Fundação Grupo Volkswagen debate justiça climática e urgência social
8ª Jornada do Conhecimento discutiu os impactos desiguais da crise ambiental e a importância de fortalecer lideranças locais rumo à COP30
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 06/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
As mudanças climáticas não atingem todas as pessoas da mesma forma — e esse desequilíbrio é agravado pelas desigualdades históricas e pelo acesso limitado às políticas públicas. Foi a partir dessa compreensão que a Fundação Grupo Volkswagen promoveu, em 6 de outubro, a 8ª Jornada do Conhecimento, realizada no Unibes Cultural, em São Paulo. Sob o tema “COP30: Quando a emergência ambiental expõe as urgências sociais”, o evento reuniu especialistas, lideranças comunitárias e representantes de organizações sociais para debater justiça climática, mobilidade social e o papel das comunidades na construção de soluções sustentáveis.
Segundo o diretor-geral da Fundação, Vitor Hugo Neia, a proposta da jornada foi aproximar saberes locais de agendas globais, promovendo a inclusão produtiva e a mobilidade social em um contexto de emergência ambiental. “A 8ª Jornada do Conhecimento foi um espaço para refletirmos sobre como fortalecer comunidades, lideranças e organizações sociais para enfrentar os desafios da crise climática. Ao aproximar saberes locais de agendas globais como a COP30, queremos contribuir para uma transição justa, que não deixe ninguém para trás”, destacou o executivo.

A iniciativa integra uma série de encontros promovidos pela Fundação desde 2018, voltados ao diálogo e à articulação entre diferentes atores sociais. O programa faz parte da estratégia 2025–2030 da Fundação Grupo Volkswagen, que tem a mobilidade social como causa prioritária e direciona esforços para ações de longo prazo voltadas à redução das desigualdades e ao desenvolvimento territorial sustentável.
Desigualdades climáticas e territórios em risco
O primeiro painel do evento aprofundou o debate sobre as desigualdades climáticas e os territórios mais vulneráveis aos impactos ambientais. A mesa reuniu Ana Valéria Araújo, diretora executiva do Fundo Brasil de Direitos Humanos, e Sérgio Andrade, diretor da Agenda Pública, que discutiram o racismo ambiental, o acesso desigual à infraestrutura urbana e a ausência de políticas públicas que integrem justiça ambiental e social.
Os convidados destacaram que comunidades periféricas, indígenas, quilombolas e ribeirinhas são as mais afetadas por eventos extremos, como enchentes, secas e deslizamentos, mas continuam excluídas das decisões políticas e das discussões sobre mitigação climática. O painel ressaltou ainda a importância de fortalecer lideranças locais e garantir sua participação efetiva nas discussões da COP30, marcada para novembro de 2025, em Belém (PA). Para os especialistas, a legitimidade das soluções climáticas passa pela escuta dos territórios e pela inclusão das populações mais impactadas.
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Respostas comunitárias à emergência ambiental
O segundo painel da jornada deu voz às experiências que surgem diretamente das comunidades, como respostas criativas e sustentáveis à crise ambiental. Participaram Maria Amália Souza, fundadora do Fundo Casa, e Diogo Lima, diretor da consultoria de impacto social Dendezê, com mediação da jornalista Flávia Oshima.
Os debatedores apresentaram exemplos de adaptação climática baseados em saberes tradicionais, destacando que a resiliência das comunidades depende do reconhecimento de suas práticas, da articulação com o poder público e do financiamento contínuo. Houve consenso sobre a necessidade de direcionar recursos para projetos do Sul Global, especialmente os que associam sustentabilidade, inclusão produtiva e fortalecimento de capacidades locais.
Essas experiências reforçam que as soluções mais eficazes nascem dos próprios territórios — um movimento que vai além da mitigação, incorporando a regeneração social e ambiental como pilares da justiça climática.
Compromisso contínuo com o desenvolvimento sustentável

A 8ª Jornada do Conhecimento contou com cerca de 60 convidados presenciais e transmissão online com tradução em Libras, ampliando o alcance da discussão. A diversidade de perspectivas e a escuta ativa dos participantes reafirmaram o compromisso da Fundação Grupo Volkswagen com a construção de pontes entre territórios, justiça social e ação climática.
“A Jornada do Conhecimento tem sido um espaço essencial para traduzir em prática a visão da Fundação sobre o fortalecimento de capacidades locais. A cada edição, reafirmamos que as soluções mais eficazes para enfrentar crises globais surgem dos territórios, quando há escuta, colaboração e investimento contínuo em quem está na linha de frente das transformações sociais e ambientais”, concluiu Vitor Hugo Neia.
Mais do que um fórum de debates, a Jornada simboliza o compromisso da Fundação com a transição justa — um modelo de futuro que reconhece o protagonismo das comunidades e entende que o enfrentamento da crise climática é, antes de tudo, um desafio de equidade e cidadania.