Gilmar liga Bolsonaro a plano de assassinato no 2º dia de julgamento
Ministro aponta indícios de que ele teria apoiado plano de assassinato de autoridades, segundo a PGR
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 03/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro Liberdade
Durante um evento realizado em Roma nesta quarta-feira (3), o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), trouxe à tona questões preocupantes sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que há indícios de que ele teria dado apoio a um plano para assassinar autoridades, conforme denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no contexto de uma tentativa de golpe.
A declaração foi feita no âmbito de uma cerimônia que discutiu a relação entre Justiça e democracia no Brasil e na Itália, coincidentemente enquanto a Primeira Turma do STF analisava as evidências sobre o golpe.
Mendes enfatizou os ataques direcionados ao STF e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por parte de Bolsonaro e seus apoiadores, ressaltando a capacidade do Poder Judiciário em enfrentar essas ameaças. Ele descreveu o esquema golpista, denominado “Punhal Verde e Amarelo“, como um plano complexo que envolvia figuras chave do governo e membros das Forças Armadas, que supostamente contava com a anuência do então presidente da República.
“Foi descoberto pela Polícia Federal um detalhado e engenhoso plano golpista intitulado Punhal Verde e Amarelo, urdido por figuras proeminentes do governo e por militares do alto escalão – ao que tudo indica com o beneplácito do presidente da República – que previa uma série de ações coordenadas para a tomada do poder, incluindo detenção e assassinato de autoridades”, declarou o ministro.
A PGR apontou que o plano foi elaborado pelo general da reserva Mário Fernandes, ex-secretário da Presidência, e que recebeu apoio de Bolsonaro durante uma reunião no Palácio da Alvorada em dezembro. Essa afirmação vai além das conclusões da Polícia Federal, que apenas indicou que o ex-presidente tinha ciência das intenções contidas no “Punhal Verde e Amarelo”.
A defesa de Bolsonaro refuta essas alegações, argumentando que não existem provas concretas que estabeleçam um vínculo entre ele e o plano criminoso. O advogado Celso Vilardi, em declarações recentes, afirmou: “Não há uma única prova que vincule o presidente ao Punhal Verde e Amarelo, Operação Luneta e 8 de Janeiro. Nem o delator chegou a afirmar qualquer participação dele nesses eventos”.
Em sua fala na capital italiana, Mendes reiterou a importância da responsabilização dos envolvidos para evitar recorrências desse tipo de situação no futuro. Ele defendeu a legitimidade das ações do Estado brasileiro no enfrentamento da ameaça golpista, ressaltando que as instituições permaneceram firmes na defesa da democracia brasileira.
“Esta poderia ter sido a história de uma debacle, da ruína da democracia brasileira e do mergulho no obscurantismo. Mas, graças à atuação firme das nossas instituições, em especial do Poder Judiciário, ela resistiu e está de pé, mais viva e forte do que nunca”, concluiu Gilmar Mendes.
Além disso, o decano do Supremo sugeriu uma colaboração entre Brasil e Itália para proteger o Estado democrático de Direito contra os adversários da democracia, os quais estariam formando redes internacionais para desestabilizar os sistemas constitucionais.
O ministro também mencionou as “agressões inconcebíveis” sofridas pelo Brasil provenientes de um governo estrangeiro, referindo-se às tarifas impostas pelos Estados Unidos e às sanções financeiras direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes. Ele elogiou Moraes pela coragem demonstrada durante o processo contra Bolsonaro, afirmando que ele merece total respeito e apoio.
“Essa mesma Corte não haverá de submeter-se agora e está preparada para enfrentar todas as ameaças contra si e sua independência”, finalizou Mendes.