Fogos de artifício em animais: entenda os perigos e como protegê-los

Especialistas alertam que o impacto sonoro vai além de cães e gatos, afetando aves, gado e fauna silvestre

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A cada final de ano, a preocupação com o bem-estar animal ganha destaque, mas o foco costuma se restringir aos animais de estimação mais comuns. No entanto, os fogos de artifício representam uma ameaça severa a uma variedade muito maior de espécies. Segundo especialistas, desde a fauna silvestre até animais de fazenda, todos sofrem consequências físicas e psicológicas graves decorrentes da poluição sonora.

Ranna Sousa, Coordenadora do Curso de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera, alerta que a conscientização sobre fogos de artifício precisa ser ampliada. “A sensibilidade auditiva dos pets, como gatos e cães, pode levar a reações extremas de medo e ansiedade, enquanto animais silvestres e de fazenda podem sofrer estresse severo, resultando em comportamentos perigosos e problemas de saúde”, explica a docente.

A ciência por trás do pânico dos fogos de artifício

A reação desproporcional ao barulho não é apenas comportamental, mas fisiológica e anatômica. Flávia Paiffer, também professora de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera, esclarece que cães e gatos percebem frequências agudas e sons súbitos com uma intensidade muito superior à humana, o que gera dor física e sensação iminente de ameaça.

Para outras espécies, a reação é instintiva e ligada à sobrevivência na cadeia alimentar. Paiffer detalha: “Espécies de presa, como coelhos, aves, equinos e bovinos, têm um sistema de alerta naturalmente mais desenvolvido, pois na natureza dependem de respostas rápidas para fugir de predadores”. Devido a isso, os ruídos explosivos dos fogos de artifício desencadeiam reflexos imediatos de fuga, congelamento ou pânico absoluto.

Impactos clínicos e riscos invisíveis

Os danos causados pelas explosões vão além do susto momentâneo. O estresse agudo pode evoluir para quadros clínicos complexos e até fatais. Em cães e gatos, é comum observar taquicardia, salivação excessiva e tremores. Animais com predisposição neurológica podem, inclusive, sofrer convulsões.

No entanto, há riscos “silenciosos” em outras espécies que são frequentemente ignorados:

  • Aves: O susto pode provocar síncope (desmaio), colisões contra paredes durante o voo e o abandono de ninhos, comprometendo a sobrevivência de filhotes.
  • Coelhos: Por serem extremamente sensíveis, podem sofrer paradas cardíacas ou desenvolver íleo paralítico (interrupção do movimento intestinal) devido ao estresse, uma condição potencialmente fatal.
  • Equinos e Bovinos: A tentativa de fuga em disparada pode causar fraturas, lacerações graves e abortos em fêmeas gestantes.

Bovinos podem entrar em pânico coletivo, causando pisoteio dentro do rebanho, queda de produção leiteira e separação de bezerros de suas mães, o que aumenta a mortalidade neonatal”, complementa a professora Flávia Paiffer.

Prevenção e manejo adequado

Para mitigar os efeitos nocivos dos fogos de artifício, o planejamento ambiental é a chave. Para animais domésticos, a recomendação é manter o animal dentro de casa, em ambiente com isolamento acústico relativo, janelas fechadas e sons constantes (como TV ou música) para mascarar os estouros.

No caso de fazendas e criadouros, o manejo preventivo é essencial. “Recomenda-se abrigar cavalos e bovinos em espaços seguros e longe de cercas ou objetos que representem risco”, orienta Paiffer. Já para coelhos e aves, recintos acolchoados ou cobertos ajudam a reduzir a exposição visual e o risco de traumas físicos.

Ranna Sousa reforça que a educação é o caminho para a mudança. “Promover a conscientização sobre os efeitos negativos dos fogos de artifício pode incentivar práticas alternativas de celebração, garantindo o bem-estar de todos os animais durante as festividades”, conclui.

Alternativas sustentáveis para celebração

A solução definitiva para proteger a biodiversidade envolve a substituição dos artefatos sonoros. O uso de fogos de artifício silenciosos, shows de luzes, projeções a laser e decorações com LED são alternativas que mantêm o aspecto visual da festa sem causar danos à saúde animal. Essas práticas não apenas reduzem o estresse e previnem acidentes, mas também diminuem a geração de resíduos no meio ambiente.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 11/12/2025
  • Fonte: Sorria!,