Game of Togas: o julgamento de Bolsonaro na maior novela do país
Bolsonaro foge da cena, STF faz novela e o país assiste, sem saber se ri ou chora
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 03/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Pipoca estourando, zap fervendo, timeline em transe. Brasília decidiu que vai entregar entretenimento — e de graça, no streaming nacional. De uma hora pra outra, virou bom negócio ter: caipirinha em uma mão, controle remoto na outra e geral sintonizado na TV Senado, que agora virou a nova Netflix do brasileiro. Não estamos diante de um julgamento: é um folhetim tropical escrito a seis mãos por Manoel Carlos, Glória Perez e Aguinaldo Silva. Tem tudo: drama íntimo, conspiração internacional, vilões caricatos, mocinhos improváveis e reviravoltas dignas de corte seco para o intervalo — e como brasileiro adora uma boa novela das oito, a gente assiste, comenta, compartilha… e, no fim, ainda finge surpresa quando tudo termina igual — oooou será que não?!
Cinismo em Cápsulas – 1/4
Manoel Carlos ficaria orgulhoso da mise-en-scène: ministros com falas longas, pausadas, que parecem confessionais do Leblon, só faltando uma Helena ansiosa tomando café olhando o mar. Glória Perez traria os capítulos paralelos, cada um revelando um complô novo, do quartel ao Telegram, com escala dramática de novela que promete atravessar fusos horários. E Aguinaldo Silva entraria com os vilões de fala ensaiada, o exagero na entonação e a trilha sonora carregada, como se a próxima frase de Moraes merecesse um bordão próprio.
Nas mesas de bar, o assunto não é mais se vai dar golpe — é se o golpe vai ganhar temporada extra. Nos grupos de família, a expectativa briga com o CAPS LOCK: metade grita “PERSEGUIÇÃO”, a outra metade pede “CADEIA” em caixa alta.
Por essa razão que nasceram esses drops diários: pra debochar de quem debocha da gente, assim, vamos acompanhar em forma de escárnio, bastidores e anedotas em meio a rotina desses malucos, durante todo o julgamento. Aqui, não há espaço pra sisudez, nosso compromisso é com a risada constrangida, essa sim — prerrogativa da mais pura verdade, quase tragicômica. Nossa missão é simples: dramatizar o ridículo e transformar golpe em troca, ata em piada, ameaça institucional em diálogo de sitcom. É assim que Brasília tenta ser épica, e a gente traduz como comédia de situação.
Prepare-se: a novela começou. E, como toda boa produção brasileira, prometem que acaba nesta sexta-feira… mas a gente finge que acredita.
Dito isto, que se abram as cortinas, e que entre o próximo capítulo que ninguém pediu, e todo mundo torce para poder assistir. Então prepare a pipoca. Aqui, spoiler não só é permitido — é obrigatório.
Games of Togas

Falaremos sobre o julgamento mais longo do país, feito novela sem capítulo final, onde cada voto (em)cena, em cada silêncio (sus)penso nas cabeças que (re)batem em falas que (re)voltam como lâminas.
Brasília amanheceu com cheiro de pipoca na panela, cerveja gelando e um país inteiro parando diante da TV. Não era final de Copa, mas parecia. Só que, em vez de Romário e Bebeto, o elenco agora veste toga, tornozeleira e gravata. O Supremo abriu cortinas, o Brasil se sentou no sofá — pipoca numa mão, indignação na outra.
A Primeira Turma do STF escala um elenco digno de novela das nove: Alexandre de Moraes, o protagonista absoluto, dono do olhar que antecipa spoilers; Cármen Lúcia, fala mansa com corte preciso; Cristiano Zanin, estreando como galã constitucional; Luiz Fux, expressão de quem já leu o último capítulo; e Flávio Dino, novato faminto por cena. O enredo poderia ter a assinatura coletiva de Manoel Carlos, Glória Perez e Aguinaldo Silva: drama íntimo, conspiração internacional e vilões caricatos. Brasília não escreve finais — prefere reprises maquiadas.
9h, cortinas abertas. Zanin inaugura o episódio. Moraes lê o relatório como quem apresenta teaser: investigação, denúncia, instrução — o clímax já está armado. Paulo Gonet sobe ao palco sem economizar na lâmina: chamou o plano de “espantoso e tenebroso” e disparou a frase que virou bordão do capítulo:
“Quando o presidente e o ministro da Defesa se reúnem com comandantes militares para discutir a fase final do golpe, o golpe já está em curso.”
Nada de ensaio. Estreia nacional. Bolsonaro não apareceu. A defesa alegou “problema de saúde”. Tradução: melhor não dar close na tornozeleira. Virou figurante da própria novela — só faltou a trilha dramática de Aguinaldo Silva para anunciar a virada de personagem.
No plenário, silêncio denso. Tornozeleiras apitam mais alto que zap de madrugada. Moraes, o “Xandão”, aproveita o clima e solta outra fala com corte seco:
“Impunidade, omissão e covardia não pacificam. Corroem a democracia.”
Foi aí que Gonet resolveu puxar o replay de 7 de setembro, como quem rebobina VHS: Bolsonaro, inflamado no palanque, mandando recado direto pra Fux — “Ou o chefe desse Poder enquadra os seus, ou esse Poder pode sofrer aquilo que nós não queremos.”
Gonet nem piscou. Virou o rosto, lançou aquela olhadinha afiada para Fux e, com a calma de quem sabe o peso da cena, soltou a lâmina: “Essa fala não pode ser confundida com um arroubo isolado. Era roteiro. Expunha o projeto autoritário.” Cena de novela, com direito a close dramático e trilha imaginária de suspense. Só faltou um “continua no próximo capítulo” piscando no canto da tela ao mencionar que: “quando o presidente e o ministro da Defesa se reúnem com comandantes militares para discutir a fase final do golpe, o “golpe” já está em curso”.
Enquanto isso, nos bastidores, Brasília encena uma trama digna de Glória Perez: advogados ensaiam falas, defensores vendem conspiração como “meeting patriótico” e minuta de golpe vira “plano alternativo”. Aqui, até workshop tem roteiro oculto.
À tarde, Mauro Cid, delator deluxe, assume o palco. Gonet já havia colocado o peso das evidências na mesa: minuta de golpe, conversas sobre assassinatos de Lula e Moraes, manipulação de urnas e desinformação organizada. A defesa responde com narrativa novelesca: chama tudo de lawfare, diz que o pedido de asilo era só “rascunho” e apela à liberdade de expressão.
Do outro lado do planeta, Trump aparece como figurante que morreu internacionalmente: o boato ganhou força mais forte da afirmação maluco de meses atrás, de que o julgamento seria um “caça às bruxas”, e que ameaçaria retaliar nos bastidores diplomáticos. Por aqui o STF tem respondido com votos firmes e segurança reforçada. Corte seco. Fade. Vinheta. Intervalo.
Se condenado, Bolsonaro pode pegar mais de 30 anos e sair de cena antes de 2026. A novela continua, mas talvez a próxima temporada venha sem protagonista. Enquanto isso, a plateia divide-se entre “perseguição!” e “cadeia já!”. No meio, o Brasil real confere o preço do tomate. Spoiler: não baixou. Nem vai.

Tiveram mais participantes, mas por hora, não passam de figurantes, nada tão interessante como o núcleo principal da novela. E no fundo, o julgamento revela o que Brasília faz de melhor: tramas que nunca terminam, vilões reciclados, spin-offs eternos e escândalos remasterizados. O Brasil é a novela das nove da política: cobra caro, entrega pouco e nunca libera o último capítulo — mesmo quando juram que acaba na sexta. Porque a gente sabe: em Brasília, sexta-feira é só mais um “continua na próxima temporada”.
Por fim, a expectativa cresceu: a previsão é que o julgamento termine até 12 de setembro. Mas, como toda boa produção brasileira, ninguém acredita. Se prometeram que acaba na sexta, prepare-se para maratonar a temporada inteira.
E quanto a nós, seguimos acreditando que influenciamos o roteiro, que temos voz na trama. Mas, no fim das contas, estamos mais para Tufão: enganados, traídos pelo enredo e ainda assim convictos de que somos protagonistas — quando, na verdade, não passamos de meros coadjuvantes de nossa própria novela.
João Pedro Mello

𝐏𝐞𝐫𝐟𝐢𝐥 𝐞𝐦 𝐕𝐞𝐫𝐬𝐨𝐬: à 𝐥𝐚 𝐋𝐞𝐦𝐢𝐧𝐬𝐤𝐢 (𝐉. 𝐌𝐞𝐥𝐥𝐨)
𝘌𝘯𝘵𝘳𝘦 𝘱𝘢𝘭𝘢𝘷𝘳𝘢𝘴, 𝘵𝘦𝘭𝘢𝘴 𝘦 𝘴𝘢𝘶𝘥𝘢𝘥𝘦𝘴 (𝘦)𝘵𝘦𝘳𝘯𝘢𝘴
𝚅𝚒𝚟𝚎 𝚍𝚎 𝚙á𝚐𝚒𝚗𝚊𝚜, 𝚍𝚎 𝚕𝚒𝚗𝚑𝚊𝚜 𝚎𝚖 𝚋𝚛𝚊𝚗𝚌𝚘,
𝚓𝚘𝚛𝚗𝚊𝚕𝚒𝚜𝚝𝚊 𝚏𝚘𝚛𝚖𝚊𝚍𝚘 𝚗𝚊 𝚏𝚘𝚖𝚎 𝚍𝚘 𝚎𝚗𝚌𝚊𝚗𝚝𝚘.
𝚎𝚜𝚌𝚛𝚎𝚟𝚎 — 𝚙𝚊𝚛𝚊 𝚘𝚞𝚝𝚛𝚘𝚜, 𝚙𝚊𝚛𝚊 𝚜𝚒 𝚎 𝚙𝚊𝚛𝚊 𝚘 𝚝𝚎𝚖𝚙𝚘 𝚚𝚞𝚎 𝚙𝚊𝚜𝚜𝚊,
𝚝𝚊𝚕𝚟𝚎𝚣 𝚗ã𝚘 𝚙𝚛𝚘𝚌𝚞𝚛𝚎 𝚜𝚎𝚛 𝚜𝚊𝚗𝚝𝚘 𝚎𝚖 𝚌𝚊𝚜𝚝𝚎𝚕𝚘 𝚍𝚎 𝚐𝚛𝚊ç𝚊.
𝚝𝚊𝚕𝚟𝚎𝚣 𝚜ó 𝚜𝚎 𝚙𝚎𝚛𝚌𝚊 𝚎𝚖 𝚙𝚊𝚕𝚊𝚟𝚛𝚊𝚜 𝚍𝚎 𝚙𝚛𝚊𝚗𝚝𝚘 𝚊𝚖𝚊𝚛(𝚎𝚕𝚘) 𝚍𝚊𝚜 𝚝𝚛𝚊ç𝚊𝚜
𝙳𝚎 𝚋𝚊𝚗𝚍𝚊𝚜, 𝚙𝚛𝚘𝚓𝚎𝚝𝚘𝚜, 𝚙𝚘𝚎𝚝𝚊 𝚎𝚖 𝚙𝚘𝚎𝚒𝚛𝚊,
𝚍𝚎 𝚋𝚕𝚘𝚐𝚜, 𝚗𝚘𝚝í𝚌𝚒𝚊𝚜, 𝚍𝚎 𝚛á𝚍𝚒𝚘 𝚎𝚖 𝚋𝚎𝚜𝚝𝚎𝚒𝚛𝚊
𝚊𝚜𝚜𝚎𝚜𝚜𝚘𝚛 𝚍𝚎 𝚏𝚘𝚗𝚎𝚖𝚊𝚜 𝚎𝚖 𝚙𝚘𝚍 (𝚜𝚎𝚖) 𝚌𝚊𝚜𝚝 𝚟𝚒𝚟𝚒𝚊,
𝚌𝚒𝚗𝚎𝚖𝚊 𝚙𝚞𝚕𝚜𝚊𝚗𝚝𝚎 𝚗𝚘 𝚙𝚎𝚒𝚝𝚘 𝚎𝚖 𝚌𝚊𝚍𝚎𝚒𝚛𝚊 𝚟𝚊𝚣𝚒𝚊.
𝚊𝚜𝚜𝚎𝚜𝚜𝚘𝚛 𝚍𝚎 𝚏𝚘𝚗𝚎𝚖𝚊𝚜 𝚎 𝚗𝚎𝚕𝚎 𝚎𝚍𝚒𝚝𝚊𝚟𝚊 𝚎𝚖 𝚙𝚒𝚗𝚌𝚎𝚕
𝚙𝚊𝚕𝚊𝚍𝚒𝚗𝚊𝚟𝚊 𝚗𝚊𝚜 𝚕𝚎𝚝𝚛𝚊𝚜, 𝚊𝚛𝚖𝚊𝚍𝚞𝚛𝚊 𝚎𝚖 𝚙𝚊𝚙𝚎𝚕,
𝚂𝚎 𝚏𝚎𝚣 𝚜𝚎𝚖 𝚝𝚛𝚘𝚏é𝚞, 𝚌𝚘𝚖 𝚖𝚒𝚜𝚝𝚘 𝚍𝚎 𝚏𝚎𝚕, 𝚌𝚑𝚎𝚐𝚊𝚍𝚊 𝚎𝚖 𝚕𝚒𝚗𝚑𝚊
𝚌𝚘𝚖𝚙𝚘𝚗𝚍𝚘 𝚗𝚊 𝚏𝚛𝚊𝚜𝚎 𝚜𝚎𝚖 𝚏𝚘𝚖𝚎 𝚘𝚞 𝚖𝚊𝚍𝚛𝚒𝚗𝚑𝚊
𝚖𝚊𝚜 𝚊𝚝é 𝚚𝚞𝚊𝚗𝚍𝚘 𝚎𝚜𝚌𝚛𝚎𝚟𝚘? 𝙽ã𝚘 𝚜𝚎𝚒, 𝚗ã𝚘 𝚌𝚘𝚗𝚝𝚘.
𝚝𝚊𝚕𝚟𝚎𝚣 𝚊𝚝é 𝚖𝚘𝚛𝚛𝚎𝚛 𝚍𝚎 𝚜𝚊𝚞𝚍𝚊𝚍𝚎, 𝚝𝚊𝚕𝚟𝚎𝚣 𝚊𝚝é 𝚖𝚘𝚛𝚛𝚎𝚛 𝚍𝚎 𝚎𝚗𝚌𝚊𝚗𝚝𝚘.
𝚂𝚎𝚓𝚊 (𝚎)𝚝𝚎𝚛𝚗𝚘. 𝚂𝚎𝚖𝚙𝚛𝚎