Fundação CASA aprova propostas na Defensoria SP

Sugestões de adolescentes atendidos podem virar metas oficiais da instituição para 2026-2027

Crédito: Divulgação

Três adolescentes que cumprem medida socioeducativa na Fundação CASA alcançaram um feito inédito de representatividade e cidadania. Atuando como delegados na 10ª Conferência Estadual da Defensoria Pública de São Paulo, realizada na capital entre 31 de outubro e 1º de novembro, eles conseguiram aprovar sugestões cruciais para o futuro da política de atendimento.

No eixo temático dedicado à proteção dos direitos da criança e do adolescente, cinco propostas foram analisadas. Duas das três mais votadas foram elaboradas pelos jovens da Fundação CASA. Agora, essas iniciativas têm grandes chances de integrar o 10º Plano de Atuação da Defensoria Pública para o biênio 2026-2027, marcando um avanço no diálogo democrático dentro do sistema socioeducativo.

LEIA MAIS: SP tem avanço histórico com aprovação do marco legal do SUAS Paulista

O caminho até a Conferência Estadual

A participação começou ainda em setembro, durante as pré-conferências regionais. Nestes eventos abertos, a sociedade civil debateu problemas locais e elegeu seus representantes. Pela clareza de ideias e alto engajamento, três jovens foram escolhidos para representar as regiões de São José do Rio Preto, Marília e São Vicente em nome da Fundação CASA.

A inclusão de sugestões vindas diretamente de quem vivencia a privação de liberdade demonstra uma evolução na construção de políticas públicas, baseando-se na escuta ativa e na realidade dos atendidos.

Foco em empregabilidade e educação

Durante as votações, o destaque ficou para a maturidade das pautas apresentadas. A proposta vencedora no eixo, conquistando 43,3% dos votos, veio de um adolescente do centro de Marília. O texto sugere a criação de políticas públicas de emprego e cursos profissionalizantes, com foco especial nos egressos da Fundação CASA. O objetivo é alinhar ações de saúde, educação e assistência social para garantir novas oportunidades de vida.

A segunda proposta mais votada, com 17% da preferência, foi elaborada pelo jovem representante de São José do Rio Preto. A ideia defende a implantação de oportunidades de trabalho remunerado dentro dos centros socioeducativos, viabilizadas por meio de parcerias com a iniciativa privada.

Impacto pessoal e validação institucional

As propostas aprovadas seguirão para validação do Conselho Superior da Defensoria Pública, colegiado com poder deliberativo. No entanto, o impacto na vida dos participantes já é imediato. Gabriel (nome fictício), delegado do centro de São Vicente, resumiu o sentimento:

“Eu nunca me senti tão importante. Esse dia vai ser inesquecível. Descobri muitos dos meus direitos.”

A encarregada técnica que acompanhou o grupo, Maria Gorete Santana dos Santos, notou a mudança de postura, afirmando que os jovens voltaram empoderados ao se sentirem parte da sociedade.

Para a presidente da Fundação CASA, Claudia Carletto, o evento reforça o papel da socioeducação na reformulação de trajetórias de vida.

Quando esses jovens percebem que suas ideias são ouvidas e podem virar ações concretas do Estado, eles se reconhecem como cidadãos capazes de transformar a própria realidade. É assim que se constrói pertencimento e novas possibilidades de futuro, destacou Carletto.

A presença ativa dos adolescentes da Fundação CASA em espaços de decisão reitera a importância de integrá-los às discussões que moldam seus futuros e o da sociedade.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 26/11/2025
  • Fonte: Multiplan MorumbiShopping