Fórmula E: Temporada inicia neste sábado, no México

Etapa mexicana exige gestão de energia e adaptação física. Lucas Di Grassi analisa os impactos do ar rarefeito na disputa deste sábado

Crédito: Lola Cars

O Campeonato Mundial de Fórmula E retoma as atividades neste sábado (10) com um cenário técnico desafiador para pilotos e engenheiros. A segunda etapa da competição aterrissa no Autódromo Hermanos Rodríguez, na Cidade do México, trazendo uma variável que promete alterar a ordem de forças no grid: a altitude extrema.

Diferente da estreia em São Paulo, realizada a 900 metros do nível do mar, a pista mexicana situa-se a 2.300 metros de altura. Essa diferença drástica impacta diretamente o comportamento dos carros da Fórmula E, exigindo configurações aerodinâmicas específicas e um gerenciamento de bateria muito mais rigoroso.

Lucas Di Grassi, piloto da equipe Lola Yamaha ABT, destaca que essa é a prova com maior elevação entre as 16 etapas do calendário. Segundo o brasileiro, o ar rarefeito obriga as equipes a repensarem táticas consagradas na categoria.

Altitude altera dinâmica da Fórmula E

A densidade do ar na capital mexicana gera efeitos colaterais imediatos nos bólidos elétricos. O primeiro obstáculo é a refrigeração: com menos partículas de ar para trocar calor, as baterias tendem a superaquecer com mais facilidade, limitando a potência disponível em momentos críticos da corrida.

Além da temperatura, a aerodinâmica sofre mudanças significativas. Di Grassi explica os detalhes técnicos:

“O ar menos denso prejudica um pouco a refrigeração da bateria, que é bem importante em corridas de carros elétricos. Mas o mais importante é que a atmosfera mais rarefeita torna menos vantajoso andar atrás de outros carros para economizar energia. É o único lugar no qual sentimos esse efeito.”

Essa característica anula parcialmente o efeito do “vácuo”, muito utilizado na Fórmula E para poupar energia. Sem essa vantagem, a corrida tende a ser mais dispersa, dificultando as ultrapassagens estratégicas que marcam a categoria. O piloto também alerta para o desgaste físico, já que a menor oxigenação afeta a resistência dos atletas até a adaptação completa.

Marco histórico e retrospecto favorável

O fim de semana celebra um momento especial: será a 150ª prova da história do campeonato, iniciado em 2014 na China — corrida vencida justamente por Di Grassi. O brasileiro possui um histórico invejável no México, somando três vitórias no circuito (2017, 2019 e 2021).

Apesar de ainda buscar os primeiros pontos na temporada atual com a recém-formada Lola Yamaha ABT, o piloto se sente em casa. “São duas provas que me enchem de energia, tanto pelas pistas quanto pelo público caloroso”, define Di Grassi, referindo-se à sequência Brasil-México no calendário da Fórmula E.

Situação do Campeonato

A tabela chega ao México liderada pelo britânico Jake Dennis (Andretti), que soma 25 pontos após o triunfo na abertura. Di Grassi foca no desenvolvimento do carro para recuperar o desempenho da equipe, lembrando que foi o responsável por toda a pontuação do time no ano anterior.

Para quem acompanha a Fórmula E, a programação será intensa. Confira os horários oficiais:

  • Sexta-feira (09): Primeiro Treino Livre.
  • Sábado (10) – 10h30: Treinos Livres restantes.
  • Sábado (10) – 12h40: Classificação.
  • Sábado (10) – 17h05: Corrida (Largada).

A expectativa é alta para ver como o grid reagirá às condições únicas de Hermanos Rodríguez. A gestão térmica e a resistência física ditarão o vencedor desta etapa decisiva da Fórmula E.

  • Publicado: 01/01/2026
  • Alterado: 01/01/2026
  • Autor: 08/01/2026
  • Fonte: Motisuki PR