Futuro das cidades está ligado ao ciclo da água, diz superintendente da Sabesp no SXSW

Para Virgínia Ribeiro, preservação desse recurso finito passa também pelo potencial de aproveitamento do esgoto

Crédito: Divulgação/Sabesp

O futuro das cidades está ligado ao ciclo da água e é preciso estar atento à preservação desse recurso e ao potencial do esgoto nesse cenário, explicou Virgínia Ribeiro, superintendente de Sustentabilidade e Governança Corporativa da Sabesp, durante o Favela Day by Gerando Falcões neste domingo (10) no South by Southwest (SXSW), maior evento de inovação do mundo, em Austin, no Texas.

No painel “Qual o futuro das cidades no novo contexto climático?” na Casa São Paulo, o espaço do governo paulista na SXSW, Virginia abordou o ciclo da água dentro do saneamento e as ações da Companhia para aproveitar o processo de tratamento de esgoto para soluções ambientais. Mediada por Eco Moliterno, CCO da Accenture Song LATAM, a sessão contou ainda com Kdu dos Anjos, CEO da Lá Favelinha e parceiro do Coletivo Levante, e Pedro Sutter, vice-presidente de Governança, Controles Internos, Riscos e Compliance da CCR.

“Ao falar de cidades e de futuro não podemos deixar de pensar no ciclo da água, como isso impacta a nossa vida. Quando aprendemos o ciclo da água na escola, temos a sensação de que ela é esse recurso de ciclo permanente e abundante. Mas, nas cidades, o ciclo começa com captação, tratamento e distribuição da água e vai até a coleta do resíduo, tratamento e devolução para a natureza”, afirmou. “A gente olha o esgoto como algo que estamos descartando, mas temos de vê-lo também como uma água em potencial, algo que no futuro pode fazer falta.”

Segundo a superintendente, a Sabesp está “olhando as estações de tratamento de esgoto” com a perspectiva de circularidade. “Queremos que todos os resíduos derivados da água tenham uma reutilização, uma reciclagem que possa diminuir o impacto humano no meio ambiente, sem falar outras questões como a redução de gases de efeito estufa”, disse.

Virgínia Ribeiro explicou que, para isso, a Companhia vem priorizando iniciativas que fechem o ciclo do saneamento e aproveitem todas as potencialidades do efluente. Citou como exemplo a geração de biogás na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Franca, usado para abastecer a frota da empresa no município; o reaproveitamento do lodo resultante do tratamento de esgoto em Botucatu para a fabricação de fertilizante orgânico; e a transformação do efluente na ETE ABC em água de reuso para abastecer o Polo Petroquímico de Capuava, evitando assim o uso de água tratada para fins industriais.

“A água é um recurso escasso, não é um ciclo fechado em si. Se a gente não se sensibilizar para olhá-la como um recurso a ser preservado e reutilizado, estaremos deixando um legado não muito saudável para as gerações futuras. Precisamos colocar isso no centro do debate climático para além da discussão sobre combustíveis fósseis e outras questões.”

AÇÕES SOCIAIS

A superintendente da Sabesp também participou, na SXSW, do painel “Transformando vidas através da Água e Saneamento: o poder da parceria entre Sabesp e Gerando Falcões”, ao lado de Nina Rentel, diretora de Tecnologias Sociais na instituição.

Além do suporte às iniciativas no projeto Favela 3D, em que a Gerando Falcões reestrutura favelas com foco na melhoria da qualidade de vida de seus moradores, ela mostrou outros programas sociais da Companhia , como o Água Legal, que desde 2016 já regularizou mais de 190 mil ligações de água em comunidades vulneráveis e foi premiado pela Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas e reconhecido pelo Banco Mundial; e as Tarifas Social e Vulnerável da Companhia, que já beneficiaram cerca de 964 mil famílias de baixa renda.

Virgínia também destacou a transformação social provocada pelo saneamento. “Numa favela, há vários problemas: violência, falta de educação, desigualdade social. O saneamento é a estrutura básica que, se resolvida, conseguimos ter mais condições de tratar esses outras temas, porque ele transforma as pessoas, ele modifica a realidade delas. É um processo de empoderamento para que elas trilhem seu próprio caminho de prosperidade.”

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 12/03/2024
  • Fonte: FERVER