Giovani Cidreira lança álbum em homenagem a Ederaldo Gentil
Em "Carnaval eu chego lá" (2024), Cidreira revisita a obra de Gentil, destacando o legado do sambista e suas influências na música baiana
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 19/12/2024
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
No último mês, o cantor e compositor baiano Giovani Cidreira apresentou ao público seu mais recente álbum intitulado Carnaval eu chego lá (2024). Esta nova obra marca um desvio significativo em sua discografia, uma vez que se trata do primeiro trabalho que não inclui composições próprias. Em vez disso, Cidreira revisita a obra do sambista Ederaldo Gentil, que faleceu em 2012, apresentando um total de 11 faixas que celebram o legado musical deste artista.
A sonoridade do samba presente no álbum cativou Cidreira desde sua juventude, quando começou a explorar a rica tradição musical da Bahia. “Não é o samba chula de Santo Amaro da Purificação, mas traz uma forte conexão com o candomblé”, comentou o cantor, referindo-se às características das músicas de Gentil. Durante sua adolescência, ele começou a frequentar rodas de samba em Salvador, onde teve a oportunidade de conhecer mais sobre a história de Ederaldo através dos relatos de outros sambistas.
O percurso artístico de Giovani passou por diversas influências até que ele decidiu retornar à obra de Gentil. Após lançar seu álbum Japanese Food (2017), sua relação com as composições do sambista oscilou entre idas e vindas. O retorno mais significativo ocorreu após o lançamento de uma coletânea que reune as obras de Ederaldo, produzida por Luisão Pereira, sobrinho do sambista. “Descobri facetas do Ederaldo que não conhecia antes”, revelou Cidreira.
A ideia de gravar um disco dedicado a Gentil surgiu após uma sugestão da diretora artística Renata Gatha durante um período em que Cidreira enfrentava dificuldades criativas. “Ela me disse: ‘Gio, vamos gravar um disco sobre Ederaldo Gentil’. Na hora pensei: ‘Por que eu nunca pensei nisso?’.” Além do álbum, uma produção documental sobre a vida e obra de Ederaldo também está em andamento, com direção de Safira Moreira.
Cidreira já havia interpretado canções como “Provinciano” e “Identidade” anteriormente, mas o processo de seleção para o novo repertório foi mais profundo. “Para mim, a releitura precisa ser tão intensa que a música se torna parte de mim”, explicou. A primeira faixa escolhida foi “O Samba e Você”, que ele reimaginou em um novo andamento.
O cantor optou por selecionar músicas que ressoassem pessoalmente com ele e contou com o auxílio de seu primo Filipe Castro e Mahal Pita na produção musical. Juntos, eles moldaram os arranjos das canções. Por exemplo, a canção “Rose” ganhou uma nova interpretação que se aproxima do estilo de Roberto Carlos, segundo orientações de Castro.
Outra faixa transformada foi “Provinciano”, que agora incorpora elementos da zabumba e do triângulo. A canção “Feira do Rolo” recebeu uma nova perspectiva sob a orientação de Mahal Pita, trazendo à tona narrativas profundas relacionadas à realidade social contemporânea.
Durante o processo criativo, Cidreira relatou ter encontrado alívio emocional e físico através da música. Ele adotou hábitos saudáveis e mergulhou em gêneros musicais que elevavam sua energia. “Esse repertório me salvou da depressão”, compartilhou.
O artista destacou ainda a importância das colaborações no álbum, reunindo grandes nomes da música brasileira. Entre os convidados estão Vandal, cuja conexão geográfica com Cidreira e Ederaldo traz um elemento significativo para o projeto; Josyara, responsável por um novo arranjo para “O Rei”; e Céu, cuja participação foi uma grata surpresa para Giovani.
O projeto também contou com a contribuição especial de Alice Caymmi e Danilo Caymmi. Para Giovani Cidreira, homenagear Ederaldo Gentil vai além da música; é uma questão de justiça cultural e reconhecimento do valor dos artistas que moldaram a identidade musical da Bahia. Ao levar adiante este legado, ele reafirma a importância da preservação da memória artística no cenário brasileiro.