Até 2030, Geração Z será maioria entre profissionais no mundo
Jovens pedem propósito, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, mas enfrentam concorrência acirrada e barreiras de experiência no mercado.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 03/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
A Geração Z, formada por pessoas entre 16 e 30 anos em 2025, já é protagonista de grandes transformações no mundo do trabalho. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, até 2030 esse grupo representará 58% da força de trabalho global.
Nascida em um cenário marcado pela hiperconexão, digitalização e mudanças sociais aceleradas, essa geração apresenta demandas próprias. A busca por equilíbrio, oportunidades reais de crescimento e responsabilidade social das empresas são prioridades que desafiam líderes a repensarem suas práticas.
O que a Geração Z espera das empresas
Um estudo da The National Society of High School Scholars (NSHSS) revelou que 28% dos jovens consideram o tratamento justo entre funcionários como prioridade, seguido do equilíbrio entre vida pessoal e profissional (25%) e da responsabilidade social corporativa (14%).
Além disso, 86% valorizam oportunidades de desenvolvimento profissional, e 63% apontam o tempo livre remunerado como essencial. A pesquisa também destaca um dado importante: 59% acreditam que a inteligência artificial trará mais impactos negativos do que positivos nos próximos dez anos, e 62% temem a substituição de empregos pela automação.
Esses números revelam uma geração crítica, atenta e exigente quanto às condições oferecidas pelas empresas.
A visão dos jovens sobre o mercado
As falas dos próprios integrantes da Geração Z ajudam a entender essa realidade.
Para Luca Giraldi, 17 anos, estudante da Etec Júlio de Mesquita, a ideia de que a juventude não quer trabalhar não corresponde ao que ele vê no dia a dia. “Eu acho que, como o que o pessoal fala da geração Z ser preguiçosa, é uma visão muito arcaica e ultrapassada. Hoje em dia a gente tem mais tecnologia, mas costuma trabalhar mais”.
A estudante de TI Jéssica, 19 anos, concorda que há esforço, mas ressalta a dificuldade de se destacar: “Hoje em dia você precisa ter um diferencial para conseguir trabalhar. Inglês não é mais um diferencial, é essencial. E muita gente não teve oportunidade de aprender por causa da pandemia”.
Já Ana Caroline, 18 anos, destaca que as oportunidades existem, especialmente para aprendizes, mas que falta iniciativa para alguns: “Não faltam oportunidades, só falta mesmo a vontade de começar e de ir atrás”.
O impacto da pandemia na formação
A pandemia de Covid-19 também deixou marcas profundas na formação desses jovens. Ana Laura, 18 anos, relembra: “Eu fazia um curso de espanhol, mas os dois anos de pandemia me deixaram travada. O que poderia ter agregado no meu currículo não ajudou muito”.
Ela conseguiu entrar em uma concessionária como jovem aprendiz, mas reconhece que a falta de experiências básicas exigidas dificulta a inserção. “Sempre pedem pelo menos uma experiência mínima, o que torna mais difícil arrumar emprego sem apoio de programas de aprendizagem”.
Exigência versus oportunidade
Pedro Augusto, 17 anos, também estudante da Etec, reforça que as melhores oportunidades estão ligadas à qualificação. “Hoje em dia, para ter um salário acima da média, você precisa saber muitas coisas, como Excel e inglês, que antes não eram exigidos. Mas sobra bastante emprego, sim, só que os melhores são mais concorridos”.
Na mesma linha, Angélica, 19 anos, observa que os empregos existem, mas que nem sempre oferecem remuneração justa: “Só não trabalha quem não quer. Mas tem empresas que exploram muito os funcionários. Eu, por exemplo, recebo menos que um salário mínimo”.
Sua colega Adriele, 20 anos, complementa: “Muitas empresas exigem experiência e não dão abertura para quem está começando. Sem benefícios melhores, muitas vezes não vale a pena”.
Preguiça ou mudança de visão?
A ideia de que a Geração Z seria “preguiçosa” divide opiniões, mas a maioria dos entrevistados vê isso como preconceito ou estereótipo repetido ao longo das gerações.
Amanda, 25 anos, é categórica: “Não é que a geração Z seja preguiçosa, a visão mudou. O olhar que a geração Z tem de trabalho não é o mesmo que as outras gerações tinham”.
Já Cristiane, 52 anos, mãe de uma jovem da geração, defende: “Não acho que são preguiçosos, é falta de oportunidade. São muito mais dedicados aos estudos, mas não há vagas suficientes”.
Empresas precisam se adaptar
As companhias já entendem que atrair e reter talentos da Geração Z é um desafio crescente. O Guia Salarial 2025, da Michael Page, mostra que 51% das empresas oferecem oportunidades de aprendizado e desenvolvimento, enquanto 44% apostam em pacotes competitivos de benefícios e 38% investem na reputação da marca.
Ainda assim, 66% dos líderes relatam dificuldade em reter profissionais por causa da concorrência salarial, e 34% reconhecem a falta de oportunidades internas de crescimento como fator de risco.
Desafios e perspectivas
Com a previsão de que a Geração Z represente mais da metade da força de trabalho até 2030, o mercado já se reorganiza para atender às novas demandas. Pesquisas apontam que flexibilidade, benefícios justos e oportunidades de desenvolvimento são pontos decisivos para a permanência dos jovens nas empresas.
Enquanto isso, os próprios integrantes da geração relatam experiências que vão da dificuldade de inserção à constatação de que as oportunidades estão disponíveis, mas exigem cada vez mais qualificação. Entre críticas sobre suposta preguiça e a defesa de que se trata apenas de uma mudança de visão sobre o trabalho, a presença da Geração Z continua crescendo e moldando o futuro do mercado profissional.