Mundo fragmentado sob Trump pode atrasar transição energética
Cristiano Pinto da Costa aponta que políticas protecionistas dificultam cooperação internacional e ampliam desafios para redução de emissões.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 25/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A Shell divulgará nesta segunda-feira (25) seu tradicional estudo de cenários energéticos, prática adotada desde a década de 1970 para orientar decisões estratégicas da companhia.
A novidade deste ano é a inclusão de um recorte específico para o Brasil e a criação de um terceiro cenário global, batizado de Surge, que considera o impacto da digitalização e da inteligência artificial sobre a demanda energética.
Além do novo panorama, permanecem em análise os cenários Horizontes, que projeta emissões líquidas zero até 2050, e Arquipélagos, que descreve um mundo mais fragmentado, com nações focadas em interesses próprios em detrimento de esforços coletivos para a transição energética.
Política tarifária e impacto nos negócios
Segundo Cristiano Pinto da Costa, CEO da Shell Brasil, o avanço da política tarifária do governo Donald Trump se encaixa no cenário Arquipélagos, que retrata um ambiente internacional de menor cooperação. Esse modelo, avalia, tende a atrasar a transição para uma economia de baixo carbono.
Apesar das tensões comerciais, Costa afirma que os impactos diretos para o Brasil são limitados, já que o petróleo brasileiro exportado para os EUA foi incluído em isenções. No entanto, a empresa segue monitorando possíveis efeitos na cadeia de suprimentos de equipamentos e materiais utilizados em projetos no país.
Brasil como protagonista na transição
O executivo destacou ainda que o estudo deste ano traz um olhar especial para o Brasil, que deve ter papel estratégico nos debates da COP30. Segundo ele, o país já se posiciona à frente de outras grandes economias no processo de descarbonização, graças à matriz energética considerada uma das mais limpas do mundo e ao protagonismo em biocombustíveis como o etanol.
Costa ressalta que o Brasil tem potencial para triplicar a demanda por biocombustíveis até 2050 em comparação a 2020, além de se tornar referência na exportação de políticas públicas ligadas à energia limpa e ao mercado de crédito de carbono.