Fórmula 1 altera regras de segurança após queixas de pilotos
A FIA mudou limites de energia e ultrapassagem para proteger pilotos de diferenças de velocidade.
- Publicado: 21/04/2026 08:40
- Alterado: 21/04/2026 10:03
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: FIA
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) oficializou na segunda-feira (20) um pacote urgente de alterações no regulamento da Fórmula 1. As medidas respondem à insatisfação dos competidores com a segurança na pista após incidentes causados pela disparidade de velocidade entre os monopostos. Grande parte das novas regras entra em vigor no GP de Miami, agendado para 3 de maio.
O ajuste técnico resolve problemas gerados pelo projeto de motores para 2026, concebido para dividir a potência igualmente entre combustão e eletricidade. Os pilotos enfrentavam dificuldades contínuas para carregar as baterias durante as corridas. A deficiência técnica tornava as disputas dependentes de táticas extremas de economia de carga elétrica.
Gestão de energia na Fórmula 1 ganha novos limites
A reforma simplifica o gerenciamento energético para devolver a liberdade de aceleração contínua durante voltas rápidas. A entidade máxima do automobilismo reduziu o limite máximo de recarga de 8 para 7 megajoules. O novo teto diminui a necessidade de poupar o equipamento de forma antecipada em trechos decisivos.
A capacidade do superclipping saltou de 250 para 350 kW na atualização do regulamento. O mecanismo utiliza o motor a combustão para recarregar a bateria enquanto o competidor mantém o pé no acelerador. A expectativa técnica aponta para uma redução drástica no tempo de recarga, devolvendo performance orgânica aos veículos.
Segurança reforçada após impactos no traçado
A preocupação com colisões traseiras dominou as discussões na Fórmula 1 após o acidente de Oliver Bearman no GP do Japão. O representante da Haas atingiu o muro a 262 km/h ao desviar de Franco Colapinto. O carro adversário rodava em velocidade perigosamente baixa por falta de bateria no momento da aproximação rápida.
Os envolvidos na batida atribuíram a diferença brutal de velocidade ao funcionamento dos antigos regulamentos. Bearman usava o botão de impulso extra enquanto Colapinto enfrentava a pane energética. A direção de prova limitou a potência do botão de ultrapassagem a 150 kW para erradicar essas diferenças repentinas de ritmo.
O sistema de recuperação de energia (MGU-K) perdeu a autorização de acionamento automático em zonas de aceleração plena. A restrição evita a perda inesperada de velocidade em setores rápidos dos circuitos.
Prevenção de acidentes na largada e chuva
A direção de prova da Fórmula 1 implementou um mecanismo autônomo inédito para monitorar e evitar atropelamentos no grid de largada. Liam Lawson, piloto da Racing Bulls, gerou pânico na Austrália ao arrancar lentamente da oitava posição. O monoposto ficou sob ameaça de impacto dos carros mais rápidos vindos do fim do pelotão.
O sistema identificará falhas na saída e ligará o motor elétrico automaticamente para garantir o movimento mínimo do veículo. A intervenção tira o piloto vulnerável da rota de colisão. O pacote aprovado também simplificou os alertas visuais traseiros e aumentou a temperatura dos cobertores de pneus em provas molhadas.
As alterações representam uma mudança rigorosa na engenharia e no comportamento em pista dos monopostos. O circuito de Miami servirá como o primeiro teste real de sobrevivência para o novo equilíbrio estabelecido pela Fórmula 1.