De camelô a empresário de sucesso: a trajetória de Francisco Penha, fundador da Fábrica Vovó Mocinha no ABC

Após perder tudo com o Plano Real, Penha recomeçou vendendo bala de coco na beira da estrada e hoje lidera a Vovó Mocinha, uma das fábricas mais respeitadas do setor alimentício no ABC Paulista

Crédito: Suzana Rezende

A história de Francisco Penha, conhecido como Penha, é um exemplo de resiliência, fé e espírito empreendedor. Aos 75 anos, o fundador da fábrica Vovó Mocinha, em Ribeirão Pires, carrega uma trajetória marcada por grandes perdas, e conquistas ainda maiores.

Após se aposentar aos 44 anos, Penha teve negócios próprios, como loja de automóveis e posto de gasolina. Mas com a chegada do Plano Real, em 1994, sua vida mudou drasticamente. As dificuldades econômicas, somadas a um problema de saúde: uma cirurgia que resultou na perda total da audição do ouvido direito e um longo período de recuperação deixaram-no endividado e sem recursos.

“Eu fiquei seis meses sem poder andar, sem equilíbrio. Quando voltei, só tinha dívidas. Perdemos tudo”, lembra. Foi nesse momento que ele, a esposa Deise e os filhos decidiram começar do zero: vendendo produtos na beira da estrada.

O recomeço na rodovia Índio Tibiriçá

O novo começo foi como camelô na Rodovia Índio Tibiriçá, em Ribeirão Pires, onde Penha e sua família vendiam rãs congeladas, e depois balas de coco geladas. O produto simples, de baixo custo e alta rotatividade, se tornou o ponto de virada.

“Começamos a vender bala de coco gelada, e deu certo. Foi aí que a vida começou a mudar de novo. Tivemos até 30 pontos de venda nas rodovias de São Paulo”, conta Penha, com brilho nos olhos.

Foi nesse cenário que um “anjo” cruzou seu caminho. Um empresário do ramo de cafeterias, impressionado com a organização da barraca, decidiu apostar em Penha. “Ele me disse: ‘Você trabalha muito bem, quero te ajudar. Vamos vender seus produtos na minha rede de cafeterias’. Aquilo mudou tudo”, recorda emocionado.

Nasce a Vovó Mocinha: do quintal à indústria

O convite para fornecer produtos como amendoim e bala de coco para as cafeterias evoluiu rapidamente. Um dia, o cliente sugeriu: “Penha, faz bolo também?” Ele topou o desafio. A produção começou no quintal de casa, em São Bernardo do Campo, com a esposa e os filhos trabalhando juntos.

O sucesso com o bolo embalado levou ao próximo pedido: pão de queijo. Novamente, Penha aceitou e começou a fabricar no improviso. “Deise achou que eu estava louco. Mas a gente fazia tudo com carinho, na mão mesmo”, conta.

Aos poucos, surgiu a ideia de montar uma fábrica própria, mesmo sem capital. O local escolhido foi um terreno em Ribeirão Pires que ninguém queria comprar. Ali, tijolo por tijolo, nasceu a Vovó Mocinha.

“Quando a fábrica ficou pronta, eu senti medo de sair da barraquinha. Mas Deus foi comigo”, relata.

Uma homenagem à avó, um legado para a região do ABC

O nome “Vovó Mocinha” é uma homenagem à avó de Penha, conhecida como Dona Moça. Ele viveu com os avós na infância e trabalhava no armazém da família. “Minha avó foi uma figura muito presente na minha vida. Eu quis homenageá-la com esse nome carinhoso”, explica.

A fábrica cresceu com valores familiares e sociais. Um dos principais pilares da empresa é empregar jovens da região, muitos deles com mais de 15 anos de casa. “A Vovó Mocinha é uma família. A gente investe em treinamento, acredita no potencial das pessoas. Como alguém um dia me ajudou, eu também quis retribuir”, afirma.

Hoje: mais de 100 produtos e atuação em grandes redes

Atualmente, a Vovó Mocinha produz mais de 100 produtos e fornece para padarias, escolas, hospitais e grandes redes de food service. A empresa é auditada por órgãos de qualidade e recebe notas de excelência.

“Nós começamos com rã e bala de coco, e hoje somos referência. A Vovó Mocinha é regularizada, estruturada e reconhecida. E tudo isso começou no ABC”, diz Penha, com orgulho.

A história de Francisco Penha não é apenas sobre sucesso empresarial, mas sobre esperança em tempos difíceis. Ele faz questão de deixar uma mensagem:

“Você pode desistir? Nunca! Vai em busca, você consegue. Como eu consegui. Hoje estou com 75 anos e fiz um acordo com São Pedro: quero viver até os 100, porque a Vovó Mocinha ainda tem muito a crescer.”

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 30/05/2025
  • Fonte: FERVER