Gilmar Mendes reitera não ter mantido contato com Bolsonaro recentemente

Ministro do STF destaca atuação como interlocutor e comenta menções em relatório da PF envolvendo Bolsonaro

Crédito: Carlos Moura/STF

Nesta segunda-feira (25), o ministro Gilmar Mendes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), negou quaisquer conversas recentes com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Contudo, ele mencionou que tem sido procurado por representantes de diversos espectros políticos ao longo do tempo, destacando seu papel como interlocutor no cenário político brasileiro.

O contexto da declaração de Mendes se dá em meio a um relatório da Polícia Federal que pede o indiciamento de Bolsonaro e de seu filho, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por suposta obstrução ao julgamento relacionado a alegações de uma tentativa de golpe. Nesse relatório, foram reveladas mensagens entre pai e filho, onde o ex-presidente sugere que Eduardo evite críticas a Gilmar Mendes durante suas comunicações públicas.

“Não conversei com Bolsonaro recentemente; no entanto, tive várias interações no passado. Recebo interlocutores de todas as esferas políticas há bastante tempo. Assim sendo, não existe nenhuma conversa atual entre mim e o presidente”, afirmou Gilmar Mendes.

O ministro especulou sobre a razão pela qual Bolsonaro teria sugerido que não houvesse críticas dirigidas a ele, considerando que seu histórico de diálogo o torna uma figura acessível para discussões políticas. Essa declaração foi feita após sua participação em um evento empresarial promovido pelo grupo Esfera Brasil em um hotel na zona sul de São Paulo.

No relatório da Polícia Federal, Gilmar Mendes e o ministro André Mendonça foram mencionados em trechos que indicam a preocupação de Bolsonaro com possíveis repercussões legais. Em uma conversa registrada, o ex-presidente pediu ao filho que evitasse compartilhar críticas contra Mendes e mencionou interações com membros do STF que expressaram apreensão sobre sanções que poderiam ser impostas.

No último sábado (23), foi informado que os ministros do Supremo optaram por não comentar sobre referências feitas a eles nas conversas entre Jair e Eduardo. Os gabinetes dos 11 ministros foram consultados sobre encontros ou contatos com Bolsonaro ou seus aliados, mas a corte manteve silêncio sobre o caso, que ainda está em trâmite

Além disso, durante seu pronunciamento, Gilmar Mendes abordou um recente desentendimento público entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Na última sexta-feira (22), em um evento empresarial realizado no Rio de Janeiro, Mendonça enfatizou a necessidade de autocontenção por parte do Judiciário, enquanto Moraes respondeu afirmando que apenas em regimes autocráticos é permitido aos governantes exercer liberdade sem responsabilidades.

Mendes defendeu a importância da unidade dentro da corte e a manutenção da institucionalidade do STF. Ele destacou que, apesar das divergências, o tribunal tem sido reconhecido internacionalmente como uma das cortes mais respeitadas e poderosas do mundo.

Pouco antes da palestra do ministro Gilmar Mendes, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, fez declarações à imprensa sobre sua intenção de apresentar um novo recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) visando reverter a inelegibilidade imposta a Jair Bolsonaro. Valdemar baseou sua afirmação na expectativa de que o ministro Kassio Nunes Marques, indicado por Bolsonaro, assumirá a presidência da corte em 2026.

Em resposta à questão levantada sobre o tema, Mendes se absteve de emitir juízos sobre as declarações de Costa Neto. Ele ressaltou que considera a decisão do TSE sobre a inelegibilidade definitiva, com apenas algumas pendências no STF relacionadas ao assunto

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 25/08/2025
  • Fonte: Fever