Morre Francisco Cuoco aos 91 anos
Francisco Cuoco, ícone da TV brasileira, faleceu aos 91 anos. Reconhecido por sua carreira na teledramaturgia, deixou um legado memorável.
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 19/06/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
Francisco Cuoco, um dos mais icônicos atores da televisão brasileira, faleceu nesta quinta-feira (19), aos 91 anos. A confirmação do falecimento foi feita pela família do artista, que esteve ao seu lado durante suas recentes internações hospitalares.
O ator encontrava-se internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, há aproximadamente 20 dias e estava sob sedação nesse período. De acordo com sua irmã, Grácia, ele enfrentava complicações de saúde relacionadas à sua idade avançada e a uma infecção resultante de um ferimento. No entanto, a causa exata de sua morte não foi divulgada.
Carreira de Francisco Cuoco
Francisco Cuoco destacou-se por construir uma carreira sólida não através de grandes transformações interpretativas, mas pela criação de uma identidade carismática que unia personagens com características marcantes. Seu estilo era reconhecido por uma voz grave e rouca, olhares sedutores e um traço sutil de masculinidade.
A trajetória de Francisco Cuoco na televisão o consagrou como um dos grandes nomes da teledramaturgia brasileira, especialmente durante os anos finais do século XX, com participações memoráveis em diversas novelas da Rede Globo.
Nascido em novembro de 1933 em uma família humilde no bairro do Brás, em São Paulo, Francisco Cuoco começou sua carreira profissional como feirante ao lado do pai. Na década de 1950, conciliou essa atividade com seus estudos na Escola de Arte Dramática, atualmente vinculada à Universidade de São Paulo (USP).
Cuoco fez sua estreia no teatro em 1958 ao lado das renomadas Fernanda Montenegro e Sérgio Britto na peça “A Muito Curiosa História da Virtuosa Matrona de Éfeso”, dirigida por Alberto D’Aversa. O ator interpretava um gladiador que entrava em cena já sem vida.
No ano seguinte, ele se juntou a Montenegro e Britto na fundação do Teatro dos Sete, uma companhia que incluía o diretor Gianni Ratto e o ator Ítalo Rossi.
Enquanto atuava nos palcos, Cuoco também se aventurou na televisão. Em 1964, participou da novela “Marcados Pelo Amor” na TV Record, que marcou seu reconhecimento como um dos galãs mais queridos do público brasileiro.
Seu papel como protagonista na novela “Redenção”, exibida em 1966, solidificou ainda mais sua popularidade. Em 1968, iniciou uma parceria célebre com a atriz Regina Duarte em “Legião dos Esquecidos”, repetindo o sucesso em produções como “Selva de Pedra” (1972), uma das novelas mais assistidas da Globo.
Dentre seus personagens mais memoráveis estão Carlão, o taxista de “Pecado Capital” (1975), e Herculano Quintanilha em “O Astro” (1977), escrita por Janete Clair. Esta última produção foi relançada em 2011 com Cuoco participando em um papel coadjuvante.
Em 1987, ele se destacou novamente ao interpretar dois papéis distintos na novela “O Outro”, escrita por Aguinaldo Silva. O enredo gerava suspense ao revelar que os personagens não tinham conhecimento um do outro até determinado momento da trama.
Após um período afastado dos palcos devido ao trabalho intenso na televisão nos anos 1990, Cuoco retornou às artes cênicas com a peça “Três Homens Baixos” em 2004. Mais tarde, atuou em outras produções teatrais como “Circuncisão em Nova York” (2008) e “Uma Vida no Teatro” (2013).
No cinema, Cuoco também deixou sua marca com filmes como “Traição” (1998) e “Cafundó” (2005), entre outros. Além disso, explorou a música ao gravar o disco romântico “Solead” (1975) e um CD com orações católicas intitulado “Paz Interior”.
Francisco Cuoco deixa três filhos: Rodrigo, Diogo e Tatiana. Esta última esteve ao seu lado recentemente durante sua internação em hospital.