deve tratar de projetos prioritários do governo, como a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 e a PEC da Segurança Pública.

Outro ponto sensível será o desembarque de partidos como União Brasil e PP da base aliada. Gleisi já declarou que quem optar por permanecer no governo precisa demonstrar “compromisso com o presidente Lula e com as pautas principais que este governo defende”.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 07/09/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo