Gás Natural em Veículos: Pedidos despencam 64% em São Paulo
Dados do Detran-SP mostram que o interesse em utilizar gás natural em veículos (GNV) está em forte declínio no estado e na capital, reduzindo a frota ativa.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 18/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Gás natural em veículos (GNV) já foi visto como a principal alternativa econômica para muitos motoristas, mas está perdendo espaço nas prioridades do cidadão paulista. De acordo com informações do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP), o número de pedidos para a inclusão de gás natural em veículos tem apresentado uma queda acentuada nos últimos anos.
As estatísticas são impressionantes: em 2021, as solicitações para a conversão para GNV em todo o Estado atingiram quase 10.000. No ano passado, esse número despencou para cerca de 2.500, uma redução de 75%. A tendência de queda continua em 2025: até outubro, o Detran-SP recebeu 1.254 pedidos, um volume que é 64% abaixo do registrado cinco anos atrás.
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Frota ativa de veículos a GNV encolhe
A menor procura pela inclusão de gás natural em veículos naturalmente reflete na frota circulante. A quantidade de carros e motos com a opção de abastecimento a GNV está encolhendo ano a ano. Em 2020, o Estado de São Paulo possuía 215.450 veículos com essa modalidade de abastecimento. Em 2023, o número já havia caído para 182.452. O valor atual de 142.587 veículos representa um recuo de 34% no período.

A capital paulista acompanha essa retração. A frota de veículos adaptados para gás natural em veículos na cidade de São Paulo caiu de 88.300 em 2020 para 59.019 em outubro deste ano, registrando uma retração de 33%.
O fator financeiro e a desistência dos motoristas
Motoristas profissionais, que historicamente foram os maiores usuários de GNV, estão abandonando o combustível. Maicon Silva, taxista por dez anos, é um exemplo dessa mudança. Ele utilizou o GNV a partir de 2021, mas reverteu a adaptação no início deste ano, alegando que o retorno financeiro não compensava mais o investimento.
“Com a alta no preço do gás, hoje está compensando mais usar etanol, porque a economia ficou pequena frente ao investimento para adaptar o carro,” afirma Maicon. Ele também destaca a desvantagem do espaço: “Além disso, o kit necessário para o abastecimento a gás ocupa grande parte do porta-malas do automóvel, e nós, taxistas, rodamos bastante, usamos a mala e trocamos de carro com frequência.”
O taxista ainda relata uma percepção comum na categoria: “Outro dia, o frentista do posto onde eu abastecia com GNV comentou que muitos taxistas, quando trocam de veículo, não querem mais saber do gás natural.” A busca por gás natural em veículos na capital também reflete esse desinteresse: em 2024, o volume de solicitações ficou em apenas 946. Até o final de outubro, foram 691 pedidos, um número que consolida a tendência de queda.