Furtos em dutos da Transpetro voltam a crescer em 2025
Levantamento da empresa aponta aumento de 36% nos casos, que podem causar danos ambientais e prejuízos
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 15/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Após uma significativa diminuição nos registros de furto de combustíveis desde 2019, a Transpetro, subsidiária da Petrobras e principal operadora de dutos no Brasil, registrou um aumento alarmante em 2025. Dados recentes revelam que até 30 de junho deste ano, foram contabilizados 17 casos, resultando em uma média mensal de 2,83 ocorrências. Em comparação, o ano anterior teve um total de 25 registros, com uma média de 2,08 por mês. Essa variação indica um aumento de 36% na média mensal dos furtos.
A empresa classifica esses furtos como “derivação clandestina”, onde criminosos realizam perfurações nas tubulações subterrâneas para desviar combustíveis. Um caso notório ocorreu em fevereiro no Rio de Janeiro, onde o contraventor Vinícius Dumond foi identificado como líder de uma quadrilha especializada nesse tipo de crime.
A Transpetro gerencia uma extensa malha logística com 8.500 quilômetros de dutos espalhados pelo território nacional, o que equivale à distância entre Porto Alegre e Natal, ida e volta. Nesses dutos são transportados não apenas petróleo bruto, mas também derivados como gasolina e diesel, sendo esta infraestrutura essencial para o abastecimento das refinarias do país.
Além das perdas financeiras que os furtos ocasionam, suas consequências se estendem a problemas como desabastecimento em regiões afetadas, danos ambientais significativos e riscos à segurança das comunidades vizinhas e dos próprios envolvidos nas operações ilegais.
Os dados da Transpetro indicam que o pico histórico de furtos ocorreu em 2018, com 261 ocorrências registradas. Nos dois anos seguintes, a média se estabilizou em torno de 200 casos anuais antes de despencar para 102 em 2021. No entanto, a companhia não divulga informações sobre os prejuízos financeiros decorrentes dessas atividades ilícitas.
Investimentos em Segurança
A Transpetro informa que destina anualmente cerca de R$ 100 milhões para reforçar a segurança ao longo dos dutos. Segundo Júlio Barreto, gerente executivo de Proteção de Dutos da empresa, apesar da queda nos números ao longo dos últimos anos, os furtos continuam a ser uma preocupação constante. “Basta uma derivação clandestina para causar danos irreparáveis ao meio ambiente ou colocar vidas em risco”, afirmou Barreto à Agência Brasil.
Barreto atribui a redução mais acentuada nos furtos no início da década à criação do Centro de Controle de Proteção de Dutos, instalado na sede da Transpetro no Rio de Janeiro. Este centro opera ininterruptamente, com monitoramento dedicado às faixas dos dutos para detectar ações suspeitas.
A companhia também destaca que seu sistema eficiente para transporte de combustíveis resulta na redução em até 99,5% das emissões de gases do efeito estufa quando comparado ao transporte rodoviário. Um dia inteiro operando via dutos pode evitar a circulação de mais de 20 mil caminhões-tanque nas estradas.
Denúncias Anônimas
Para fomentar a participação da população no combate a esse crime, a Transpetro disponibiliza o Disque 168, um serviço gratuito e anônimo para denúncias sobre atividades suspeitas relacionadas aos dutos. O número é simbólico e remete ao dia 16 de agosto (16/8), escolhido pela empresa para promover ações educativas em várias localidades do Brasil.
No último sábado, eventos foram realizados em estados como Alagoas, Amazonas e São Paulo, oferecendo serviços comunitários como emissão de documentos e serviços médicos.
Perfil dos Criminosos
Fontes ligadas ao tema apontam que os criminosos envolvidos nesses furtos possuem um perfil especializado. Para realizar as operações com sucesso, eles necessitam ter conhecimento técnico sobre as tubulações e métodos eficientes para extrair e transportar os combustíveis. Recentemente, forças policiais descobriram quadrilhas utilizando caminhões-tanque avaliados em até R$ 300 mil durante suas ações criminosas.
Esses grupos tendem a operar em áreas isoladas durante a noite para evitar detecções e frequentemente disfarçam as intervenções feitas nas tubulações após as ações ilícitas. Há relatos ainda de organizações tão sofisticadas que alugam imóveis próximos aos dutos subterrâneos para escavar túneis até as estruturas.
A Transpetro conta com equipes especializadas na identificação precoce de irregularidades e utiliza tecnologias avançadas como drones e inteligência artificial no combate aos furtos.
Legislação e Propostas
A empresa defende que haja uma tipificação mais rigorosa para o crime de adulteração clandestina dentro do ordenamento jurídico brasileiro. Atualmente, quatro projetos de lei estão tramitando no Congresso Nacional visando esse objetivo.
Barreto menciona o PL 8.455 como um passo importante que busca aumentar as penas para esses crimes, atualmente equiparados ao furto comum. A Transpetro se mantém vigilante em relação aos avanços legislativos nessa área e se coloca à disposição para contribuir tecnicamente nas discussões pertinentes.