FMABC denuncia retenção de verbas e pede alternância na Fundação
Manifestação na FMABC reúne mais de 500 pessoas e pressiona prefeitos do Grande ABC por nova presidência e repasses financeiros previstos em estatuto
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 20/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Mais de 500 pessoas entre estudantes, professores e funcionários do Centro Universitário FMABC participaram, na manhã desta quarta-feira (19), de uma manifestação pela renovação na presidência da Fundação do ABC (FUABC), entidade mantenedora da instituição.
A mobilização ocorreu dentro do campus, com caminhada, bateria acadêmica e cartazes pedindo mudanças na gestão e a regularização de repasses financeiros destinados ao ensino superior.
A pauta central do protesto envolve a nomeação do novo presidente da Fundação, cuja escolha depende de consenso entre os prefeitos de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul.
Atualmente, o cargo é ocupado por Luiz Mario Pereira de Souza, que cumpre o segundo mandato consecutivo. Segundo os manifestantes, o estatuto da Fundação não permite um terceiro período, e a renovação seria necessária para preservar autonomia universitária e evitar concentração de poder político.
Além da disputa interna pela presidência, integrantes do movimento denunciaram retenção de repasses financeiros estimados em cerca de R$ 40 milhões, valores que, segundo o Conselho Universitário, deveriam ser destinados ao Centro Universitário para manutenção de laboratórios, infraestrutura, atualização tecnológica, campos de estágio e atividades ligadas ao SUS.
Manifesto cobra alternância e cumprimento do Estatuto

O protesto ocorreu dois dias após a publicação de um manifesto assinado por representantes da comunidade acadêmica no Conselho Universitário, incluindo docentes, estudantes, funcionários e membros da sociedade civil. O documento expressa preocupação com o impasse na definição da presidência e pede respeito ao artigo que prevê rodízio de indicação entre as prefeituras.
Durante o ato, a Procuradora institucional e coordenação de psicologia, Jamili Rasoul Salem, em discurso registrado publicamente, afirmou:
“Reestabeleçam um rodízio entre as prefeituras para indicação do presidente da Fundação do ABC. Esse mecanismo existe para renovar o poder.”
Ela também reforçou que a instituição não pode ser conduzida com interesses políticos pessoais:
“Os senhores estão de passagem. A instituição fica.”
Para a docente, a Fundação perdeu seu foco original:
“A FMABC tem mais de meio século de história, e sua missão é maior que qualquer projeto de poder.”
Professores denunciam impacto no ensino e na infraestrutura

Docentes afirmaram durante o ato que a retenção de recursos compromete laboratórios, salas de aula, insumos e qualidade pedagógica.
A Docente assistente e membro da diretoria da adoc, Maria elisa Ravagnani Gonçalves Ramos, declarou
“Nós somos uma faculdade que temos uma mantenedora que não nos mantém.”
Segundo ela, a falta de estrutura já afeta a aprendizagem:
“A gente não consegue aplicar prova. A gente não consegue trabalhar com vocês.”
Ela também relacionou os efeitos ao atendimento prestado à população:
“Daqui a pouco a população tem que entender que se esse dinheiro não for revertido pra nós, a gente não vai mais conseguir atender.”
Outro trecho destacou que muitos atendimentos de saúde atribuídos à FUABC são, na verdade, executados pela FMABC:
“Não é na Fundação ABC, é na Faculdade de Medicina do ABC, que funciona porque os professores e os alunos estão aqui dando atendimento.”
Críticas à expansão da Fundação e suposto desvio de finalidade

Documentos e falas apresentadas no protesto afirmam que a Fundação teria se transformado em uma gestora de serviços hospitalares de grande porte, administrando “cifras bilionárias do SUS”, sem priorizar o papel educacional.
Segundo discurso registrado da docente de clínica médica, de cirurgia de urgência e diretora técnica ambulatório da FMABC, Maria Odila Gomes Douglas
“A Fundação do ABC se tornou gigante. Administra cifras bilionárias de recursos públicos do SUS e precisa ser gerida com transparência, com responsabilidade e com competência.”
Manifestantes argumentam que, com gestão mais coerente ao papel filantrópico, mensalidades poderiam ser reduzidas:
“Talvez nem precisássemos sacrificar tantas famílias com mensalidades tão altas.”
Debate sobre autonomia: universidade não é OS

Um dos discursos alertou para o risco de a FMABC ser tratada como uma organização social (OS), modelo voltado à gestão hospitalar e não à educação:
“Eles querem nos tratar como uma OS. Nós não somos OS. Nós somos o Centro Universitário.”
O mesmo discurso reforça que a FMABC seria a única instituição mantida pela Fundação, enquanto os demais serviços administrados teriam outra finalidade institucional:
“A Fundação tem uma única mantida, que é o Centro Universitário.”
Estudantes cobram transparência e respeito ao Estatuto

Representantes discentes reforçaram preocupação com o risco de queda na qualidade da formação em saúde.
Danillo Bava, presidente do Centro Acadêmico de Biomedicina, declarou:
“Essa conduta compromete salas de aula, campos de estágio, laboratórios, atividades acadêmicas e a própria qualidade da formação.” Voz 056
Ele afirmou ainda:
“A alternância da gestão não é opcional, é uma regra clara criada para garantir o equilíbrio, a transparência e a responsabilidade.”
A representante do Centro Acadêmico de Psicologia, Rafaela Marques também se posicionou:
“A autonomia universitária é inegociável e a Fundação ABC precisa cumprir seu papel de manter e servir o Centro Universitário.”
Servidores da saúde também relatam problemas na rede
Uma funcionária da saúde de São Bernardo, que também é aluna de psicologia, Magali, afirmou:
“A saúde de São Bernardo nunca esteve tão caótica como agora. Estamos sofrendo com essa gestão há anos.”
Segundo ela, o impacto é sentido tanto por trabalhadores quanto pela população atendida:
“Eles têm que ouvir o nosso grito de socorro.”
Encerramento do ato

Ao final, manifestantes reiteraram a continuidade da mobilização:
“Solicitamos a indicação imediata de um novo presidente e os repasses que nos são devidos.”
O protesto foi encerrado com o coro:
“Orgulho de ser FMABC!”.