Glauber Braga encerra greve de fome após suspensão de processo de cassação

O impasse surgiu depois do episódio ocorrido em abril de 2024, quando Glauber agrediu fisicamente um militante do Movimento Brasil Livre (MBL) dentro da Câmara.

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Após nove dias de greve de fome, o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) decidiu interromper o protesto iniciado em resposta à recomendação de cassação de seu mandato pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. A decisão de suspender a greve veio após um gesto do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que aceitou negociar a interrupção do processo disciplinar por um período de 60 dias.

O impasse surgiu depois do episódio ocorrido em abril de 2024, quando Glauber agrediu fisicamente um militante do Movimento Brasil Livre (MBL) dentro da Câmara. Apesar da gravidade do caso, parlamentares aliados, especialmente do PSOL e do PT, se mobilizaram nos bastidores para evitar a cassação definitiva do mandato. Entre os articuladores destacaram-se a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), esposa de Glauber, e o líder petista Lindbergh Farias (RJ).

Com a decisão de Motta, a tramitação no Conselho de Ética será pausada até, pelo menos, agosto, devido ao recesso parlamentar. Isso abre caminho para uma eventual punição alternativa, como advertência ou suspensão temporária do mandato.

Manifestação e discurso: “Não estamos suspendendo a luta”

Em coletiva realizada na tarde desta quinta-feira (17), o PSOL confirmou oficialmente o fim da greve de fome de Glauber Braga. Em frente ao Congresso, o deputado afirmou que sua decisão foi tomada após diálogo com movimentos sociais e articulações parlamentares que possibilitaram o recuo do processo.

“Estou suspendendo a greve de fome, mas não a nossa luta”, declarou o parlamentar, reafirmando sua oposição ao chamado “orçamento secreto” e sua defesa de pautas como a responsabilização pelos assassinatos de Marielle Franco e pelos atos golpistas recentes.

Logo após o anúncio, Glauber foi encaminhado a um hospital em Brasília para avaliação médica, conforme recomendação de sua equipe. Durante a greve, alimentou-se apenas com líquidos como água e soro, tendo perdido peso, mas sem apresentar quadros graves de saúde.

A pressão política e os próximos passos

O caso ganhou ampla repercussão no Congresso. O gesto extremo de Glauber mobilizou visitas de oito ministros do governo Lula, incluindo Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Sônia Guajajara (Povos Indígenas) e Anielle Franco (Igualdade Racial), que manifestaram apoio ao parlamentar.

Embora o Conselho de Ética tenha aprovado a cassação por 13 votos a 5, a decisão final ainda depende de análises jurídicas e políticas. Glauber deve apresentar recurso à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que pode considerar a existência de falhas no processo, resultando no retorno do caso para nova deliberação.

Se confirmada, a perda do mandato marcaria um precedente inédito, pois nunca antes um parlamentar teve seu mandato cassado por agressão física. A história da Câmara registra outros episódios violentos — como socos e empurrões entre deputados — que não resultaram em punições tão severas.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 17/04/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo