Geraldo Alckmin ganha destaque na negociação do tarifaço com o setor de indústrias
Geraldo Alckmin brilha nas negociações Brasil-EUA, enfrentando tarifas e tensões com habilidade e experiência, conquistando elogios de líderes e empresários.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 02/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, tem se destacado como figura central nas interações do Brasil com os Estados Unidos, especialmente diante das recentes tensões comerciais provocadas por tarifas impostas pelo governo americano.
Com a recente implementação de uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, a habilidade de Alckmin em negociar tornou-se um recurso vital para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. As partes interessadas esperam que ele consiga ampliar a lista de exceções, que atualmente abrange cerca de 700 itens.
Logo após a posse do presidente Donald Trump, Alckmin foi nomeado como o principal articulador das relações comerciais entre o Brasil e os EUA. De acordo com fontes do governo, sua relação direta com Lula e sua capacidade de diálogo com o setor privado conferem-lhe uma legitimidade ímpar em seu papel.
No mês de março, Alckmin participou de uma videoconferência com Howard Lutnick, secretário de Comércio dos EUA, que também contou com a presença do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Esta conversa foi parte de uma estratégia elaborada pelo governo brasileiro para evitar que o país fosse afetado pelas tarifas impostas por Trump.
As negociações retomaram ritmo em julho, próximo à confirmação do aumento das alíquotas. Durante este período, Alckmin intensificou suas reuniões com representantes de diversos setores, incluindo indústria, agronegócio e tecnologia, além de se tornar mais acessível à imprensa.
Em um evento realizado em Osasco (SP), Lula elogiou a postura negociadora de Alckmin, descrevendo-o como um político calmo e experiente. “Ele é um negociador excepcional; prefere dialogar a fazer exigências”, afirmou o presidente.
Nos dez dias seguintes à sua primeira conversa com Lutnick, Alckmin teve outra reunião na qual foi solicitado que um conselheiro do secretário participasse de um encontro do governo brasileiro com as grandes empresas de tecnologia.
No dia 30 de agosto, Trump oficializou a aplicação da sobretaxa de 50% sobre diversos produtos brasileiros. Enquanto alguns itens como derivados de petróleo e suco de laranja ficaram isentos da taxação, outros como carnes e café foram incluídos na lista afetada.
A avaliação entre os assessores de Lula é que as negociações foram dificultadas pela falta de um canal direto entre o governo brasileiro e a Casa Branca, que detém a decisão final sobre as tarifas.
Um dia após a assinatura da ordem executiva por Trump, Alckmin destacou em entrevista ao programa Mais Você que as conversas com os EUA estavam apenas começando. Ao ser questionado sobre os próximos passos na negociação, ele comentou descontraidamente: “Minha especialidade é anestesia”.
Os elogios à capacidade negociadora de Alckmin foram reiterados por mais de 20 interlocutores ouvidos pela Folha. Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer, descreveu-o como um gestor experiente e receptivo às demandas do setor privado. “Alckmin demonstrou total comprometimento desde o início” nas discussões sobre as tarifas e sua atuação reflete um esforço significativo para garantir exceções benéficas ao Brasil.
A confiança em Alckmin não se limita aos setores beneficiados pelas exceções; mesmo aqueles que enfrentam dificuldades nas tarifas manifestam otimismo quanto à sua habilidade negocial. Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), sublinhou que as reuniões têm sido essenciais para fornecer suporte técnico ao governo nas negociações.
Salesio Nuhs, CEO da Taurus, destacou a experiência adquirida por Alckmin enquanto governador de São Paulo e afirmou que sua expertise facilita o diálogo. Ele também enfatizou a competência da equipe técnica que acompanha o vice-presidente durante as negociações.
Flávio Roscoe, presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), elogiou Alckmin como um negociador habilidoso e amigável. Para Roscoe, “Alckmin não é o problema; ele é parte da solução” no atual cenário desafiador das relações Brasil-EUA.
No contexto internacional mais amplo, Lula comparou Trump a um imperador durante a cúpula do Brics no Rio. Em uma entrevista ao The New York Times antes da imposição das tarifas, Lula declarou que “seriedade não implica em subserviência”.
Roscoe acredita que a lista de exceções pode refletir interesses americanos específicos, mas vê em Alckmin uma figura essencial para apaziguar as tensões. Jorge Gonçalves Filho, presidente do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo), também elogiou a abordagem equilibrada e amigável do vice-presidente nas negociações.
A legitimidade política e a capacidade de diálogo demonstradas por Alckmin são reconhecidas até mesmo por membros da oposição ao governo Lula. Recentemente, uma reunião entre governadores e o vice-presidente foi cancelada não por resistência a ele pessoalmente, mas devido ao ceticismo sobre a possibilidade de resolução para as questões tarifárias.
A atual crise tarifária elevou o perfil público de Alckmin e fortaleceu sua posição dentro da administração Lula. Contudo, aliados alertam que ainda há tempo até 2026 para que o cenário político mude significativamente.