O Segundo Ato: Fux encena voto no julgamento de Bolsonaro no STF

Entre metáforas e contradições, Luiz Fux cria narrativa paralela que absolve Bolsonaro e reacende debate sobre os rumos do Supremo

Crédito: Imagem gerada por IA via ChatGPT (OpenAI)

Luiz Fux entrou no plenário do julgamento de Bolsonaro como quem abre a porta errada no teatro certo. Brasília olhou, prendeu a respiração… e ele apareceu com uma cartola imaginária. O voto, que poderia ser técnico, virou performance: um PowerPoint falado de terno, gravata e um medo — que a lei Magnitsky o impeça de comprar perucas no exterior.

Enquanto Moraes vinha com o rolo compressor e Dino com o bisturi jurídico, Fux vestiu a fantasia de Mágico de Oz. Criou um mundo paralelo, com seus próprios truques, fumaça e cortinas fechadas. Na sua realidade, sem arma de fogo, não existe organização criminosa. Ponto. E, no mesmo fôlego, absolveu réus dessa acusação — inclusive Bolsonaro, claro.

Fux e a cartola do Mágico de Oz

A cada citação, Fux ia escorregando mais fundo na toca do coelho. “Eu já firmei que não se pode fundamentar decisão com base em soberania nacional, afirmando que poderia haver ameaça”, disse, como quem entrega uma chave dourada para advogados ansiosos. No PowerPoint mental de Fux, a segurança nacional é um botão “mute” — ele mesmo decide quando a ameaça vale ou não.

Luiz Fux - Julgamento de Bolsonaro no STF
Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

E foi além. Lembrou o mensalão, chamou aquilo de “ataque à democracia”, e usou a definição como peça de teatro: organização criminosa não é encontro eventual, é uma sociedade com objetivos indefinidos e crimes sem data de validade. Uma definição técnica, mas com aplicação seletiva: serviu para empurrar o crime de organização criminosa para fora do roteiro — desde que o protagonista fosse o capitão.

O Kansas jurídico de Fux

Enquanto o plenário acompanhava em silêncio, parecia que só Fux ouvia a trilha sonora da própria mente. Os colegas olhavam os autos; ele olhava para Kansas. Do outro lado do arco-íris, Bolsonaro não liderava nada, os réus eram inocentes por omissão e os PDFs do processo não passavam de slides decorativos.

Moraes ajeitou a toga, Dino coçou o queixo. Nenhum dos dois interrompeu. Sabiam que era uma viagem — um spin-off. Fux falava para os autos, mas também para os futuros recursos, como quem deixa post-its espalhados pelo caminho: “Guarde esse argumento. Vai servir depois.”

E não termina por aí: ao falar em “cerceamento de defesa” e dizer que o STF não é competente para julgar, Fux não só mexeu na narrativa interna, como entregou de bandeja munição para o arsenal de Donald Trump. Essa brecha permite que se tente internacionalizar o julgamento, invocando o estatuto dos direitos humanos — e sim, você não leu errado. E vejam vocês, caros leitores: quem te viu e quem te vê — vivemos para o dia em que se aventa a uma oportunidade de a defesa de Jair Bolsonaro and friends, peçam arrego alegando “direitos humanos”…

No Twitter jurídico do julgamento de Bolsonaro, os cortes já viralizavam: “#ChegaDePPT”. Fora do Supremo, advogados e bolsonaristas comemoravam, uns discretos, outros com emojis de foguinho. Para eles, aquele voto foi um presente com cartão assinado.

O placar do julgamento de Bolsonaro e a pausa estratégica

O placar do julgamento de Bolsonaro, por enquanto, está em 2 a 1: Moraes e Dino pela condenação, Fux num Kansas à parte. E, para alongar o suspense, ele pediu um intervalo: a sessão foi pausada, os ministros dispersaram e Brasília segurou a pipoca. Há quem diga que, se confirmar um pedido de vista, Fux pode empurrar o julgamento para 2026 — um intervalo digno de novela com temporada extra.

Ontem, aliás, Fux já havia pedido que não houvesse contraponto: queria o palco só para ele, um monólogo jurídico onde só a própria voz ecoava.

Luiz Fux - Alexandre de Moraes - Julgamento de Bolsonaro no STF
Marcelo Camargo/Agência Brasil

No fim, ficou claro: Fux não estava julgando o mesmo processo que o resto da turma. Estava encenando outro filme. No roteiro dele, não havia organização criminosa, não havia armas, não havia liderança do golpe. Havia um Kansas ensolarado, um espantalho pedindo cérebro e um leão ganhando coragem.

E assim, entre fumaça, cortinas e slides invisíveis, o voto foi proferido. Não mudou o placar, mas mexeu na narrativa. Porque, no Supremo, às vezes o barulho não vem do martelo — vem do projetor.

No fim, Brasília virou um truque de fumaça: o roteiro oficial some, os réus encolhem até virarem figurantes, o golpe evapora como se nunca tivesse existido. Fux, do alto da cabine, não só projeta outra versão — ele reescreve o filme enquanto a plateia assiste, sem saber se é drama, comédia ou ilusão.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 10/09/2025
  • Fonte: Sorria!,