Fraudadores criavam ‘aposentadorias’ em quatro minutos, diz PF

Elian Santana (SD) foi presa nesta segunda, 26, na Operação Barbour com outros três investigados por supostos desvios em benefícios da Previdência; rombo é estimado em R$ 170 milhões

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A Procuradoria da República e a Polícia Federal prenderam nesta segunda, 26, a vereadora Elian Santana (SD), do município de Santo André (Grande São Paulo), por suspeita de ligação com esquema de fraudes de aposentadorias do INSS. A prisão de Elian e de outros três investigados ocorreu no âmbito da Operação Barbour. A investigação mostra que o gabinete da parlamentar na Câmara de Santo André ‘era o local onde o grupo coordenava a concessão irregular de centenas de aposentadorias’.

O cumprimento dos mandados é resultado das investigações conduzidas pela Força-Tarefa Previdenciária, da qual fazem parte o Ministério Público Federal, a PF, a Coordenação de Inteligência Previdenciária, o INSS e a Advocacia-Geral da União.

Pelo menos R$ 42 mil e US$ 3 mil em dinheiro vivo foram apreendidos em Diadema, na residência de um servidor da Previdência.

O nome da operação, Barbour, remete a um cientista que desenvolveu uma tese de que o tempo, na realidade, não existe.

Segundo a Procuradoria, no gabinete de Elian ‘as fraudes eram coordenadas’. O grupo da vereadora ‘aliciava pessoas, a maioria servidores do Banco do Brasil, interessadas em supostos serviços de assessoria previdenciária para antecipar a obtenção da aposentadoria’.

Os envolvidos atendiam os clientes à distância ou presencialmente, na sala da parlamentar. Com os documentos em mãos, os criminosos procediam à falsificação de outros papéis para forjar o aumento do tempo de contribuição ao INSS e, com isso, viabilizar a liberação dos benefícios.

Os agentes cumpriram também seis mandados de busca e apreensão, a partir dos quais os investigadores terão condições para comprovar a dimensão do esquema.

A Procuradoria e a PF já identificaram 24 aposentadorias liberadas irregularmente pela organização desde outubro de 2017. Os investigadores estimam que o total de benefícios fraudados provocou um rombo de R$ 170 milhões. Segundo a PF, os pedidos de aposentadoria eram ‘aprovados’ em apenas quatro minutos ‘sem que houvesse qualquer tipo, aparentemente, de avaliação dos documentos apresentados’.

A pedido da Procuradoria, a Justiça Federal decretou a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e de dados telemáticos dos quatro envolvidos, inclusive da vereadora, ‘o que permitirá apurar o teor da comunicação entre eles e como dividiam as comissões que cobravam dos clientes’. Além de Elian foram capturados por ordem judicial a chefe de gabinete da vereadora, Luciene Aparecida Ferreira Souza, um intermediário do esquema, Adair Assah e, ainda, Vitor Mendonça de Souza, funcionário público lotado na Agência INSS de Diadema – na residência deste servidor, os agentes federais apreenderam R$ 42 mil e US$ 3 mil em dinheiro vivo.

Segundo os investigadores, além das quantias cobradas pela prestação da falsa assessoria, ‘o esquema gerava ganhos político-eleitorais à parlamentar, que figurava como responsável pela obtenção das aposentadorias aos clientes’.

Entre os crimes investigados estão peculato, associação criminosa, uso de documentos falsos e inclusão de informações inidôneas nos sistemas da Previdência. A vereadora e seus aliados poderão ser indiciados também por corrupção ativa e passiva.

O repórter Gabriel Prado, da Globo News, informou que funcionários de bancos públicos e privados e, ainda, de empresas de telefonia, apresentavam documentos falsos de insalubridade para agilizar o fechamento de processos de aposentadoria.

O delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que integra a força-tarefa da Operação Barbour, destacou que o grupo da vereadora Elian Santana e os ‘candidatos’ à aposentadoria antecipada se reuniam todas as segundas-feiras no gabinete da parlamentar, no prédio da Câmara de Santo André.

Carvalho observou que o esquema compreendia até a falsificação de perfis profissiográficos dos beneficiários. O perfil profissiográfico previdenciário é um documento histórico-laboral.

Segundo a PF, os documentos continham dados adulterados sobre atividades ‘insalubres’ e ‘perigosas’ que os beneficiários jamais haviam exercido anteriormente.

COM A PALAVRA, ELIAN SANTANA
A reportagem está tentando contato com a defesa da vereadora Elian Santana. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A PRESIDÊNCIA DA CÂMARA MUNICIPAL DE SANTO ANDRÉ
Na manhã desta segunda-feira (26/11), a Polícia Federal cumpriu três mandados de busca e apreensão no gabinete da vereadora Elian Santana (SD). A investigação, que ocorre de forma sigilosa, é denominada Operação Badour, que apura possíveis fraudes previdenciárias ocorridas na Agência do INSS de DIADEMA. A Câmara Municipal de Santo André ressalta que preza pela transparência e que está à disposição para esclarecimentos.

Att.
Presidente da Câmara Municipal de Santo André,
Almir Cicote.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 27/11/2018
  • Fonte: FERVER